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HIGIENE INDUSTRIAL
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Tabela 1: classificação das toxinas |
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TIPO DE TOXINA |
DEFINIÇÃO |
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venenos sistêmicos |
interferem nos processos celulares, fazendo com que as células alterem suas funções ou morram, afetando os órgãos a que elas pertencem |
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| toxinas que afetam o DNA |
mutagênicos | interferem nos processos celulares, fazendo com que as células alterem suas funções ou morram, afetando os órgãos a que elas pertencem |
| carcinogênicos | podem causar danos ao DNA | |
| toxinas que afetam o sistema reprodutivo |
teratogênicos | aumentam a probabilidade da ocorrência de câncer; em geral são também mutagênicos |
| alteradores da fertilidade | causam anormalidades nos embriões | |
| toxinas que afetam sistema nervoso, produzindo alterações de comportamento |
afetam as células do sistema reprodutivo | |
| sem produzir danos nas células cerebrais, interferem nos neurotransmissores, provocando alterações de comportamento, como perda de memória, irritação, sonolência etc. |
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Os venenos sistêmicos são os mais facilmente reconhecidos. O envenenamento por esses
produtos resulta em dano geral às células de um determinado órgão, seu
alvo. Os sintomas aparecem como resultado do mau funcionamento desse órgão,
embora geralmente células de outros órgãos também sejam afetadas. O alvo
de cada veneno determina a sua denominação. Por exemplo, as toxinas que agem no fígado
são chamadas hepatotoxinas, danos no sistema nervoso são produzidos por neurotoxinas e
assim por diante. Conhecido o órgão alvo, seu monitoramento se torna
possível por meio de exames médicos. A tabela 1 detalha a classificação das toxinas.
Dos outros tipos de toxinas pode-se dizer que têm mecanismo de ação ainda mais
complexo, dificultando sua caracterização, como ocorre, por exemplo, com os produtos
mutagênicos e carcinogênicos. O estabelecimento da relação entre câncer e produtos
químicos data do século XIX, devido às observações feitas pelo médico inglês sir
Percival Potts, que notou a ocorrência de grande quantidade de casos de câncer de
próstata entre os limpadores de chaminé. Suspeitando haver algo responsável pelos
tumores na fuligem com a qual aqueles homens tinham intenso contato, propôs que se
banhassem depois do trabalho. O subseqüente sucesso de sua sugestão estabeleceu o
começo do presente entendimento da atividade carcinogênica de vários produtos
químicos.
Da mesma forma, somente quando os trabalhadores da sala de embalagem de uma fábrica de
agrotóxicos na Califórnia perceberam ter em comum problemas de fertilidade é que foi
descoberta a capacidade do dibromocloropropano de inibir a produção de espermatozóides.
Classificam-se hoje tais compostos como alteradores de fertilidade.
Outro exemplo trágico permite ilustrar a diferença do mecanismo de ação das toxinas
mutagênicas e teratogênicas nos embriões: no caso destes, o perigo existe quando uma
gestante é a eles exposta no momento em que algum órgão do embrião está se formando,
podendo interferir no seu desenvolvimento. Exposição dos pais, homem ou mulher, a um
produto teratogênico antes da concepção não tem maior significado. Mutagênicos, ao
contrário, podem causar deficiências de nascença alterando o DNA do óvulo ou do
espermatozóide antes da fertilização. Preocupações com produtos teratogênicos
também são recentes. Datam de 1960, quando a droga talidomida foi largamente prescrita a
mulheres grávidas na Europa e no Japão. Teratogênico potente, o efeito freqüentemente
causado por este composto é a má formação de braços e pernas ou muitas vezes a
completa ausência desses membros.
Quando a dose do produto tóxico é suficientemente alta de modo a danificar imediatamente
o órgão alvo, impedindo seu correto funcionamento, o indivíduo exposto
morre. Esse nível de exposição é chamado dose letal aguda e é a medida fundamental
para determinar a toxicidade de uma substância. São dados que podem ser obtidos na
literatura especializada para os mais variados produtos químicos. Devido a diferenças
constitutivas, a dose letal mínima pode variar de um indivíduo para outro. Os valores
publicados são baseados em dados estatísticos obtidos em vários estudos. De forma
geral, pode-se dizer que o estabelecimento dos parâmetros toxicológicos é muito
difícil. Por exemplo, avaliações do potencial teratogênico tem de ser feitas usando
cobaias em processo de gestação. As cobaias normalmente usadas, em geral pequenos
roedores, são muito diferentes dos humanos nos aspectos reprodutivos. Assim, a
extrapolação dos resultados de testes em animais para humanos é um dos grandes
problemas dessas determinações.