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PqU E CUT ASSINAM PACTO CONTRA
BENZENO

Cuca Jorge
Pelo acordo, a PqU deverá acabar com os vazamentos
nas bombas (no detalhe)
Arquivo QD
Mais preocupado agora com a geração de
emprego e a manutenção da força econômica da região, o movimento sindical do ABC
paulista tem provado ser possível entrar em entendimento com a indústria. Prova última
foi o acordo sobre saúde, segurança e meio ambiente assinado no dia 10 de maio entre o
sindicato dos químicos do ABC, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), e a
Petroquímica União (PqU), de Santo André-SP. Além de visar o aumento do nível de
segurança industrial, de preservação ambiental e de melhorar as relações sindicais, o
objetivo do documento assinado é acima de tudo aperfeiçoar a proteção dos
trabalhadores contra os efeitos nocivos do benzeno.
Mais difícil de ocorrer no passado, quando as relações entre sindicato-empresa eram
menos cordiais, o acordo é bastante abrangente e inclui ainda a formação do Sistema
Único de Representação (SUR). Trata-se de um comitê interno de funcionários, que
amplia as atividades dos membros da CIPA para além da questão de acidentes, atingindo
também as relações trabalhistas com a empresa. Discursos fáceis de combatividade
não contribuem mais para a solução dos problemas estruturais de ordem ambiental, social
e econômica, hoje em dia precisamos procurar o consenso, sintetiza a nova
metodologia de trabalho o presidente do sindicato Sérgio Novais.
Com a colaboração mais efetiva do chão-de-fábrica, Novais acredita que não só os
trabalhadores ganharão, mas também a empresa. Vários acidentes e conflitos serão
evitados e a produtividade aumentará, diz. Mesmo essa participação tendo sido
provocada pela insistência do sindicato, a idéia é também colaborar para o aumento de
competitividade da PqU. Nossas sugestões são feitas à luz da conjuntura
econômica e social do país e da região, que tem perdido muitas indústrias,
afirma o dirigente.
Mesmo com o tom conciliatório, o acordo entra em detalhes nas atitudes a serem tomadas e
estipula alguns prazos para implementações de melhorias. Logo no ínicio do documento,
por exemplo, fica determinado que em um ano a PqU deverá concluir o sistema de drenagem
fechada em suas linhas de aromáticos e olefinas, especificando ainda procedimentos
futuros de verificação de estanqueidade e de monitoração do sistema.
Quando se envolve o benzeno, motivo principal do documento, as determinações são ainda
mais específicas e visam aprofundar o compromisso da empresa no disposto no Acordo
Nacional Tripartite do Benzeno, firmado em dezembro de 1995 entre centrais sindicais,
governo e empresários. Assinando o acordo, a PqU se compromete com várias medidas para
minimizar o impacto desse aromático causador de leucemia mielóide e outras doenças no
fígado e no sangue e para melhorar o atendimento a trabalhadores anteriormente expostos.
Para tanto, a PqU deverá finalizar em 20 meses um programa de modernização de bombas
que operem com fluidos com nível de benzeno superior a 30%, utilizando equipamentos com
vedação total. Em um prazo menor, de apenas um mês, a empresa precisará reformular seu
procedimento com a coleta de amostras de produtos, proibindo a reutilização de septos
dos frascos, identificando o conteúdo da amostra e ainda tomando providências em caso de
transbordo. No mesmo prazo, precisará treinar o pessoal envolvido nas coletas.
Foi acordado ainda o envio de relatórios ao sindicato das avaliações de exposição
individuais ao benzeno nos diferentes setores da fábrica, bem como a implementação de
procedimentos de manutenção periódica de equipamentos e instrumentais das áreas de
benzeno. Também precisarão ser monitorados os tanques com presença do produto. Faz
parte ainda das exigências o treinamento e a realização de cursos informativos sobre o
risco e exames de sangue gratuitos em funcionários da ativa e aposentados que foram
expostos ao produto.
Afora essas questões de segurança e as de cunho ambiental, outro compromisso vem a
calhar na nova visão do sindicato de manutenção de emprego na região. A PqU se
comprometeu a manter um efetivo mínimo de pessoal na área ocupacional e de manutenção
até dezembro de 2000. Aliás, para sustentar essa determinação, bem como as demais
contidas nas dez cláusulas do acordo, o sindicato do químicos do ABC tem um trunfo: em
caso de descumprimento de algum item, a PqU pagará multa de 500 mil reais por
infração.
BAYER CRESCE
15% NO TRIMESTRE
Divulgação

Reimelt: cai participação de químicos
O ano 2000
começou bem para o grupo Bayer no Brasil. O faturamento referente ao primeiro trimestre
apresentou aumento de 15% sobre igual período do ano anterior, em moeda forte (dólares
americanos), desempenho atribuído à melhor competitividade mundial dos produtos
brasileiros alcançada após a desvalorização do real. Esse fator, no entanto, causou a
queda de 13% nas vendas totais de 1999 em relação a 1998, quando avaliadas em dólares.
Na moeda nacional, as vendas cresceram 33%, somando R$ 1,28 bilhão, equivalentes a 2,2%
do faturamento mundial do grupo.
Neste ano, o grupo vai investir US$ 40 milhões para ampliar as linhas de óxido de ferro
(antiga fábrica da Globo em Porto Feliz-SP), de poliuretanos e de termoplásticos. Além
disso, é preciso contar com a incorporação do negócio de polióis da Lyondell,
adquiridos pela matriz, às atividades da filial brasileira, movimento que representa um
aporte de vendas de US$ 35 milhões por ano.
As vendas da área de polímeros do grupo, abrangendo poliuretanos, borrachas,
matérias-primas industriais e termoplásticos, cresceram 14% sobre as de 1998, somando
US$ 22,7 milhões. Isso se explica pela evolução do negócio de PU após a compra dos
polióis da Lyondell. No final do ano, a Bayer comprou da Unigel os 33% que esta ainda
detinha da antiga Companhia Brasileira de Polímeros (CBP), renomeada para Bayer
Polímeros. Ao adquirir a totalidade das ações, o grupo estuda a viabilidade de promover
a integração total do negócio, o que permitiria colocar todas as equipes de polímeros
no mesmo endereço, em São Paulo. Existem algumas dificuldades para isso, a começar pelo
fato de o prédio da sede estar em processo de reforma, um andar por vez, que deve demorar
ainda alguns anos para ser concluído.
Já na área de produtos químicos as vendas caíram de US$ 184,6 milhões em 1998 para
US$ 122,3 milhões. A queda abrupta é explicada pela venda da participação na antiga
Tibrás para a Millenium. As áreas de produtos para couros, têxteis e papel apresentaram
estabilidade, enquanto a linha de aromas da H&R teve bom desempenho. Essa área não
é prioritária na estratégia da empresa, segundo seu presidente no Brasil Helge Karsten
Reimelt. A participação dos negócios químicos no faturamento deve ser reduzida a
15% ou 10%, menos pela venda de unidades e mais pelo incremento de vendas das linhas de
polímeros, saúde e produtos agropecuários, afirmou.
As linhas de corantes têxteis já foram unidas às da antiga Hoechst para formar a
DyStar. No ano passado, a Basf aderiu ao negócio com seus produtos, permitindo ganhos
substanciais para a joint venture, que pretende faturar US$ 1,22 bilhão neste ano.
Uma das áreas prioritárias, a de saúde, abriga as linhas farmacêutica, produtos para
venda direta ao consumidor (consumer care) e de diagnóstico e sofreu queda de faturamento
da ordem de 20%, fechando 1999 com vendas de US$ 150,4 milhões. Os aumentos de
preços de remédios não conseguiram compensar a desvalorização cambial, item de peso
nos custos, pois os princípios ativos são na maior parte importados, disse
Reimelt. Para 2000, a área farmacêutica espera recuperar vendas a partir do lançamento
do antibiótico Avalox. Também contribuirá para o resultado o investimento de US$ 25
milhões feito na nova fábrica dessa divisão, que passou a produzir também pomadas e
líquidos e poderá atender a toda a demanda do Mercosul, acrescendo US$ 10 milhões em
exportações. Mesmo assim, o déficit comercial da Bayer permanecerá ao redor de US$ 100
milhões anuais, tendo registrado US$ 40 milhões de exportações e US$ 130 milhões de
importações em 1999.
Os produtos vendidos ao consumidor sem receita médica como a Aspirina e o Alka Seltzer,
apresentaram queda de faturamento, devido à queda do poder aquisitivo da população e à
concorrência extremamente agressiva.
Na linha diagnóstica, a empresa passou a contar com os negócios da Chiron, tornando-se
uma das líderes mundiais. A Bayer já havia adquirido os produtos diagnósticos da Merck
e hoje fatura US$ 2 bilhões por ano com a atividade em todo o mundo. Da filial brasileira
é esperado que venda algo entre US$ 25 milhões e US$ 30 milhões ao ano. Ainda
estamos longe disso, mas é a nossa meta, confirmou Reimelt.
A importância estratégica do Brasil nos negócios da Bayer aumentou com a decisão de
concentrar no País as operações de suprimentos, serviços de informática e área
técnica do grupo para toda a América Latina. Não haverá centralização
administrativa na região, mas prestação de serviços, explicou Reimelt.
Reforço no PU Principal produto da Bayer no Brasil, o poliuretano está na
linha de frente dos investimentos. A idéia é elevar a produção local de MDI para
50 mil t/ano e tornar a unidade auto-suficiente, comentou Reimelt. Para isso, será
ampliada a produção de anilinas, hoje insuficiente para atender as necessidades da
própria companhia, que as importa. A capacidade atual de produção de MDI em Belford
Roxo-RJ chega a 36 mil t/ano, mas os mercados automobilístico, calçadista e de
refrigeração justificam o investimento, que será acompanhado pela respectiva expansão
da fábrica de poliol-poliéter contígua.
Na linha de espumas flexíveis para colchões e estofamentos, a Bayer vai aumentar sua
participação, contando com fábrica nova de TDI (isocianato de toluileno) nos EUA, com
grande escala e baixos custos unitários, além de ter reforçado sua linha de polióis
pela compra do negócio da Lyondell (ex-Arco) por US$ 2,45 bilhões. O valor incluiu
contrato de fornecimento de óxido de propeno para a unidade de polióis. A operação
comercial mantida pela Lyondell no Brasil já foi absorvida pela Bayer e está sendo
operada sem sobressaltos, segundo Ihor Fedak, diretor de poliuretanos e borracha da
empresa. O contrato incluiu patentes, licenças e know how técnico de procedimentos.
Plásticos em alta A linha de plásticos de engenharia (ABS/SAN) deverá
ampliar sua capacidade atual de quase 30 mil t/ano para 40 mil t/ano em 2 anos, exigindo
investimento de US$ 6 milhões. O valor inclui a modernização da fábrica baiana, agora
totalmente pertencente à Bayer. A intenção de fortalecer o negócio é evidenciada pela
transferência para lá dos equipamentos de compoundagem, antes instalados na fábrica da
Unigel em São Bernardo do Campo-SP. A Bayer Polímeros é central de fornecimento
de ABS/SAN para a América Latina, disse Reimelt.
No entanto, essa linha de produtos apresenta importações crescentes de monômero de
estireno, feitas, segundo a empresa, para evitar o alto preço cobrado pelo fornecedor
local.
Pigmentos de ferro A unidade de Porto Feliz-SP, comprada da Globo Pigmentos,
produz óxidos de ferro de qualidade reconhecida internacionalmente e vai ser ampliada das
atuais 13 mil para 15 mil t/ano a curto prazo. Em alguns anos, a capacidade será
novamente expandida para quase 20 mil t/ano. A qualidade do óxido de ferro amarelo
dessa unidade é excelente e hoje há falta desse pigmento em todo o mundo, facilitando a
exportação, comentou Reimelt, destacando os EUA como mercado preferencial. Segundo
ele, ainda é preciso melhorar as linhas de secagem e moagem, exigindo mais US$ 6 milhões
para aplicação futura.
Espaço para fábricas Há três anos a Bayer divulga a intenção de alugar
espaço em seu site de Belford Roxo-RJ para outras empresas químicas, de modo a gerar
vantagens mútuas. Até o ano 2000, apenas a fornecedora de gases industriais Messer
Griesheim aceitou o convite, já contando com unidade de produção no local.
Depois de forte processo de reestruturação, que culminou com o fechamento de unidades, a
Bayer verificou que não teria como ocupar sozinha toda a área do site. Trata-se de área
preparada para a instalação de unidades químicas, dotada de infra-estrutura completa,
incluindo tratamento de resíduos industriais líquidos e sólidos (incinerador rotativo
de alto desempenho). Uma empresa que lá se instale pode conseguir uma redução de
quase 40% em seus custos de implantação pela disponibilidade dessa estrutura,
explicou o diretor executivo Axel Schaefer.
No entanto, poucos se candidataram além da Messer. Schaefer atribui a baixa demanda à
retração da atividade química nos últimos anos, que deve reverter-se. Além disso, a
escolha de local é um processo lento, sujeito a muitas exigências de ambas as partes,
pelas quais se verifica a necessidade de algum grau de integração às linhas da Bayer.
Sem dúvida, o ideal é que seja fornecedor ou consumidor de alguma das fábricas
lá instaladas, disse.
Além da oferta de espaço, Schaefer ressaltou os avanços do grupo em qualidade e
segurança ambiental, destacando a obtenção de certificados ISO 9000 em todas as
unidades e ISO 14000 para várias delas, além da redução dos índices de acidentes de
trabalho e de emissões de CO2.
Internet nas vendas A unidade de poliuretanos vai ser a pioneira no Brasil a
fazer vendas pela internet. Até dezembro teremos 3 clientes estratégicos
conectados, a título de experiência, comentou Ihor Fedak. Esses clientes, o maior
comprador nacional da área, o maior distribuidor da companhia e o distribuidor na
Argentina, permitirão avaliar o sistema em todas as modalidades de negociação.
Até meados de 2001 todos os maiores 22 clientes, que representam 80% das vendas,
estarão sendo atendidos pela rede, disse.
A estratégia de negócios, no primeiro momento, contempla apenas a operação de venda e
acompanhamento da entrega, feita por veículos rastreáveis por satélite. No futuro,
segundo Fedak, a idéia é administrar os estoques dos clientes, com sistema de pedidos
automatizados. Para suportar essas operações, a Bayer implantou o sistema SAP R/3 e
está migrando para o R/4, que apresenta ferramentas mais desenvolvidas para negócios
pela rede.
A Bayer vai manter página própria por meio da qual oferecerá informações completas
sobre seus produtos. Em uma das telas será possível aos clientes cadastrados (portadores
de senhas) entrar nas respectivas fichas de pedidos e realizar operações comerciais. A
construção do sistema no Brasil está avaliada em US$ 2 milhões, e conta com apoio da
AT Kearney. Segundo Fedak, no exterior, a companhia já participa do sistema de leilões
on-line mantido pela ChemConnect.
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