GUERRA DE PREÇOS ATRASA
EVOLUÇÃO DOS HOT-MELTS


Ainda considerado imaturo em termos de tecnologia, e passando por uma fase de baixos preços que prejudica sua qualidade final, mercado de hot-melts ainda tem muito a se  desenvolver no Brasil


MARCELO FURTADO

Os fornecedores de adesivos hot-melt contam com a imaturidade do mercado consumidor brasileiro para prever um futuro animador. Isso porque várias tecnologias disponíveis há muito tempo no Exterior ainda não foram devidamente difundidas no Brasil, criando expectativas para o desenvolvimento de muitos novos mercados. Esse gap, resultado direto da ainda recente abertura comercial, pode ser reduzido com o lançamento de adesivos com polímeros diferenciados, que ampliam e melhoram a aplicação dos hot-melts, e com o aprimoramento das formulações dos convencionais base EVA, considerados por muitos como de qualidade intermediária no País.
Fonte: Ecoplan e Henkel



Esse clima latente faz parte do cotidiano das principais empresas do ramo. A maior parte de origem estrangeira, com vasto portfólio de produtos em suas matrizes, essas companhias tentam aos poucos introduzir novos conceitos de tecnologia. Aliás, não se trata aí de trabalho dos mais fáceis. Joga contra a tendência de desenvolver novos mercados a mania imediatista dos clientes de preferir hot-melts mais baratos, mesmo que limitem suas aplicações ou coloquem em risco a imagem desses versáteis adesivos termofundíveis, 100% sólidos e isentos de solventes.



Um exemplo marcante da espécie de “cruzada” para modernizar a demanda de hot-melts no Brasil está ocorrendo para atender o mercado gráfico, de modo especial na aplicação de encadernação (bookbinding) de livros e revistas. Vários fornecedores tentam incentivar a migração dos hot-melts EVA para os de poliuretano reativo (PUR), mais resistentes para manter coladas as folhas de publicações com as chamadas lombadas quadradas.


Uma série de vantagens técnicas do PUR sobre o EVA não só prolongam a vida útil da adesão das lombadas como tornam-na mais eficiente. Também possui resistência a temperaturas bem mais elevadas, de até 90ºC, contra até 50ºC dos adesivos convencionais. No oposto, ou seja, na resistência a frio, o PUR também tem desempenho superior: não se torna quebradiço, nem cria ranhuras quando abaixo da temperatura de congelamento, como ocorre no EVA. Além disso, o poliuretano possui característica de flexibilidade de elongação bastante superior, permitindo a aplicação de camadas com espessuras menores mas com propriedades mecânicas aprimoradas.

Cuca Jorge

Balde com o hot-melt de PU da Henkel


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