|
PETROQUÍMICA
RECUPERAÇÃO DE PREÇOS ANIMA SETOR A INVESTIR
Cuca Jorge

Fábrica nova (esq.) de PP em Mauá/SP substitui a
atual (dir.) e amplia a produção
MERCADO INTERNACIONAL DÁ SINAIS DE AUMENTO DE DEMANDA, PERMITINDO À INDÚSTRIA PETROQUÍMICA OBTER
MELHOR REMUNERAÇÃO PELOS PRODUTOS E INCENTIVA A AMPLIAR CAPACIDADES
MARCELO FAIRBANKS
A atividade petroquímica identifica os primeiros sinais de recuperação de preços e margens, que devem se tornar mais evidentes a partir de 2003, descrevendo uma curva cujo ápice está previsto para o final de 2005 ou no começo de 2006. Essa percepção é compatível com a lógica de ciclos alternados de alta e baixa rentabilidade setorial, com intervalos de cinco a sete anos.
A lógica dos ciclos é explicada pelos descompassos entre oferta e demanda provocados pelo incremento de capacidades produtivas, feito aos saltos, para uma evolução lenta do consumo de produtos derivados, em especial das resinas plásticas. O problema reside na previsão da sua duração e amplitude.
|
“O modelo de ciclos tenta prever o comportamento do mercado, mas não abrange todas as influências possíveis”, comentou Vítor Mallmann, vice-presidente e responsável pela área de relações com investidores da União de Indústrias Petroquímicas (Unipar). A respeitar os sete anos de intervalo, o novo ciclo de alta deveria estar em plena ação, atingindo pico de preços e margens em 2004. O executivo menciona a absoluta atipicidade de 2001, que começou com o presidente do Federal Reserve – o Banco Central dos EUA – pilotando o “pouso suave” (soft landing) da economia americana, depois do estouro dos mercados de alta tecnologia. |
Cuca Jorge |
 |
| Mallmann: PqU negocia gás de refinaria para
fazer mais eteno |
Quando a situação parecia estar sob controle, o ataque terrorista de 11 setembro lançou o mundo em um período de inquietação e retração econômica. “Isso bloqueou a retomada do consumo de produtos, com reflexos no Brasil ampliados pela crise de energia elétrica”, explicou.
| Cuca Jorge |
“O mundo hoje está investindo muito pouco em novas capacidades produtivas petroquímicas, enquanto consome as erigidas nos últimos anos”, afirmou Sergio Thiesen, vice-presidente de planejamento da Braskem, maior empresa do setor no Hemisfério Sul do planeta, formada pela união dos ativos dos grupos Odebrecht e Mariani no setor, incluindo a posição conquistada no pólo de Camaçari-BA, perfazendo R$ 12 bilhões em ativos, gerando faturamento anual da ordem de R$ 7 bilhões. |
 |
| Thiesen: nafta no Brasil custa mais caro que na
Europa |
“Com isso, 2002 já mostrou alguma recuperação internacional de margens, que deve continuar em 2003, até o pico, previsto para 2005”, disse. Segundo informou, o setor opera com ocupação de capacidades entre 75% e 80%, média muito baixa para garantir a rentabilidade do negócio. Nesse quadro, 2001 foi o pior ano da história da atividade. “Todas as petroquímicas do mundo tiveram resultados ruins, sem exceção”, afirmou. “No Brasil, a situação foi ainda pior, porque a nafta, principal insumo, foi oferecida a preços muito elevados.”
“A nafta tende a ficar cada vez mais cara em todo o mundo, por isso é preciso aproveitar o gás natural, ou os condensados, ou desenvolver tecnologia para usar frações do refino de petróleo para a petroquímica”, analisou Armando Guedes Coelho, principal executivo da área petroquímica do Grupo Suzano. Ele cita como exemplo, a nova unidade de polipropileno da Polibrasil (Suzano e Basell), em Mauá-SP, que usará o propeno da Petroquímica União antes consumido pela unidade antiga, em desativação, somado à olefina obtida a partir de fluxos gasosos residuais da Refinaria do Vale do Paraíba (Revap), alcançando a capacidade de 300 mil t/ano, contra 120 mil t/ano da anterior. A nova unidade inicia a produção no final de dezembro deste ano, com operação comercial prevista para janeiro de 2003.
|
Outro exemplo é a Rio Polímeros, cracker de etano consolidado com fábrica para 500 mil t/ano de polietilenos, em construção por Suzano, Unipar e Petroquisa em Duque de Caxias-RJ. As obras começaram em janeiro deste ano, com término previsto para julho de 2004, mediante investimento de US$ 1,1 bilhão. |
Divulgação |
 |
| Planta virtual antecipa imagem da Rio
Polímeros, em construção |
A situação da nafta já se torna crítica. “Os óleos que estão sendo encontrados e extraídos agora são mais pesados e seu refino produz pouca nafta”, comentou Coelho. No caso brasileiro, que já importa aproximadamente um terço da nafta consumida, a tendência é de aumento da importação, ainda mais depois da adaptação das refinarias da Petrobrás ao novo perfil de óleos produzidos na Bacia de Campos-RJ, com óleos de 16°API, cujo refino oferece de 1/3 a ¼ da nafta hoje obtida com óleos leves. O consumo mundial de nafta deve continuar em crescimento nos próximos cinco anos, agravando a situação.
Para o futuro, ele recomenda que os projetos de novas refinarias prevejam a obtenção de frações de possível uso petroquímico, como os gasóleos, resíduos de gasolina e outros. “Há 20 ou 30 anos, antes da construção das centrais de matérias-primas, as refinarias contemplavam a separação desses derivados”, mencionou.
|
|