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PETROQUÍMICA

CENTRAL PAULISTA FAZ ANIVERSÁRIO
COMEMORANDO RECORDE DE PRODUÇÃO ININTERRUPTA E SE PREPARA PARA AMPLIAR
EM 25% SUA CAPACIDADE DE ETENO
MARCELO FAIRBANKS
A
Petroquímica União (PqU), primeira central de matérias-primas
petroquímicas do Brasil, completa em 15 de junho trinta anos de
operação. A efeméride tem motivo adicional para comemoração: o
recorde de seis anos de produção ininterrupta. O período da campanha atual começou em meados de 1996, quando foi realizado o último desengargalamento (DBN-2), mediante o qual chegou-se à capacidade de 500 mil t/ano de eteno. O recorde será interrompido para se efetuar a 15a Parada Geral de Manutenção, marcada para 27 de julho, com previsão de durar 24 dias.
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| Fonte: PqU |
“Chegar a essa idade com esse índice de continuidade operacional é
brilhante”, disse o diretor-superintendente da PqU Wilson Koji Matsumoto. Ele atribui o resultado aos esforços
empreendidos por todos os funcionários da companhia, que suportaram as
transformações havidas durante as três décadas de trabalho. Basta lembrar que a PqU nasceu na iniciativa privada, sob a liderança do grupo Soares Sampaio, na época também proprietário da vizinha Refinaria União. Já nos primeiros anos de operação, seu controle passou ao poder estatal, tendo retornado à
iniciativa privada apenas em 1994, depois de um leilão conduzido pelo BNDES, dentro do Plano Nacional de
Desestatização.
Sob controle estatal, a PqU teve congelada a capacidade produtiva ao máximo de 360 mil t/ano de eteno, enquanto foram construídas e ampliadas as centrais petroquímicas da Bahia (Copene) e do Rio Grande do Sul (Copesul). Agora, a empresa quer incrementar em 25% a capacidade atual de produção eteno, chegando a 630 mil t/ano, a partir de gases residuais das refinarias da Petrobrás na região. O investimento, avaliado
preliminarmente em US$ 100 milhões está em fase de engenharia básica, a cargo do Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes),
enquanto se inicia o trabalho para obter a licença ambiental prévia. O prazo estimado para entrada em operação varia de 24 a 30 meses.
Lucro em 2001 – Apesar da crise de energia e do colapso econômico da Argentina, que afetaram toda a atividade industrial brasileira, a Petroquímica União fechou o balanço de 2001 com lucro líquido de R$ 80,2 milhões.
| Cuca Jorge |
“Em face da conjuntura, o resultado foi muito bom”, considerou Wilson Matsumoto. Todo o setor petroquímico viveu ano difícil, com a retração da economia mundial, gerando excedentes de
produtos, que passaram a ser vendidos a preços aviltados. Ao mesmo tempo, o principal insumo do setor, a nafta, apresentou alta nas cotações
internacionais, com reflexos amplificados no Brasil por causa da variação cambial. |
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| Matsumoto: venda de gasolina não é mina de
ouro |
A desvalorização do Real poderia ter apresentado efeitos mais graves nas contas da PqU, não fosse a saudável providência, tomada ainda em 1999, de resgatar a dívida em moeda estrangeira, superior a US$ 60 milhões, além das debêntures emitidas para custear a DBN-2. “O baixo endividamento explica a diferença dos resultados da PqU e os das congêneres”, comentou. O diretor-superintendente recomenda cautela na análise dessa informação, capaz de conduzir à conclusão de que seria melhor evitar investimentos no setor. “Nas condições do ano passado, quem não investiu lucrou mais, mas, no longo prazo, é necessário investir e, para isso, contrair dívidas”, explicou.
A própria PqU se prepara para ampliar em 25% sua capacidade de produção. “Pode parecer modesto o acréscimo, mas ele aproveita bem os fatores, fato essencial em uma indústria de capital intensivo, além de manter a empresa competitiva”, explicou. Essa característica, além da sintonia com o mercado consumidor, precisa ser levada em conta em qualquer novo
investimento do setor.
Em termos estratégicos, Matsumoto identifica a integração entre a PqU e a Rio Polímeros, em construção no Rio de Janeiro pela Petrobrás, Suzano e Unipar, também presentes no quadro de
acionistas da central paulista. Face à necessidade de harmonizar as posições dos demais acionistas da PqU, “essa união talvez seja o caminho para o setor no Brasil”, disse. Tal movimento reflete a origem da Braskem a partir dos ativos da Copene e empresas de segunda geração de Camaçari-BA, que apresenta fortes laços com a petroquímica gaúcha. “A Braskem é o referencial macro do setor”, afirmou.
Quanto às expectativas para 2002, Matsumoto se vale das análises de especialistas internacionais, indicadoras de uma recuperação discreta da atividade econômica. “O ano começou ruim, mas deve melhorar, principalmente no segundo semestre, com perfil inverso ao do ano passado”, prognosticou. Ele espera uma recomposição das margens de lucro do setor petroquímico, desde que os preços internacionais do petróleo se acomodem por volta de US$ 22 por barril. “A demanda de óleo deve cair durante o verão do Hemisfério Norte”, afirmou.
No caso específico da primeira geração petroquímica, Matsumoto aponta como crítico o índice mundial de ocupação da capacidade produtiva de eteno, atualmente por volta de 85%. “Esse índice é muito baixo, quer dizer que as margens estão ruins e que as chances de o Brasil exportar
petroquímicos são pequenas”, comentou. É preciso considerar também o impacto econômico da parada de manutenção, com redução de 24 dias de faturamento. “Os custos financeiros da operação já estão equacionados e devem ser
amortizados em dois ou três anos”, informou.
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