PRODUÇÃO LOCAL GANHA FORÇA COM ALTA DO DÓLAR

Confiança no potencial do mercado e intenção de combater os efeitos do dólar alto fazem fornecedores químicos para tratamento de água industrial investirem na produção local e em desenvolvimentos tecnológicos próprios


MARCELO FURTADO

Apesar da conjuntura turbulenta, com moeda desvalorizada e futuro incerto no referente à política econômica a ser adotada pelo próximo governo, as empresas de tratamento de água industrial não reclamam do desempenho do mercado brasileiro e nem se deixam abater por previsões pessimistas. A avaliação positiva não é motivo para surpresa. Mesmo sem o surgimento de novas obras em 2002, resultado da cautela justificável dos clientes, a manutenção dos sistemas de resfriamento e de condicionamento de água para caldeiras manteve ocupada a carteira de pedidos. É bom lembrar que nem em momentos de retração econômica as indústrias negligenciam o cuidado com a água, caso contrário colocam em risco suas instalações.

A confiança dos fornecedores vai além da simples estabilidade nas vendas. Há evidências fortes de que o mercado ainda tem muito a crescer, para aproveitar não só o déficit de saneamento básico como a imaturidade tecnológica do tratamento de água e dos efluentes industriais no Brasil. Junte-se a isso a necessidade de minimizar os efeitos da desvalorização do real, em um setor dependente de importações de insumos químicos, e a verdade é que o cenário estimula até investimentos locais. E isso tanto de grandes grupos internacionais como de empresas nacionais, que aos poucos, comendo pelas beiradas e aproveitando nichos, vão conquistando espaço.

No caso dos investimentos provenientes de multinacionais, o maior exemplo é a inauguração, em novembro, em Americana-SP, da fábrica de polímeros líquidos e em emulsão da alemã Degussa. O grupo, com a nova unidade, completa um ciclo de investimentos no mercado da água, iniciado com a incorporação da produtora de polímeros Stockhausen, empresa do grupo Huels, hoje totalmente fundido com a Degussa. A primeira fase desse ciclo, além da intensificação na venda de peróxido de hidrogênio produzido em Barra do Riacho-ES para desinfecção de água, compreendeu a atuação do escritório próprio da Stockhausen, que em quatro anos no Brasil vendeu cerca de 2.500 toneladas de polímeros em pó e líquido importados. 

Construída em nove meses, no complexo da Degussa instalado em Americana, onde já são produzidos o quaternário de amônio (Quab) e catalisadores químicos, a nova fábrica é resultado do investimento de US$ 5 milhões. O montante foi empregado principalmente na aquisição de quatro reatores (mescladores, de polimerização e de polimento), todos eles produzidos no Brasil. A capacidade instalada da fábrica é para a produção de 7 mil t/ano, mas em sua primeira fase, em 2003, se limitará a 2.500 t/ano.


Fonte: A. T. Kearney

<<< Anterior

Próxima >>>