Energia preocupa – As compensações do mercado do cloro, porém, não devem ser encaradas de forma muito otimista. A se estender por muitos anos, o déficit energético vai realmente colocar em risco a competitividade da soda-cloro nacional. E isso justo nas vésperas de uma prevista baixa oferta mundial, visto que para os próximos anos não haverá ampliações de peso. Projetos novos apenas acrescentarão 500 mil t na capacidade mundial em 2001 e mais 250 mil t em 2002, insuficientes para o crescimento da demanda anual estimada por volta de 800 mil t a 1,2 milhão t de cloro.

“Os produtores de soda-cloro, assim como toda a sociedade, devem passar por um processo longo e doloroso de racionalização de energia, pior do que o até então anunciado pelo governo”, prevê o diretor-executivo da Abiclor, Martim Afonso Penna. Considerado grande consumidor de energia, com demanda por volta de 640 megawatts (MW), equivalente a quase 2% do total do País, o setor se ressente dos investimentos não feitos pelo governo. Isso não só em geração como em transmissão. Para Afonso Penna, por falta de rede de transmissão com capacidade suficiente, a geradora do Rio Grande do Sul (Gerasul) deixa de verter para o resto do País um excedente de 1.000 MW. “Essa energia seria suficiente para quase triplicar o setor inteiro”, compara o diretor.

Mas, deixando os ressentimentos de lado, a Abiclor pretende encabeçar junto aos associados um programa de ajuda à racionalização de energia proposta pelo governo. Apesar de a tecnologia mais empregada no País, a das células eletrolíticas de diafragma (72%), não ter muita flexibilidade para modular a carga de produção, outras medidas devem ser empregadas. De acordo com o diretor-executivo, uma delas pode ser a antecipação de paradas. Antes com manutenções programadas para o final do ano, algumas associadas podem adiantar o cronograma para o período mais crítico de estiagem, compreendido entre abril e outubro.

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Unidade da Trikem em Maceió: células trocadas para reduzir o consumo

Outras medidas de economia de energia, já em andamento no setor, não são tão maleáveis, mas fruto da falta de opção para investir em ampliações. O caso mais notório vem da maior produtora latino-americana, a Trikem, do grupo OPP, com unidade instalada em Maceió-AL. Com demanda energética contratada de 170 MW, ou seja, a mesma de toda a capital alagoana, a Trikem teve um pedido de aumento de fornecimento de 10% negado pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). A produtora não encontrou outra alternativa senão partir para projetos de investimento em tecnologia para redução de consumo energético.

Células melhoram – A saída para a Trikem foi modernizar suas células de diafragma de amianto, já um pouco abaladas pelos seus 30 anos de operação. Para tanto, contratou-se uma empresa americana especializada em equipamentos eletroquímicos, a Eltech, que transferiu tecnologia nova de catodos (pólo negativo para onde migra o sódio do sal para produzir a soda) e anodos (pólo positivo que atrai os ânions cloro da eletrólise da salmoura), com eficiência energética capaz de reduzir o consumo por célula em até 10%. 

Além desses sistemas concebidos com engenharia interna com menor tensão da corrente elétrica, as novas células operam com um diafragma de amianto diferenciado (SM-2), aglomerado com polímeros fluorados, hoje adotado pela maioria das unidades de diafragma no mundo.

“A união desse amianto com os catodos e as bases anódicas é a responsável pelo ganho de energia”, explica o diretor do escritório brasileiro da Eltech, Paulo Vaz. Para produzir as novas células, a um ritmo de 15 unidades por mês, a tecnologia da Eltech foi transferida para uma empresa de Maceió-AL, a Montec Montagem Técnica. As bases anódicas são importadas prontas dos EUA e as catódicas, produzidas no Brasil. Fruto de investimento de R$ 20 milhões, o plano é garantir a conversão das 454 células da Trikem em quatro anos. Por enquanto, quase 30 células foram substituídas.


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