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Demanda por tratamento terceirizado faz fornecedores químicos e de
equipamentos se unirem para ofertar serviços completos, concentrando
ainda mais o setor no Brasil e no mundo
Atentos à retomada do crescimento econômico,
os principais fornecedores de sistemas para tratamento de efluentes estão se preparando
para começar uma verdadeira guerra de concorrência. De olho nas melhores contas dos
setores industriais, nas concessões privadas de saneamento municipal e até mesmo na
prometida desestatização das companhias estaduais, os competidores não medem esforços
para ganhar poder de fogo. Procurar aliados para ofertar pacotes completos de tratamento e
garantir aporte para fornecimentos do tipo BOT (build, operate and transfer), no qual o
cliente não precisa se preocupar em financiar estações, limitando-se a pagar pela água
ou esgoto tratado, são as principais estratégias.
O novo cenário de alianças começou a ser delineado pelo movimento dos grandes
fornecedores de sistemas mecânicos e equipamentos, que se uniram a especialistas do
condicionamento químico da água. Na cola da francesa Suez Lyonnaise des Eaux,
controladora da Degrémont, que adquiriu em 1999 a americana Nalco, outras companhias
pegaram a mesma trilha. Como era de se esperar, a maior rival, a também gaulesa Vivendi,
uniu-se mundialmente no final de janeiro de 2000 à americana BetzDearborn, segunda maior
em processos para tratamento de água e efluentes, atrás apenas da Nalco.
Ao contrário do negócio Degrémont-Nalco,
porém, trata-se apenas de fusão estratégica, sem envolvimento financeiro-contratual.
Aliás, mesmo se quisesse adquirir a BetzDearborn, a Vivendi possivelmente não teria cash
no momento, já que no início de 1999 havia comprado a US Filter, fabricante de
equipamentos e sistemas, por quase US$ 8 bilhões. Mas, segundo informa o gerente de
mercado Wesley Ribeiro, a decisão por apenas travar uma aliança é uma forma
de proteção mútua do acordo. Nenhuma das duas empresas quer limitar sua carteira
de clientes por causa de cruzamentos de interesses e muito menos perder tempo com
reestruturações, explica Ribeiro. |
Cuca Jorge

Ribeiro: aliança estratégica com
US Filter |
A aliança funcionará para as duas áreas da
BetzDearborn: a de papel e celulose (água e processo) e a de water management. Será
voltada também para a terceirização de unidades de água e efluentes, na qual a BD
acrescenta também seu know-how em operação e engenharia ao da Vivendi, que comandará
os projetos de BOT e BOOM (build own operate and maintenance) por meio das afiliadas
OTV/US Filter. Estamos participando juntos de concorrências privadas em siderurgia,
química e papel e celulose, diz Ribeiro.
Cuca Jorge

Villaça: liderança depende
da obra |
Para o gerente de marketing da BetzDearborn,
Gustavo Villaça, a estratégia também inclui direcionar o líder nas concorrências ou
ofertas de serviços conforme a necessidade da obra. Se a parte química for
preponderante, nós mandamos; se for o equipamento, manda a OTV/US Filter, diz. E,
embora pareça ser o segundo caso mais comum, Villaça cita recente trabalho realizado
pela empresa na Petroquímica União (PQU). Com dosagem apropriada de inibidores estáveis
na presença de cloro da linha Dianodic Plus, foi possível à petroquímica utilizar
apenas água do sujo Rio Tamanduateí para alimentar suas torres de resfriamento,
ecomomizando US$ 2,7 milhões/ano em água da Sabesp. O fundamental foi o tratamento
químico, explica.
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ESTIMATIVA DO MERCADO NACIONAL DE SISTEMAS PARA EFLUENTES
(US$ milhões)*
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| SEGMENTOS |
1999 |
2000 |
2001 |
2002 |
2003 |
| Cias. Estaduais |
23 |
25,7 |
27,1 |
28,4 |
29,8 |
| Serviços
Autônomos |
2,7 |
3,3 |
4 |
4,7 |
4,7 |
| Concessionárias |
23,7 |
24,4 |
27,1 |
30,5 |
37,2 |
| Indústria |
10,1 |
13,5 |
14,9 |
16,9 |
20,3 |
| Total |
59,5 |
66,9 |
73,1 |
80,5 |
91,7 |
| Fonte: Aquamec
*Dólar a R$ 1,80 |
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