Custo preocupa – Além de tirar proveito do dinâmico mercado nacional de embalagens, a produção local da Rohm and Haas minimiza um pouco o alto custo atual da produção dos adesivos, dependente de muitos insumos importados. 

Desde a alta do petróleo, há casos de aumentos de matérias-primas superiores a 70%, como em muitos solventes e intermediários acrílicos. No exemplo específico do monômero acetato de vinila, componente principal para a fabricação dos adesivos vinílicos de PVA, de hot-melts e de várias dispersões, a alta do preço em dólar desde maio de 2000 até maio de 2001 chegou a 11,8%. 

Cuca Jorge

Hot-melts da Henkel: embalagens são fundidas junto com o adesivo

Acrescida à desvalorização do câmbio em reais, resultou em aumento de 29%. E nem com a produção local da Union Carbide é possível compensar as perdas das importações, pois a detentora do monopólio cobra preço igual ao internacional (com o valor das alíquotas agregado).

Cuca Jorge Outros investimentos anteriores aos da Rohm and Haas também conseguiram compensar um pouco o custo encarecido com a desvalorização cambial, beneficiando-se sobretudo de economias de escala. O melhor exemplo é o da Henkel, maior produtora mundial de adesivos, que investiu US$ 4 milhões em dois projetos para produção de hot-melts de embalagens também em Jacareí, o primeiro finalizado em outubro de 1999 e o seguinte, em fevereiro de 2000. “Se não fosse a expansão, o impacto do aumento de custo de produção de até 70% teria sido pior”, diz Sérgio Redondo, gerente regional de vendas da divisão de adesivos industriais.
Redondo: investimentos minimizaram a crise

Com produção total de 5 mil t/ano de hot-melts em 2001, a primeira etapa do projeto foi para ampliar os granulados tipo Gala, indicados para cartões e cartolinas. A segunda fase expandiu e modernizou a linha dos base borracha PSA, voltados para fraldas e absorventes descartáveis. Este último tem a peculiaridade de ser revestido com um filme plástico compatível com a formulação do hot-melt de borracha, permitindo que o adesivo seja fundido com a embalagem no coleiro (equipamento usado para fundir a 160ºC o adesivo sólido para aplicação posterior por sistemas de mangueiras e bicos). “Antes o adesivo vinha embalado em cartões de papelão revestidos com silicone, que precisavam ser retirados e depois descartados”, diz Redondo.

A divisão de embalagens para alimentos da Henkel Adesivos Industriais (que ainda atua, de forma segmentada, na áreas de montagens de contêineres, cabos e fibras, e na indústria gráfica e de laminação) é a mais importante para a empresa. Além do dinamismo dos clientes, um dos motivos principais, de acordo com o gerente regional da Henkel, é em razão de as embalagens serem grandes consumidoras de hot-melt, um dos adesivos de maior potencial no mercado. “Por serem 100% sólidos, os custos de frete, armazenagem e de seguros são muito mais competitivos em relação aos solúveis”, diz. 

Além dos hot-melts, a divisão também produz cerca de 3 mil t/ano de adesivo pastoso de caseína, extraído de proteína do leite importada da Europa. Volta-se para rotulagem de garrafas de vidro de vinho, cerveja e destilados. Embora bem diferente de alimento, o mercado de cigarros também é atendido pela divisão, visto que suas exigências organolépticas são rigorosas da mesma forma. Para esse mercado, a Henkel produz 1.500 t/ano de dispersões de EVA. Também desse polímero em breve passará a produzir hot-melts especiais para embalagens de alimentos super congelados, que suportam temperaturas de -30ºC e se compatibilizam com revestimentos coating e de filmes de polietileno. Por enquanto, a Henkel só importa esses produtos.

Crescimento rápido – O setor correspondente a embalagens, conversão de papel e de cigarros corresponde a cerca de 25% da demanda total de adesivos no País, segundo pesquisa da EcoPlan Consultoria de 1997. Em franca expansão, vem atraindo o interesse de outras empresas, como a Alba Química, que até então se centrava mais nos segmentos de colas de consumo, construção, madeira e moveleiro. Há cerca de três anos, a empresa criou uma divisão de embalagens e indústria gráfica que hoje já corresponde a cerca de 25% do faturamento de sua divisão de adesivos vinílicos industriais.



 
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