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Se depender do número de projetos em andamento ou recém-finalizados, realmente não haverá mais desculpas para a indústria infratora. Para os resíduos classe 1 – os perigosos por serem inflamáveis, tóxicos, patogênicos, reativos ou corrosivos –, há dois novos aterros especiais em fase final de licenciamento em São Paulo e outro em Vitória, no Espírito Santo, inaugurado em agosto. Além disso, os aterros mais antigos passam por uma fase de diversificação de serviços e aperfeiçoamento de seus sistemas de pré-tratamento. Quando se fala no co-processamento, também mais voltado para o classe 1 (gerado no País em cerca de 3 milhões de t/ano), a entrada de grandes grupos internacionais dá o tom nos investimentos. Para começar pela destinação em aterros, o destaque fica por conta dos projetos da Sasa, de Tremembé-SP, e da Cavo, do grupo Camargo Corrêa, em Caieiras-SP, ambos em operação até meados de 2001. O primeiro, pertencente ao grupo norte-americano Waste Management International, deve começar a receber resíduos depois de março do próximo ano. Fundado por grupo nacional (Irmãos Borlenghi) para receber areia de fundição da Ford e lixo domiciliar, a conclusão do chamado aterro número 4 (classe 1) é a parte final de um investimento de US$ 14 milhões, iniciado com a compra da Sasa pelos americanos em 1996.
Construída entre janeiro de 1999 e julho de 2000, período no qual foram removidos 150 mil m³ de terra, a célula da Sasa, com cerca de 15 metros de profundidade, comporta 350 mil m³ de resíduos, o que lhe garante vida útil próxima a 20 anos. Por não possuir cobertura fixa, o projeto contempla ainda um sistema de bombeamento e tratamento do chorume gerado pela chuva e pelo próprio resíduo, nos moldes dos outros aterros do site para classe 2 (resíduos não inertes), 3 (inertes) e doméstico. Todo o chorume é bombeado para tanques para posterior tratamento em estação e a água limpa segue para uma lagoa de decantação para reaproveitamento. Outro cuidado mais urgente para evitar lixiviação é não dispor os resíduos quando houver chuva, momento no qual ficam armazenados em galpão apropriado. Além disso, a partir de janeiro, o chorume de todos os aterros, inclusive os do classe 1, passarão por um evaporador que será alimentado pelo biogás do aterro doméstico, hoje canalizado mas queimado em um flaire. Depois de evaporado, os resíduos da emissão passam por uma pós-queima.
Quando dispostos no aterro, os resíduos permanecem cobertos com lona e/ou argila, mas a proteção mais diferenciada da célula, segundo o superintendente Palma, é ainda a sua impermeabilização. “Nosso sistema, por seguir a política global da matriz, supera a norma de aterros para classe 1”, diz. Além das duas camadas de lâminas de PEAD (uma superior de 2 mm e outra inferior de 1,5 mm), o chamado “sanduíche do revestimento” contempla entre elas uma manta de bentonita para detecção de fuga. No caso de vazamento de chorume em algum ponto da camada de PEAD superior, pelo contato do líquido com a bentonita esta “incha” no local e veda o pequeno rasgo temporariamente. Ao ser pressionado pela manta, o chorume segue para uma camada de tecido geotêxtil, colocado acima do PEAD e abaixo de um colchão drenante de pedra. No tecido, o líquido é drenado até um ponto de leitura, onde aciona-se um alarme. De acordo com Palma, outra determinação da matriz é importar, tanto a manta de polietileno como a bentonítica, da companhia também americana National Seal Company (NSC). Para a instalação das mantas foi encarregada uma empresa credenciada, a argentina Sicsa. Segundo o superintendente, os testes de controle de contenção exigidos pela NSC são mais rigorosos do que os da Cetesb. No Brasil, explica Palma, só se exigem testes pneumáticos, nos quais se avaliam possíveis vazamentos por meio da injeção de ar, ou por sistemas elétricos. Já os da NSC são feitos por tração e descolamento, nos quais os técnicos retiram amostras das mantas em seus pontos de cola (por termoformagem) para a realização de testes de resistência mecânica em bancada. |
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