RIGOR AMBIENTAL
AUMENTA DEMANDA POR INCINERADORES



Receio com a fiscalização ambiental faz a
indústria recorrer cada vez mais aos serviços dos incineradores de resíduos perigosos.
A capacidade de queima do País, hoje por
volta de 50 mil t/aNO, está totalmente ocupada.

Divulgação                     

Image002.jpg (12259 bytes)

Incinerador da Teris: capacidade será duplicada para 7 mil t/ano

M A R C E L O    F U R T A D O

Os sete incineradores comerciais do Brasil estão operando a plena carga e quase não dão conta da demanda de cerca de 50 mil t/ano de resíduos perigosos. Concentrados em São Paulo, Rio, Bahia e Alagoas, a procura pelos serviços desses fornos rotativos e fixos para destruição de sólidos, líquidos e pastosos tem aumentado em proporção direta às exigências das leis ambientais. Diante desse quadro, vários proprietários começam a anunciar ou planejar ampliações de capacidade.

untitled-029.jpg (42729 bytes)

Até há pouco tempo um recurso adotado mais por empresas estrangeiras com políticas corporativas de meio ambiente, a incineração passou a ser uma alternativa também para os resíduos das pequenas e médias empresas. E isso por um motivo simples: as multas estratosféricas da Lei de Crimes Ambientais são suficientes para “quebrar” uma companhia de faturamento mais tímido. Mas não só a questão legal aquece o mercado. A onda de aquisições de empresas nacionais por grupos estrangeiros, mais preocupados em eliminar passivos ambientais, também exerce forte influência.

Sinal das boas perspectivas abertas para a incineração é a recente entrada de um concorrente de peso no mercado nacional com promessa de ampliar um pouco a capacidade de queima dos incineradores comerciais instalados no País. A Teris, empresa meio a meio Rhodia e Suez Lyonnaise des Eaux, desde 1o de abril tornou-se proprietária do incinerador da Ciba, em Taboão da Serra-SP, e anunciou a duplicação de sua capacidade. Com poder de queima total de 3,5 mil t/ano de sólidos e de pequeno percentual de líquidos, o equipamento recebe investimentos da ordem de R$ 10 milhões para chegar a 7 mil t/ano em menos de um ano.

      Cuca Jorge

De acordo com o diretor de novos negócios da Teris do Brasil, Elson Rodrigues, o montante investido inclui a construção de um super-laboratório de análise química para o controle de todos os resíduos incinerados. Mas ainda abrange a modernização do sistema de introdução de sólidos no forno, o aperfeiçoamento da manipulação dos produtos e o aumento da capacidade de queima de sólidos e líquidos.

foto11a.jpg (5984 bytes)

Rodrigues: investimentos de 10 milhões

 

OS INCINERADORES DE RESÍDUOS PERIGOSOS DO BRASIL

untitled-028.jpg (90223 bytes)

Fonte: Pesquisa QD

* Capacidade total está sendo ampliada para 7000 t/ano

O projeto é da alemã InterUhde e segue praticamente a mesma estrutura de quase todos os existentes no Brasil: forno rotativo para sólidos, forno fixo para líquidos, câmaras de pós-combustão, separação do material particulado, lavagem e inertização de gases. No caso da Teris, o incinerador está para ser licenciado pela Cetesb para poder queimar as polifenilas bicloradas (PCBs), o famoso ascarel, óleo isolante para transformadores elétricos. Até o momento, apenas a Cetrel, a Cinal e a Bayer podem fazer o mesmo.

Mercado precisa dobrar – Para fincar o pé no País, a Teris opera com a expectativa de expansão da demanda do mercado de resíduos industriais tratados de 160 mil t/ano (1999) para 500 mil t em 2003. Dentro desse universo, os destinados à incineração, normalmente os perigosos (com exceção de boa parte dos metais pesados), devem passar das 50 mil t para 90 mil t em 2003. Ao se levar em conta a estimativa da empresa, pode-se afirmar que há espaço para quase uma duplicação total da capacidade de queima no Brasil, atualmente estacionada nesses 50 mil t/ano.

alguns dos demais proprietários de incineradores admitem estar estudando ampliações. A Companhia Alagoas Industrial (Cinal), de Marechal Deodoro-AL, responsável pelo tratamento das utilidades da Trikem, CPC e outras empresas da região, pretende em cerca de dois anos passar a incinerar também resíduos sólidos. A Bayer, de Belford Roxo-RJ, segundo seu gerente corporativo de meio ambiente e saúde ocupacional, Miguel Spohr, também avalia alguns projetos de ampliação. As demais, se não admitem a intenção, pelo menos confirmam estar operando sob carga total. Qualquer novo anúncio em breve não soará nada estranho.

Um único possível freio para inibir planos de investimentos nessa área é a questão do custo de operação dos incineradores, considerado muito alto pelos proprietários. Cobrando preço médio oscilante de R$ 1,50 a R$ 3,00 por kg de resíduo incinerado, os “incendiários” nacionais queixam-se das margens de lucro. Exigências em demasia por parte dos órgãos ambientais e gastos naturais com manutenção são os principais fatores para encarecer o processo.

Bert Neumeier, por exemplo, gerente responsável pela operação do incinerador da Basf, em Guaratinguetá-SP, afirma que o preço cobrado pela empresa para queimar mais de 200 resíduos de 120 clientes, em 1999, apenas cobriu o custo fixo da instalação. No caso da Basf, trata-se de um forno rotativo de US$ 6,5 milhões, com projeto da matriz Basf AG e da alemã Babcock e com capacidade de queima de 2.700 t/ano de sólidos e líquidos.

O custo se eleva não só por causa das exigências dos órgãos ambientais, mas muitas vezes em razão do próprio excesso de zelo dos donos, em sua quase maioria grandes grupos internacionais. A Basf, segundo explica Neumeier, é um bom exemplo. Para controlar o processo, há câmeras de vídeo, instaladas fora do forno, que acompanham a queima por dentro. Para atender exigências da Cetesb, há ainda analisadores contínuos de chaminé e controladores de pressão, oxigênio e temperatura.

Também a Teris do Brasil revela gastos elevados com segurança. Possui dois prédios de armazenagem de produtos, dos quais um para resíduos classe 1, com sistema à prova de explosão, sistema de contenção externa e interna e proteção com splinkers nos tetos e prateleiras. Além disso, segundo ressalta o diretor Elson Rodrigues, todo esse pavilhão possui controle por circuito interno de TV e acesso eletrônico de funcionários.

 
  <<< Índice

Próxima >>>