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PETROQUÍMICA

ELEKEIROZ VAI ATUALIZAR A CIQUINE

Leilão realizado no dia 8 de maio desatou mais um “nó” das participações cruzadas entre empresas petroquímicas brasileiras. A Elekeiroz, empresa do grupo Itaú, arrematou a totalidade das ações do capital da Econômico S.A. Empreendimentos Petroquímicos (Esae), por R$ 14.265.573,24. Para completar o lance, a adquirente foi obrigada a resgatar um crédito decorrente de mútuo entre a Esae e sua controladora integral, o Banco Econômico S.A. (em fase de liquidação extrajudicial), no valor de R$ 6.419.326,76. 

No acervo da Esae constam 3,68% do total de ações emitidas pela Ciquine Cia. Petroquímica, maior produtora nacional de álcoois sintéticos e plastificantes. Além disso, a Esae detém 56,32% do capital total (63,82% do capital votante) da holding Conepar que possui 87,89% do capital votante da Ciquine.

Ocorre que o edital do leilão, organizado pela Banco Central, já na segunda tentativa – a primeira, realizada em 2001, foi abandonada pelos interessados por causa do elevado preço mínimo estabelecido (na casa dos R$ 60 milhões) –, previa que o arrematante adquirisse também a participação de 11,76% do capital total da Conepar em poder do BNDES, por valor proporcional ao do lance vencedor. Essa operação foi realizada concomitantemente. Já a Odebrecht, detentora de 31,92% do capital total (36,18% do votante) da Conepar, sem ter direito ao tag along, conseguiu medida liminar judicial para que sua participação na holding fosse adquirida nas mesmas condições estipuladas pelo BNDES. A empresa não exerceu seu direito de venda até o final do leilão, mas em momento posterior. 
“Decidimos comprar a participação da Odebrecht com base no valor pago pelas ações da Esae, voluntariamente, e deixamos para discutir em foro adequado eventuais diferenças de valor pretendidas por eles”, explicou o diretor-superintendente da Elekeiroz, Reinaldo Rubbi. “Afinal, temos vários negócios e interesses comuns, não desejamos comprometer o nosso bom relacionamento.”

O superintendente confirmou que a Elekeiroz fará oferta pública para aquisição do capital ordinário da Ciquine em poder de terceiros, necessitando para tanto de aprovação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por se tratar de empresa de capital aberto. O valor proposto para a operação, pendente de análise da CVM, é de 80% dos R$ 14, 265 milhões pagos pela Esae.

Nova Ciquine – A unificação das empresas não está na pauta da Elekeiroz, pelo menos nos próximos dois anos. “Temos alguns negócios coincidentes, como o anidrido ftálico e os plastificantes, outros complementares, nos álcoois, e outros ainda totalmente diferentes, como o bissulfeto de carbono, anidrido maléico e ácido sulfúrico”, explicou Rubbi. 

Segundo explicou, a 
Ciquine só produz os álcoois butílico e etilexílico e se concentra nos plastificantes ftálicos com eles produzidos (DBP, DIBP e DOP), classificados como commoditites. Além destes, a Elekeiroz oferece ao mercado produtos especiais, como o dioctil maleato (DOM).
Cuca Jorge
Rubbi: concorrentes terão acesso garantido aos álcoois

“Nosso primeiro trabalho será tornar mais racionais as operações, coordenando operações administrativas e comerciais, além de implantar a política de qualidade e segurança, pelas técnicas de 5S e normas ISO 9000, com investimentos em automação industrial”, afirmou. “Pretendemos manter quase todos os funcionários da Ciquine, só dispensaremos quem não quiser ficar ou não se adaptar às nossas políticas internas.”

Reiterando o respeito ao corpo de profissionais da Ciquine, Rubbi salientou o fato de a empresa não receber investimentos significativos há sete anos. “A produção não é totalmente confiável, nem em qualidade, nem em garantia de suprimento aos clientes”, disse. Tendo conduzido trabalho análogo na Elekeiroz, Rubbi espera “deixar a casa em ordem” no prazo de três anos.

As primeiras providências, para tanto, devem consumir R$ 50 milhões. A idéia é aproveitar ao máximo os ativos existentes, modernizando as tecnologias de processo, controle e segurança. “Vamos eliminar gargalos, vai demorar para falarmos em expansão de capacidades”, afirmou. E quando vier a expansão, ela será feita com tecnologia inovadora, no estado da arte mundial.

Após a fase de modernização da planta baiana, a intenção é aproveitar os seus reatores, de grande porte, para produzir commodities plastificantes (DOP, DIBP, DBP), deixando os produtos especiais, de menor volume, para os reatores de Várzea Paulista-SP. O destino da fábrica da Ciquine em Taubaté-SP é incerto. “Essa fábrica consome anidrido ftálico da Bahia, que pode ser suprido pela Elekeiroz a custo logístico menor”, informou. Para ele, o ideal seria transferir pessoal e equipamentos desse sítio, ou para Várzea Paulista, ou para Camaçari. A logística dos plastificantes também deverá mudar, pois não haverá mais sentido em atender clientes do Sul-Sudeste com produtos vindos de Camaçari, nem deslocar parte da produção paulista de plastificantes para atender clientes no Nordeste. “Para isso, a qualidade dos produtos precisa ser rigorosamente igual”, afirmou.

A produção de álcoois é vital para o empreendimento, por ser o único produtor regional. “A Elekeiroz deixou de fazer o butanol em Pernambuco quando firmou contrato de fornecimento com a própria Ciquine”, comentou Rubbi. Ele informou que a escala mundial mínima para uma nova linha de álcoois deve ser de 150 mil t/ano, com referência ao butanol. Mesmo com cerca de 40 mil t/ano de butanol e 80 mil t/ano de etilexanol, a Ciquine, modernizada, pode ser competitiva em âmbito internacional, segundo o superintendente.

Mercado saudável – Reinaldo Rubbi estima o mercado nacional de plastificantes entre 130 mil e 140 mil t/ano, com taxa de crescimento ligeiramente superior à do PIB. “Esse desempenho não é maior, talvez, pelas deficiências operacionais da Ciquine, que não era capaz de oferecer alternativas para seus clientes enfrentarem o assédio de outras resinas sobre o PVC”, criticou. Até antes do leilão, a Ciquine adotou linha comercial de vender barato seus plastificantes, tirando dos concorrentes margem de lucro necessária para que investissem no desenvolvimento de novos produtos, de uso mais nobre.

Por isso, algumas aplicações, como garrafas para água e alimentos, adotaram outros materiais de confecção. “As vendas de PVC no Brasil crescem muito, tanto nos rígidos quanto nos flexíveis, mas é preciso oferecer resinas e plastificantes específicos para atender determinados nichos de mercado”, afirmou. Só a formação de uma consciência de cadeia produtiva poderá alavancar esses negócios, impedindo a substituição do PVC em vários usos.

A necessidade de integração na cadeia não implica a verticalização empresarial. “O Brasil adotou o modelo europeu de segmentos independentes, de resinas, plastificantes e composteiros”, explicou. “O modelo americano priorizava a integração, mas foi reformulado.” Rubbi salienta o fato de muitos dos grandes consumidores de PVC flexível preferirem manter produção cativa de compostos, como forma de garantir uma diferenciação de produtos.

Concorrência salutar – Ante o temor do mercado de a nova proprietária restringir o acesso aos álcoois da Ciquine, Rubbi se apressa em garantir aos produtores concorrentes de plastificantes o pleno acesso aos insumos. Mesmo para a Petrom, de Mogi das Cruzes-SP, que disputou com a Elekeiroz a compra da Ciquine. “Somos fornecedores de álcoois e vamos respeitar nossos clientes, oferecendo suprimento garantido, com qualidade superior”, disse. 

Da mesma forma, Rubbi não espera encontrar dificuldades para se abastecer de matérias-primas junto à Copene (ou Braskem), controlada pelo grupo Odebrecht. “Afinal, eles devem ter interesse na maior oferta de plastificantes de baixo custo, pois isso alavanca as vendas de PVC”, comentou. “Toda a cadeia petroquímica precisa ser rentável e não um só dos seus elos.” Marcelo Fairbanks


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