OFERTA MAIOR ALTERA O
MERCADO DO NEGRO-DE-FUMO



FÁBRICA NOVA VAI COLOCAR MAIS 50 MIL T/ANO DO PIGMENTO  NO MERCADO BRASILEIRO, ACIRRANDO A DISPUTA ENTRE FORNECEDORES, PROMETE REDUZIR IMPORTAÇÕES E AMPLIAR VENDAS AO EXTERIOR


Hamilton Almeida

A primeira fábrica de negro-de-fumo da Degussa na América do Sul, prevista para entrar em operação entre os meses de julho e setembro, promete sacudir o mercado brasileiro, que movimenta ao redor de 250 mil toneladas/ano. Com um investimento da ordem de US$ 60 milhões, o grupo alemão está construindo em Paulínia-SP uma unidade moderna com capacidade inicial de produção de 50 mil t/ano. 

A entrada do novo competidor no mercado - ao lado dos gigantes Cabot e Columbian Chemicals - já vinha sendo sinalizada há três anos, quando a Degussa, num trabalho de pré-marke-ting, começou a comercializar negro-de-fumo no País, importando o produto das suas fábricas na Europa (Holanda e Alemanha) e Estados Unidos. Segundo Eraldo Pereira, gerente de negócios, a empresa está vendendo uma média mensal de 1.000 a 1.500 t, que são destinadas basicamente aos segmentos de borracha e pigmentos. 

“A decisão de construir a planta no Brasil foi tomada há seis anos”, revela o executivo. Nessa decisão, pesou o fato do Brasil comprar no exterior uma média de 30 mil a 40 mil t/ano e o desejo da empresa ter uma fábrica na América do Sul. A escolha de Paulínia é estratégica.  Cuca Jorge
Pereira: tecnologia moderna tem baixo impacto ambiental

A futura unidade estará próxima à Replan, que produz o RARO, resíduo aromático de baixo teor de enxofre utilizado na produção de negro-de-fumo. A matéria-prima chegará por meio de dutos, evitando-se, assim, a circulação de caminhão pelas estradas. A fábrica também estará localizada próxima de grande parte dos clientes da empresa e de centros de excelência como a Universidade de Campinas (Unicamp). As obras começaram em outubro de 2000. 

A unidade, de 270 mil m², vai gerar 140 postos de trabalho diretos e indiretos. “Numa segunda etapa, teremos condições de atender outros mercados regionais”, antecipa Pereira, de olho nas economias dos países do Continente. “O projeto da fábrica de Paulínia contempla espaço disponível para até dobrar a capacidade de produção, em módulos de 20 mil a 25 mil t.” Essa unidade é, na verdade, a primeira fábrica de negro de fumo construída pela Degussa. Todas as demais 18 plantas que a corporação possui espalhadas pelo mundo (6 nos Estados Unidos, 2 na Alemanha e na Coréia do Sul, e uma na África do Sul, França, Itália, Holanda, Suécia, China, Portugal e Polônia) foram adquiridas de terceiros. 

Divulgação
Fábrica da Degussa em Paulínia-SP inicia produção no segundo semestre

Outra vantagem da nova fábrica, segundo Pereira, é que a sua tecnologia reúne o que há de melhor nas experiências da Degussa. Utilizará os mais sofisticados controles eletrônicos para o processo, tanto em termos de qualidade e eficiência, como em proteção ao meio ambiente. A empresa está instalando flares com “a melhor tecnologia de controle disponível (BACT)”. Estes flares têm uma eficiência de conversão e de queima de 98% do gás residual. 

Pereira revela que a unidade possivelmente irá produzir dois novos tipos de negro de fumo. Utilizado na fabricação de perfis automotivos, o purex é uma tecnologia nova que está entrando no País e melhora a produtividade e o acabamento da peça. Em algumas aplicações, também substitui o N550. 

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