MARCELO FAIRBANKS

Apoiado pelas vantagens de redução de custos e melhoria da qualidade, o setor de automação industrial ignora crises. Até a ameaça de apagão, sofrida no ano passado, trouxe novos negócios nos modernos acionamentos elétricos, menos vorazes no consumo de energia, e também nos sistemas de desligamento seguro de fábricas em situação de emergência.

A tônica do trabalho dos fornecedores se concentra na integração dos níveis operacionais e gerenciais, implicando negociações de sistemas completos no lugar das cotações feitas peça a peça. Interessante notar essa tendência no exato momento em que os protocolos de comunicação entre dispositivos de campo e sistemas de controle aparentam ter alcançado uma padronização. Pontificam as linhas Foundation Fieldbus, em especial no mercado norte-americano, e a Profibus, no europeu, com alguns adeptos do Hart espalhados pelo mundo. Em tese, a existência da “linguagem comum” facilitaria a interconectividade entre instrumentos e sistemas de vários fornecedores. Na prática, por facilidade de negociação ou por falta de corpo técnico do comprador, enxugado em alguma rodada de reengenharia corporativa, prevalecem as vendas de conjuntos, do campo à gerência.

Combinando os avanços de instrumentos de campo, programas e sistemas de comunicação de dados, é possível oferecer mais benefícios aos usuários. Antigamente os grandes painéis das salas de controle reuniam dados sobre as principais variáveis de processo. Hoje as estações de trabalho coletam esses dados, além de acompanhar o desempenho dos principais equipamentos de processo, instruindo intervenções de manutenção, e também monitoram o funcionamento da instrumentação, podendo detectar anomalias. A quantidade de informação gerada no campo é tão grande que exige programas específicos para facilitar o seu manuseio, gerando bancos de dados a partir dos quais se emitem relatórios diversos, tanto para os níveis de controle e operação, quanto para os setores gerenciais. Daí por diante torna-se possível concretizar o sonho atual de qualquer empresário: integrar-se aos fornecedores e com os clientes via internet. 

Cuca Jorge

Monteiro: tecnologia da informação integra todos os níveis

“Os paradigmas do mercado de automação industrial estão mudando”, afirmou Wilson Monteiro, gerente geral para as áreas de petróleo, química e farmacêutica da divisão de indústrias de processos da ABB Ltda. As discussões clássicas do tipo digital versus analógico e controlador lógico-programável (CLP) versus sistema digital de controle distribuído (SDCD) já foram superadas, dando lugar para a oferta de serviços mais eficientes. “O cliente não quer saber o que tem dentro do sistema, quer que funcione bem, e com com o menor custo possível”, afirmou. 

“Os clientes pedem soluções completas, do chão-de-fábrica ao controle de processos e também para gerência de informações e ligação com os sistemas corporativos”, disse José Natalino P. Neto, gerente comercial de automação industrial da Yokogawa América do Sul.  Cuca Jorge
Natalino: sistema Stardom beneficia clientes de pequeno porte

Ele confirma a preferência dos clientes por propostas completas de sistemas, mas alerta para o fato de a maior parte dos negócios no Brasil se referir à modernização ou à ampliação de unidades. “É preciso aproveitar os instrumentos já instalados, daí a necessidade de contar com sistemas que permitam intercâmbio de informações e comandos”, comentou. Os resultados de 2001 apresentaram crescimento de 20% sobre o ano anterior, em parte explicados pela grande demanda de instrumentos de campo por parte da Petrobrás, principalmente na área de refino e de transporte (dutos). “Estimamos ter atendido de 25% a 30% dos negócios com sistemas de controle do Brasil em 2001”, afirmou Natalino. Para 2002, a expectativa da empresa é ampliar em mais 15% suas vendas, com base em moeda estável (US$).

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