AUTOMAÇÃO

SISTEMAS CORTAM CUSTOS E LIGAM 
FÁBRICA À DIRETORIA


REDUÇÃO DE VARIABILIDADES PERMITE OTIMIZAR OS 
PROCESSOS QUÍMICOS E RECUPERAR RENTABILIDADE, MAS
EXIGE INVESTIMENTO NOS SISTEMAS DE CONTROLE

MARCELO FAIRBANKS
Fotos: Cuca Jorge

Os investimentos em automação de processos produtivos de qualquer setor econômico devem considerar duas necessidades básicas: a melhoria contínua de qualidade, produtividade e rentabilidade das operações, bem como a comunicação imediata do chão-de-fábrica à alta direção das companhias. Apesar de óbvia, a primeira é freqüentemente negligenciada, permitindo que instrumentos de campo de baixa precisão e confiabilidade sejam colocados na linha apenas por serem mais baratos. Já a segunda, constitui o fundamento de tendência cada vez mais forte em todo o mundo: participar do e-business, os negócios via Internet.

A julgar pelas vendas de instrumentos e sistemas de controle e automação de processos no Brasil, a demanda está em fase de recuperação. “Depois do ajuste cambial, as empresas tiveram estímulo para investir na modernização de fábricas e aumentar a produção nacional, reduzindo importações”, comentou Nelson Ninin, diretor da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee) e presidente da Yokogawa América do Sul. Pelas estatísticas da Abinee, o volume de negócios da área em 2000 deve crescer 10%, perfazendo o total de R$ 600 milhões, em prognóstico conservador.
Ninim: clientes querem integração global

Para Ninin, o segundo semestre revela-se muito mais ativo para negócios que o anterior, no qual houve queda de pedidos nos meses de abril e maio, retomando o ritmo aquecido em junho. “É possível ter havido uma etapa de revisão de projetos, agora já superada”, afirmou. O dirigente setorial pondera que os recentes bons resultados de venda de produtos de consumo não se refletem necessariamente em investimentos na área produtiva, por haver capacidade ociosa a ocupar.

Da parte dos fornecedores de instrumentos e sistemas de medição, controle e automação operantes no País, a capacidade de atendimento ao mercado em ebulição é suficiente, sem sobressaltos. Para isso concorre a recente abertura de grande número de empresas qualificadas para elaborar projetos e instalar sistemas. Em geral, essas empresas foram constituídas pelo pessoal técnico especializado antes empregado pelos próprios fornecedores desses produtos, ou por seus clientes, cujos empregos foram cortados na onda da reengenharia que varreu o País nos anos 90.
Sistema moderno controla cada ponto da fábrica e troca dados com programas de ERP, superando o antigo painel

“A tendência atual de mercado respeita o desejo dos clientes de contar com um sistema global, que compreenda a fábrica e o escritório, tecnologicamente atualizado”, afirmou Ninin. Ao sentir o crescimento da tendência, a Yokogawa mundial movimentou-se para atuar como provedora de soluções tecnológicas empresariais (enterprise technology solutions, ETS). Comprou várias empresas a fim de ampliar o portfólio de produtos e serviços, atualmente contando com sensores, instrumentos de controle de processos, controladores lógico-programáveis (CLP), sistemas de segurança, programas gerenciais, controle avançado e otimização de processos entre outros. “Agora estamos entrando na tecnologia da informação (IT) que vai ser fundamental para a próxima década”, explicou. O foco recai na criação de ambiente onde os dados estejam disponíveis na mesma velocidade do e-business.

Para o dirigente, o primeiro passo deve ser dado dentro das empresas, pela implantação de sistemas ERP (enterprise resource planning). Atualmente a Yokogawa oferece sistemas de acompanhamento até o nível gerencial, dotados de drives (saída de dados) para os complexos sistemas ERP. “Já temos instalado um sistema que opera terminais de refinaria de petróleo”, comentou.

 

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