MARCELO FAIRBANKS
O mercado de tintas anticorrosivas industriais mostra inquietação. Está em curso um rearranjo de forças no setor, que poderá a médio prazo alterar o equilíbrio atual, com predomínio de três empresas, Sumaré (Sherwin-Williams), International (Akzo/Courtaulds) e Renner. Nomes internacionais já conhecidos no mercado montam estrutura para atuar forte no mercado local. Além disso, para alguns dos entrevistados, já é hora de estabelecer diferencial tecnológico mais profundo entre concorrentes. A preocupação ambiental continua sendo a principal pressão de mudança na composição das tintas e nos sistemas de pintura, acrescida pela prevenção de danos à saúde dos trabalhadores. Fabricantes de tintas para esse fim reclamam a criação de leis mais restritivas, capazes de alterar profundamente o perfil consumidor, premiando empresas que mais investem em tecnologia. Nesse ponto, sempre é lembrada a legislação fluminense que baniu o jateamento seco com areia para tratamento de superfície, impulsionando o jateamento úmido com ou sem areia, que exige tintas especialmente preparadas para isso. Quanto aos custos, os entrevistados fazem coro para chamar a atenção dos usuários industriais sobre a necessidade de se avaliar o custo total da pintura, não apenas o custo da tinta. "Nas plataformas de petróleo, por exemplo, o custo da pintura representa aproximadamente 13% do investimento total, enquanto a tinta não chega a 1%", comentou S. Matsumoto, diretor de anticorrosivos da StonCor brasileira, grupo empresarial que reúne empresas como a Carboline, Plasite e Fibergrate. Com base nessa informação é lógico afirmar que o uso de uma tinta mais nobre não vai pesar muito no orçamento do projeto, mas poderá trazer ganhos com a vida útil prolongada e a capacidade de reduzir o tempo de parada para manutenção. Ao mesmo tempo, foram desenvolvidas tintas capazes de substituir camadas de recobrimento. Basicamente, a pintura protetiva se compõe de três níveis: base ou fundo, intermediário e acabamento, cada um com propriedades específicas, visando evitar corrosão do substrato, proteger contra radiação ultravioleta, nivelar a superfície ou oferecer melhor efeito estético. O uso de tintas multifuncionais permite eliminar uma ou mais camadas, com as respectivas demãos, implicando menor custo de aplicação. O uso das multifuncionais, no entanto, apresenta limitações. "Como há menos demãos, há menos oportunidades para corrigir defeitos de pintura, portanto, o serviço exige mais qualidade", explicou Celso Gnecco, gerente de treinamento técnico da Sherwin-Williams do Brasil, divisão Sumaré. A título de exemplo, ele cita pinturas internas (não expostas à luz solar, nem às chuvas) de alvenaria que podem ser feitas com 4 demãos de tinta alquídica ou apenas uma de epóxi dupla função Marcelo Fairbanks Na StonCor/Carboline, as aplicações de camadas únicas são recomendadas apenas para casos de geometria simples de superfície e longe de pontos críticos. Hilton Wanderley de Castro, gerente de serviço técnico, afirma ser possível obter camadas de 50 a 300 micrômetros de espessura (por demão) com tintas sem solvente, usando matérias-primas de baixa viscosidade. Uma demão de tinta base d'água convencional apresenta espessura de 50 a 100 micrômetros, enquanto se conseguem até 800 micrômetros com produtos especiais de altos sólidos. "Tintas que secam mais rápido também aceleram o processo de
pintura e permitem reduzir custos", completou Douglas Bruce Leslie, gerente geral das
linhas marítima e protective coatings da Akzo Nobel, divisão International. A
empresa já comercializa tintas capazes de oferecer com apenas uma camada a mesma
proteção de sistemas com três, além de apresentar várias cores. "Os clientes
estão exigindo pintura protetiva e colorida", disse. Além do efeito estético, a
cor é usada para identificação de fluxos. Leslie cita o caso de torres para suporte de
sistemas de aproveitamento de energia eólica, colocadas em praias do Nordeste e pintadas
de cor próxima a da areia para reduzir o impacto visual. No Brasil, a Sherwin-Williams, na área de pintura protetiva, uma de suas especialidades, adquiriu a Tintas Sumaré, reputado fabricante nacional detentor de importante participação de mercado. "A ligação com a Sherwin-Williams
Em vez de licenciar nova empresa, o grupo internacional RPM decidiu por atuar por sua própria conta no Brasil. Uma reestruturação interna agrupou as empresas por linhas de atuação, dando origem ao grupo mundial StonCor, voltado para lidar com qualquer tipo de proteção anticorrosiva. O novo grupo reúne quatro empresas, a começar pela Carboline, fornecedora de tintas especiais, cuja fábrica brasileira, em Cotia-SP, iniciou produção em fevereiro de 1999. A Plasite produz revestimentos anticorrosivos internos para equipamentos e tanques, enquanto a Fibergrate produz perfis e grades de resinas diversas reforçadas com fibra de vidro por processos patenteados de pultrusão, moldagem e "moltrusão", um híbrido entre as técnicas anteriores, e a StonHard, fornecedora de pisos industriais à base de resinas de alto desempenho. "Nosso negócio não é vender tinta, mas apresentar planos de combate à corrosão nas instalações dos clientes", explicou o gerente de serviço técnico Hilton Wanderley de Castro. "A tinta é uma das alternativas". Segundo explicou, de 5% a 10% das situações industriais não podem ser solucionadas apenas com pintura. Quando se trata de ambiente altamente corrosivo, como unidades de álcalis ou ácido sulfúrico, seria preciso renovar com elevada freqüência o revestimento, tornando-o inviável. "Há casos também nos quais a geometria da peça, ou a sua localização, impedem a pintura", disse. Para essas situações, a empresa recomenda trocar o material sujeito à corrosão por outros mais resistentes, feitos à base de resina poliéster, principalmente. Até no caso da Carboline, os planos da StonCor não contemplam a conquista de ampla fatia de mercado, mas visam atuar nos nichos mais exigentes. "Mesmo nos EUA, ela só detém 15% do mercado, porque optou por não oferecer commodities", explicou Matsumoto. Os campos prioritários para desenvolvimento de negócios são a petroquímica e as estações de tratamento de efluentes industriais, para as quais pode oferecer produtos das linhas Carboline, Plasite e Fibergrate.
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