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membranas
Novos fornecedores e autópsia nacional aprimoram as ofertas
Difícil encontrar um produto para
desmineralização em constante evolução, no aspecto tecnológico e em
termos de difusão do uso, como as membranas de osmose reversa. Desde
quando a primeira estação para “desmi” foi instalada em 1984 no
Brasil, na Papel e Celulose Catarinense (PCC), em Correia Pinto-SC, hoje
de propriedade do grupo Klabin, uma verdadeira revolução ocorreu. Se
naquela época trabalhava-se com sistemas manuais e se as bombas de alta
pressão eram centrífugas horizontais monoestágio com baixa
eficiência energética (em torno de 35%), agora a história é
diferente. Raramente projetam-se estações de osmose que não sejam
automatizadas, via SDCD, e cujas bombas centrífugas não sejam
verticais de múltiplo estágio, com 70% de eficiência.
Além do preço da membrana ter caído até 60% na última década
(preço médio atual é de US$ 600), houve também outras mudanças
importantes. Para ficar no campo técnico, hoje a maior parte das
membranas utilizadas possuem filmes poliméricos com maior área, de 400
pés quadrados, contra 330 das antigas. Apesar desse novo tipo de
membrana ser mais complicado de limpar, por ficar condensada no mesmo
diâmetro dos vasos de pressão, de certo modo facilita a operação.
Isso porque a área onde ocorre a osmose reversa é ampliada, aumentando
sua resistência ao fouling e permitindo à unidade trabalhar com
pressões mais baixas. Estima-se que no Brasil cerca de 80% das
membranas em operação tenham sido trocadas pelas de 400 pés.
Os desenvolvimentos técnicos, em conjunto com a aceitação dos
clientes, fizeram o parque instalado de membranas no Brasil ter crescido
de maneira considerável. Um levantamento feito pela produtora
Hydranautics, do grupo japonês Nitto Denko, estima a existência de 22
mil membranas em operação, sendo 10 mil de 8 polegadas para
aplicações de desmineralização em indústrias químicas,
petroquímicas, de papel e celulose, alimentícia e outras. As restantes
12 mil são de 4 polegadas, com uso em dessalinização em poços de
água potável no Nordeste e para produção de água ultrapura em
hemodiálise e na indústria farmacêutica (injetáveis).
O mercado brasileiro é dominado pelas duas maiores do mundo na área, a
própria Hydranautics e a Dow. Há controvérsias quanto a
participação de ambas nesse total de membranas instaladas, mas a
percepção de gente do mercado dá conta de uma participação
disputada palmo a palmo. Além das duas, há competidores conseguindo
alguns fornecimentos pontuais, como Trisep e Toray, e outros com planos
mais concretos de conquistar mercado, como a GE Osmonics e a nacional
Perenne.
| Divulgação |
A GE Osmonics, surgida em fevereiro de 2003 com a compra feita pela General Electric dessa empresa de equipamentos, membranas e filtros (Osmonics), tem grandes chances de aumentar a participação no mercado brasileiro. Isso porque passa a contar com a força de vendas da GE Betz, tradicional no Brasil em tratamento químico de água subordinada à mesma plataforma de negócios do grupo (GE Water Technologies), e que passará a incluir em seus pacotes de fornecimento as membranas Osmonics. |
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| Unidade de osmose da GE Osmonics: operação
verticalizada |
Quando ainda não havia sido adquirida pela GE, a Osmonics já
participava do mercado brasileiro por meio de OEMs e distribuidores.
Aliás, segundo explica Clóvis Sarmento-Leite, o diretor comercial para
América Latina da GE Water Technologies, a intenção é não abandonar
essa forma de operação, apenas sintetizá-la com operadores mais bem
estruturados. “Os parceiros comerciais agregam valor com o
conhecimento de nichos de mercado e pela habilidade em fornecer pequenas
quantidades”, diz Sarmento-Leite, que fica sediado no escritório da
GE Water na Filadélfia, Estados Unidos. Agora os fornecimentos em
grandes quantidades, que normalmente incluem unidades completas de
desmi, serão feitos direto com a GE, em ação conjunta com a divisão
Betz.
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Pensando apenas em membranas, a GE Water tem condições de fornecer
não só as de osmose reversa como as de nano, ultra e microfiltração.
Mas a sua grande vantagem competitiva, conforme explica Sarmento-Leite,
é ser verticalizada. “Quando fornecemos um skid respondemos por todos
seus componentes, o que tranqüiliza o cliente”, diz. O diretor afirma
com isso que, por exemplo, se houver um problema na bomba de alta
pressão não vai haver necessidade de recorrer a outro fabricante,
visto que a própria Osmonic a produz. Bom lembrar ainda que o grupo GE
tem condições também de fazer fornecimento completo de BOT em
tratamento de água e efluentes |
Divulgação |
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| Cartuchos Z.Plex da GE: para pré-tratamento |
Nacional – Também é a busca pela verticalização que levou a
Perenne a concretizar parceria com os coreanos da CSM, que passou a
fabricar sob encomenda membranas com o logotipo da Perenne. Empresa de
projeto de equipamentos, tradicionalmente de sistemas de 4 polegadas
para dessalinização, com as membranas exclusivas a Perenne objetivou
ganhar obras em mercados industriais, em aplicações de processo, na
indústria de bebidas e farmacêutica, e para acondicionamento de água
para geração de vapor em caldeiras de alta pressão.
Com o novo plano, a Perenne buscou ainda reduzir seus custos tornando-se
independente do fornecimento de membranas dos poucos produtores
mundiais. A primeira tentativa foi tentar associações para produzi-las
localmente. Na impossibilidade, a saída encontrada foi a parceria com a
CSM, com a qual fez um contrato vantajoso de fornecimento.
| As membranas coreanas são disponíveis nas dimensões de 2,5; 4 e 8 polegadas e já estão instaladas em várias aplicações industriais, em empresas de bebidas, como Ambev, Nestlé e Coca Cola. Por ser também empresa de engenharia, projetando skids de osmose reversa, a Perenne participa de concorrências de forma verticalizada, sem precisar entrar em acordos com produtores de membranas.
A intenção, segundo o gerente de sistemas integrados da Perenne, Eduardo Pacheco, é entrar firme em mercados como químico e petroquímico, papel e celulose, onde normalmente estão as grandes obras de desmi, setores nos quais a empresa já tem marcado presença em concorrências. Aliás, para criar retaguarda no atendimento da nova estratégia, que inclui a oferta de sistemas BOTs em parceria com outras empresas (Geoplan, Hidrogesp), a empresa inaugura fábrica nova em Feira de Santana, na Bahia, para fabricação de estações maiores de osmose. |
Cuca Jorge |
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| Pacheco: membrana coreana para entrar na
indústria |
Autópsia – A busca pela verticalização da Perenne também
permitiu o desenvolvimento de uma iniciativa da pesquisa nacional. Para
dispor de um serviço auxiliar de análise, normalmente oferecido pelas
produtoras de membranas apenas em suas matrizes no exterior, há cerca
de um ano a empresa passou a contar com a colaboração do laboratório
de microbiologia ambiental do Instituto de Ciências Biomédicas da USP
para realizar as chamadas autópsias. Trata-se de procedimento de
análise físico-químico e microbiológica de elementos filtrantes
usados pelos clientes, por meio da abertura das membranas e a partir da
qual os pesquisadores produzem um relatório para explicar os motivos
operacionais que provocaram a deterioração do material.
A autópsia permite conhecer os mecanismos de destruição interna das
membranas e, principalmente, possibilita o abandono de maus hábitos no
pré-tratamento e na alimentação de água, que não poucas vezes
diminuem a vida útil do sistema. Trata-se de um serviço oferecido
gratuitamente aos clientes e que norteia as diretrizes de novos projetos
e reformas. Além disso, as análises da USP servem para se ter uma
idéia de como anda a operação nas unidades de osmose reversa no
Brasil. Coordenado e resultado do empenho do professor René Schneider,
PhD no estudo de biofilmes pela Universidade de New South Wales, em
Sidney, na Austrália, que procurou a Perenne há cerca de dois anos, o
trabalho de autópsia das membranas demonstrou casos grotescos de
operação. “Chegamos a encontrar areia e pedaços de borracha dentro
das membranas”, disse Schneider.
| Cuca Jorge |
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| Membrana aberta para autópsia: fouling
(no detalhe) é o problema |
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