MOBILIÁRIO

SETOR MOVELEIRO AGREGA VALOR AO LABORATÓRIO

Fabricantes procuram atender necessidades dos setores químico, físico e biológico e tentam dar maior funcionalidade às peças do mobiliário, que deverão ser adaptáveis ao biotipo do usuário

RENATA PACHIONE

Cuca Jorge
Empresas se preocupam em usar materiais duráveis na fabricação
Cuca Jorge


Fabricantes de mobiliário para laboratórios químicos, físicos e biológicos movimentam o mercado, apostando em novos materiais e conceitos. A idéia-chave é unir o layout diferenciado à funcionalidade das peças. A partir dessa estratégia, a indústria de mobiliário se mune de vantagem competitiva frente à concorrência. Segundo técnicos do setor, os laboratórios são vistos como o cartão de visitas das empresas e por isso, quem não tiver condições de oferecer esse diferencial ao cliente perde fatias significativas do mercado. 

Na tentativa de atender essa necessidade, os fabricantes aperfeiçoam as principais peças do mobiliário: bancadas, castelos (prateleiras sobre as bancadas), capela, chuveiro, lava-olhos de emergência, coifas e mesas para balanças, utilizando novas tecnologias e materiais. 


Em prol da ampliação da área física dos laboratórios da divisão química de cosméticos da Clariant, a empresa os está renovando. “Esse espaço funciona como a interface entre o cliente e o produto”, afirmou o químico da Clariant Marcelo Belechuk. A idéia, de acordo com ele, é aproveitar essa reforma para mudar a ergonomia do mobiliário, evitando a má postura do usuário e lesões por esforços repetitivos (LER). 
Cuca Jorge
Belechuk: reforma para mudar ergonomia e evitar má postura e LER

Esse cuidado vai ao encontro dos dados do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Química, Farmacêutica, Plástica e Similares de São Paulo. Segundo a médica do trabalho Margarida Barreto, nos últimos anos, o sindicato registrou 2.766 ocorrências de doenças profissionais, das quais 80% são referentes à LER. Primeiro lugar entre as patologias, essa lesão é seguida por doenças na coluna, como hérnia de disco, pela perda auditiva induzida por ruídos, e pela asma ocupacional, devido à ação de agentes químicos.

Para mudar esse quadro, no entanto, Margarida aponta uma única solução: mudanças na organização das empresas. Conforme explicou, é importante alterar o mobiliário do laboratório, a fim de melhorar as condições de trabalho do funcionário. Porém só isso não basta, pois o problema está mais relacionado à sobrecarga de trabalho do que à estética e à estrutura do laboratório. “O trabalhador sofre muita pressão para aumentar a produção”, alertou Margarida.


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