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Energia preocupa – As compensações do mercado do cloro, porém,
não devem ser encaradas de forma muito otimista. A se estender por
muitos anos, o déficit energético vai realmente colocar em risco a
competitividade da soda-cloro nacional. E isso justo nas vésperas de
uma prevista baixa oferta mundial, visto que para os próximos anos não
haverá ampliações de peso. Projetos novos apenas acrescentarão 500
mil t na capacidade mundial em 2001 e mais 250 mil t em 2002,
insuficientes para o crescimento da demanda anual estimada por volta de
800 mil t a 1,2 milhão t de cloro.
“Os produtores de soda-cloro, assim como toda a sociedade, devem
passar por um processo longo e doloroso de racionalização de energia,
pior do que o até então anunciado pelo governo”, prevê o
diretor-executivo da Abiclor, Martim Afonso Penna. Considerado grande
consumidor de energia, com demanda por volta de 640 megawatts (MW),
equivalente a quase 2% do total do País, o setor se ressente dos
investimentos não feitos pelo governo. Isso não só em geração como
em transmissão. Para Afonso Penna, por falta de rede de transmissão
com capacidade suficiente, a geradora do Rio Grande do Sul (Gerasul)
deixa de verter para o resto do País um excedente de 1.000 MW. “Essa
energia seria suficiente para quase triplicar o setor inteiro”,
compara o diretor.
Outras medidas de economia de energia, já em andamento no setor, não
são tão maleáveis, mas fruto da falta de opção para investir em
ampliações. O caso mais notório vem da maior produtora
latino-americana, a Trikem, do grupo OPP, com unidade instalada em
Maceió-AL. Com demanda energética contratada de 170 MW, ou seja, a
mesma de toda a capital alagoana, a Trikem teve um pedido de aumento de
fornecimento de 10% negado pela Companhia Hidroelétrica do São
Francisco (Chesf). A produtora não encontrou outra alternativa senão
partir para projetos de investimento em tecnologia para redução de
consumo energético.
“A união desse amianto com os catodos e as bases anódicas é a
responsável pelo ganho de energia”, explica o diretor do escritório
brasileiro da Eltech, Paulo Vaz. Para produzir as novas células, a um
ritmo de 15 unidades por mês, a tecnologia da Eltech foi transferida
para uma empresa de Maceió-AL, a Montec Montagem Técnica. As bases
anódicas são importadas prontas dos EUA e as catódicas, produzidas no
Brasil. Fruto de investimento de R$ 20 milhões, o plano é garantir a
conversão das 454 células da Trikem em quatro anos. Por enquanto,
quase 30 células foram substituídas.
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