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Válvula Tricentric /
A&M

MARCELO FURTADO
Fabricantes começam a recuperar as vendas
e se preparam ainda para garantir presença nas concorrências dos setores de petróleo e
energia
O mercado nacional de válvulas industriais sobreviveu a uma de suas piores
fases na história, a compreendida no primeiro semestre de 1999, e de carona no previsto
crescimento do PIB inicia um período de grande recuperação. Já no segundo semestre os
fabricantes sentiram o reavivamento de projetos de expansão ou modernização do setor
químico e petroquímico, papel e celulose, têxtil, alimentos e de construção de usinas
termoelétricas. Com isso, mesmo reduzido para 48 fabricantes, depois de haver englobado
quase 90 empresas no início da década de 90, o segmento conseguiu no final das contas de
1999 crescer cerca de 15%, faturando R$ 270 milhões.
O desempenho poderia ter sido ainda melhor, caso a desvalorização da
moeda tivesse tido a influência esperada nas exportações. Mas o mau desempenho dos
principais países compradores, notadamente os sul-americanos, inibiu qualquer tipo de
compensação ao estagnado mercado interno. Outro fator ainda mais importante contribuiu
para explicar as fracas exportações. Para o presidente do Sindicato dos Fabricantes de
Válvulas (Sindival) José Roberto Vanordem Vieira, em cinco anos de sobrevalorização do
real os fabricantes perderam todo o mercado externo. |
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| Só aproveitaram bem o novo câmbio algumas empresas mais
mobilizadas, como a Spirax Sarco, presidida por Vanordem, que no dia seguinte ao da
flexibilização fechava vendas na Europa. A maior parte das demais, sem estrutura
transnacional facilitadora para intercâmbios comerciais, só conseguiu usufruir mais do
mercado externo lá pelo final do ano, depois de muitas viagens internacionais para
arregimentar novos clientes. Foi o caso da Ciwal, que depois de 16 meses de trabalho
consegue agora exportar 15% de sua produção para países latinos, contra uma média de
3% dos anos anteriores. |
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Política é importante _ Caso o crescimento do PIB em 2000
atinja os esperados 5%, os cálculos do presidente do Sindival estimam um faturamento 30%
maior. Mas para isso acontecer não basta a retomada de projetos. Continua sendo
fundamental a participação política do setor para garantir a presença em alguns planos
de investimentos, sobretudo em petróleo e energia, e na defesa da privatização do
saneamento como única forma de se criar recursos para as obras necessárias.
Para começar, o sindicato está conseguindo junto à Organização da
Indústria do Petróleo (Onip), formada pelas concessionárias privadas de exploração e
pela Petrobrás, o cadastramento dos fabricantes locais como fornecedores possíveis de
participar das concorrências das novas bacias. Até então, apenas empresas estrangeiras
constam desse cadastro.
Quando se trata de Petrobrás, as reivindicações passam ainda pela
questão de financiamento. Recentemente, como condição para participar de suas
licitações a estatal passou a exigir dos fornecedores de bens e serviços a
apresentação de planos de financiamento de longo prazo para pagar o contrato, com
carência de pelo menos um ano. Isso, em uma primeira análise, beneficiaria os
estrangeiros, que operam com agências de fomento de longo prazo e contam com os baixos
juros internacionais.
A bandeira dos brasileiros nessa questão, diz Vanordem, é lutar pela
isonomia financeira, possível de ser conseguida em condições favoráveis com o BNDES.
Posição já manifesta junto à Onip, a idéia é se utilizar do Regime Especial do
Petróleo (Repetro), um sistema aduaneiro de exportação e importação de bens para a
indústria petrolífera. Com o Repetro, os fornecedores locais simulariam, com o aval do
governo, exportações à estatal. Isso porque apenas em vendas externas o BNDES pode
oferecer financiamentos com prazos alongados em até dez anos e juros com taxa Libor mais
1%, pré-condições similares às obtidas pelos estrangeiros. Onip e BNDES negociam para
possibilitar essa engenharia especial de aporte.
Criadas as condições isonômicas de competição, que ainda dependem
da regulamentação dos mecanismos de fomentação à exportação do BNDES- Exim, o setor
se fortaleceria não só contra a facilidade de financiamentos internacionais dos
estrangeiros. Mas também contra a isenção de impostos concedida à importação de
unidades produtivas, máquinas e equipamentos pelo regime de admissão temporária.
"A empresa brasileira é penalizada por fabricar aqui", desabafa Vanordem
Vieira.

Apesar de o setor hoje ter mais consciência do perigo de depender apenas de alguns
grandes clientes, o que o levou a tornar suas vendas mais heterogêneas, a
preocupação com Petrobrás e seus parceiros na exploração é plenamente
justificável.
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| Afinal de contas, só a estatal pretende investir US$ 32,9
bilhões até 2005, sendo 70% provenientes de recursos próprios, 20% de project
finance e 10% a definir. Já das companhias privadas, aguarda-se mais US$ 70 bilhões
nos próximos anos. Do total de investimentos da estatal, 68% voltam-se às atividades
de exploração e produção de petróleo, 17% para refino, transporte e
comercialização, 10% para o segmento de gás e 5% para distribuição. Para os
fabricantes de válvulas, como o diretor-superintendente da Ciwal e vice-presidente do
Sindival, Newton Silva Araújo, a menina dos olhos é a área de refino, para a qual se
destinam US$ 3 bilhões nos próximos cinco anos. "A prospecção não é tão
alvissareira para válvulas", afirma Araújo. |
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| Termoelétricas _ Uma outra bandeira da categoria visa
garantir participação no promissor mercado de gás, o qual, por sinal, faz parte dos
grandes objetivos da Petrobrás, que pretende tornar-se até 2005 uma empresa de energia.
O Sindival reivindica isonomia nas concorrências para fornecimento às 43 usinas
termoelétricas, a maioria delas a partir de gás da Petrobrás. A preocupação é evitar
o ocorrido com as usinas já montadas, nas quais a maior parte das unidades foi importada
em regime de turn key com equipamentos e máquinas agregadas. "Pedimos à
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que facilite nossa participação",
afirma Vanordem Vieira. |
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De acordo com o gerente comercial e de desenvolvimento da divisão Masoneilan, da Dresser,
Carlos Augusto Alessandri, a garantia de participação justa nessas concorrências
privilegia não só os fabricantes como os clientes. "Quando se adquire uma planta
turn key não se avalia a qualidade da válvula, já que esses fabricantes não precisam
ser cadastrados nem inspecionados pelos grandes compradores", diz. Já os brasileiros
precisam passar por todas essas exigências para serem credenciados por autarquias,
empresas e concessionárias privadas de energia, por exemplo. |
Alessandri sugere como alternativa para enfraquecer a participação
estrangeira em licitações a obrigatoriedade em garantir assistência técnica local.
Motivos para tomar atitudes como esta não faltam. O presidente do Sindival cita como
exemplo o caso do gasoduto Brasil-Bolívia. A controladora do projeto, a Petrobrás,
importou grande parte das válvulas, mas depois de um período, quando apareceram
problemas de manutenção e reposição, precisou recorrer às nacionais.
As termoelétricas demandam válvulas atuomatizadas, com nível de
sofisticação tecnológica comparável ao das indústrias de petróleo e petroquímica,
com baixas, médias e altas pressões. Segundo Carlos Augusto Alessandri, representam um
mercado grande para todos os tipos de válvulas, sejam elas manuais, de controle e
segurança, engenheiradas ou de prateleira.
Nas termoelétricas (UTEs) já em operação, como as de Uruguaiana-RS,
a de Cabiúnas-PR e outras, como as da Petroquímica União, de Mauá-SP, e a da Suzano
Papel e Celulose, em Suzano-SP, várias empresas locais conseguiram fechar vendas. A
Hiter, por exemplo, forneceu para Uruguaiana válvulas de controle de baixa e média
pressão e válvulas de segurança da sua linha associada Crosby. Também a Dresser, em
Cabiúnas, forneceu válvulas para altas pressões de controle e de segurança
Consolidated, porém importadas de afiliadas.
Há ainda casos como o da tradicional IVC, de
São Paulo, que foi mais adiante e fornece estações de medição de vazão e regulação
de pressão (city gates) aos licitantes responsáveis pela construção de
termoelétricas e pela distribuição de gás natural. São chamadas também de CRMs
(conjunto de redução e medição) e voltam-se para adequar ao consumo, reduzindo sua
pressão, o gás proveniente da Bolívia. Toda a cidade ou grande consumidor industrial
necessita de uma CRM para receber o gás. |
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De acordo com o presidente da IVC, Walter Lapietra, para construir a estação a companhia
importa medidores de vazão tipo turbina, compra reguladores de pressão da Fisher
Rosemount e válvulas redutoras de pressão no mercado e constrói skids prontos
com suas válvulas de esfera side enter.
Segundo Lapietra, com o gasoduto Brasil-Bolívia em operação já foram vendidos muitos skids,
tanto para termoelétricas como para grandes indústrias. Um exemplo é a conversão da
usina de Piratininga, de São Paulo, de óleo para gás, para a qual fornecerá em
conjunto com a Fisher. De São Paulo até o Sul do País, diz o executivo, haverá um
mercado explosivo de fornecedores de equipamentos para gás natural.
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| Pressure seal - Para vender para
as usinas, as empresas nacionais estão atentas para se adequar às tecnologias exigidas.
A Ciwal, por exemplo, lança uma linha de válvulas gaveta e globo com sistema de selagem
à pressão (pressure seal), com uma construção na qual a própria pressão do
fluido assiste a vedação entre o corpo e a tampa. Com acionamento elétrico ou manual,
é aplicada em controle e bloqueio de altas pressões (até 2500 psi) de líquido e vapor
em turbinas. Embora o lançamento, na opinião do presidente da Ciwal, Silva Araújo,
tenha sido para atender a essa demanda, a pressure seal também tem o perfil de
aplicação em caldeiras de alta pressão em petroquímica e siderurgia. |
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Uma empresa nacional já bastante envolvida no mercado das
termoelétricas é a Durcon-Vice, de Cajamar-SP. Para seu presidente, Alejandro Hube, a
companhia de 1999 em diante totalizou vendas de R$ 2 milhões só em fornecimentos para
essas usinas. Isso foi possível devido ao seu know-how em válvulas de grandes dimensões
e em razão da tecnologia da Vice, empresa adquirida há quatro anos, que fabrica sob
licença da americana Pacific modelos da pressure seal. Ambos os tipos de válvulas
são muito requisitados para operar em turbinas dessas usinas.
Apenas para a AES Uruguaiana a Durcon vendeu quatro válvulas borboleta
motorizadas de 60", duas de 54" e doze de 24", utilizadas no
condensador-resfriador da turbina. As duas últimas são de controle, com atuadores
elétricos da alemã Auma, enquanto a primeira, pesando cerca de 8 toneladas, é manual.
Além dessas, em fornecimentos que visam bloqueio e controle em turbinas de alta pressão
da Asea Brown Boveri (ABB), usadas em termoelétricas, em Suzano-SP, e da Champion, em
Mogi Guaçu-SP, a Durcon-Vice forneceu válvulas globo, de gaveta e retenção, com
castelo parafusado, para baixas pressões e dimensões acima de 24", instaladas na
saída das turbinas. Para a entrada das turbinas, são fornecidas válvulas também do
tipo globo, gaveta e retenção, para altas pressões, de 1500 e 2500 libras, e com tampa pressure
seal. |
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Alejandro Hube ressalta ainda sua parceria com a Siemens na termoelétrica da PqU, para a
qual também fornece modelos de grande dimensão de gaveta, globo e retenção. Nessas
válvulas, e também em borboletas e guilhotina, o executivo acredita possuir preço
competitivo inclusive para exportar. Não por menos, a Durcon-Vice possui desde o ano
passado uma fábrica em Michigan-EUA, em joint-venture com a americana HBI, especializada
em válvulas de controle especiais, e pela qual pretende escoar sua produção de Cajamar
mundo afora. "Queremos usar a fábrica americana sobretudo para vender o produto
nacional e apenas montagens esparsas serão feitas por lá", diz. Atualmente, são
fruto de exportação 15% dos R$ 8 milhões de faturamento anual da Durcon-Vice. Um modelo
com grande aceitação internacional é a da válvula de recirculação, para proteção
de bombas centrífugas. De acordo com Hube, somente quatro empresas fabricam esse tipo de
válvula. "Temos 10% desse mercado mundial", informa. |
Importação importa - Se aumentou a
competitividade para exportar da Durcon-Vice e de vários outros fabricantes brasileiros,
não se pode dizer que a proteção cambial foi suficiente para barrar os importados.
Houve diminuição em válvulas de prateleira, sobretudo as chinesas e outras que com o
tempo provaram ser de qualidade duvidosa. Mas há casos bem-sucedidos de importação de
válvulas engenheiradas.
Um bom exemplo vêm da Dreifus EA, representante em São Paulo de
válvulas do grupo escocês Weir. São modelos Atwood & Morril, Batley, Sebim, Valflow
e Hopkinsons. Desde julho de 1999, com essa representação, a Dreifus conseguiu vender
US$ 800 mil e teve atuação destacada no mercado termoelétrico. Na usina AES Uruguaiana,
foram fornecidas duas válvulas Atwood & Morril de globo/retenção de 24", com
6,5 toneladas cada, duas gavetas de 24", duas globo/retenção de 12" e outra de
26"de retenção do tipo free-flow reverse current, que evita contra-fluxo de
vapor na turbina.
Para o diretor da Dreifus, Eduardo Von Dreifus, embora as válvulas
tenham sido fabricadas nos Estados Unidos, em unidades da Atwood & Morril, o prazo de
entrega atendia ao cronograma da obra e com certa vantagem em comparação aos fabricantes
locais. Também em preço, o dólar alto não afetou a negociação, em razão da economia
de escala conseguida pelo fabricante e por sua estratégia global source, na qual
utiliza matéria-prima e produção de onde for menos custoso no mundo. E, para garantir
atendimento técnico, diz Dreifus, a empresa conta com centro de serviços da Envirotech,
em São Paulo, fabricante de equipamentos, inclusive válvulas, recentemente adquirida
pelo grupo Weir.
Com extensa linha de válvulas, há outros modelos do grupo Weir já
instalados no País. Há modelos de alívio Atwood de 26" e 28" na Fafen,
fábrica de fertilizantes da Petrobrás na Bahia, para proteção de condensador, e
válvulas de alívio e segurança da Sebim na Petroquímica União, em Mauá-SP. No
terminal de Tramandaí-RS, da Petrobrás, há válvulas borboleta de alto desempenho
Batley, sendo duas de controle e 6 on-off, para linhas de nafta, claros e
petróleo, operadas sob 600 lb de pressão e com atuadores eletro-hidráulicos. Aliás, em
fornecimentos para a estatal, a Dreifus é credenciada para a linha da Atwood & Morril
e, em breve, conseguirá o mesmo para a Batley.
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| Triexcêntrica - Há
um tipo de válvula borboleta já comercializado pela Dreifus, no Brasil, com
possibilidade de se tornar uma nova coqueluche: as triexcêntricas, com a principal
vantagem de proporcionar vazamento zero em operações críticas. |
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Tecnologia recente no mundo, são dispostas em dois tipos: as de cunha, cujo disco e
assento são fundidos como cone (segmento de cone), caso das disponíveis pela Atwood
& Morril, pela Keystone (modelo Vanessa) e pela Durcon-Vice; e as esféricas, por
segmento de esfera, produzidas pela Hiter
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