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Ensaios não- destrutivos Setor petroquímico lidera crescimento do uso de testes para indicar a presença de defeitos físicos em máquinas que trabalham em condições críticas JOSÉ PAULO SANT'ANNA Ganha força no Brasil, nos últimos anos, a utilização dos ensaios não-destrutivos (END). Definidos como prática de inspeção que verifica a existência ou não de defeitos em materiais acabados ou semi-acabados, sem que tais materiais tenham qualquer prejuízo em suas características físicas, químicas, mecânicas ou dimensionais, eles vem sendo cada vez mais aproveitados como importantes ferramentas de manutenção pelos profissionais especializados. Duas funções dos ensaios são apontadas com destaque pelos especialistas. Uma delas é a da avaliação, feita de forma periódica, das condições físicas de equipamentos que trabalham em situações críticas - caso de caldeiras, vasos de pressão, reatores e trocadores de calor, entre outros. Em alguns casos, essas avaliações podem ser feitas durante o pleno funcionamento de tais equipamentos, o que torna a operação bastante ágil e de baixo custo. Os testes também são muito aplicados pelas indústrias que fornecem produtos onde as falhas de alguns de seus componentes podem comprometer a segurança dos usuários. É o caso das indústrias automobilística e aeronáutica, que checam os principais componentes de motores e outras peças específicas, como as usadas nos mecanismos de trens de pouso ou as destinadas às turbinas dos aviões. O crescimento do uso dos ensaios não-destrutivos é capitaneado, no mercado nacional, pela indústria petroquímica, onde um acidente em qualquer equipamento pode provocar conseqüências drásticas aos funcionários das unidades e ao meio ambiente. João Conte, diretor-executivo da Associação Brasileira de Ensaios Não-Destrutivos (Abende), também aponta o crescimento da importância dada aos testes pelas indústrias química e siderúrgica.
Mais usados - Em comparação grosseira, podemos afirmar que o "controle da qualidade" que o médico faz de um corpo humano ao recomendar exames preventivos aos pacientes, é o mesmo aplicado na indústria, só que em equipamentos e produtos. Nesse cenário, os ensaios-não destrutivos são similares a alguns dos exames mais utilizados na medicina para a detecção de doenças. Vários são os testes disponíveis, entre os quais os mais utilizados são os de líquido penetrante, partículas magnéticas, ultra-som e radiografia (raios X e gama). Não por acaso, os dois últimos também encontram-se entre os exames mais utilizados para a detecção de doenças em hospitais. Outros ensaios também são realizados na indústria, de acordo com as características dos materiais ou equipamentos a serem avaliados e da análise e precisão desejadas. Para que gerem resultados satisfatórios os testes precisam seguir critérios de aceitação definidos por normas de segurança internacionais e serem conduzidos por pessoal treinado e qualificado. Muitos requerem o uso de equipamentos devidamente calibrados. A primeira etapa do teste consiste em uma cuidadosa limpeza da área a ser avaliada. A operação tem como finalidade retirar resíduos de óleos, graxas ou outras sujeiras que possam obstruir a abertura dos defeitos existentes. Em seguida, são aplicados na superfície os líquidos penetrantes, a maioria dos quais são feitos à base de óleos minerais, conforme o caso aditivados com cargas de tensoativos aniônicos. Esses líquidos apresentam uma tensão superficial muito baixa, o que permite sua entrada em ranhuras com dimensões minúsculas. Eles também são aditivados com corantes, em geral vermelhos ou fluorescentes.
A terceira etapa prevê a aplicação dos reveladores, cargas brancas de alto poder de absorção, que têm como finalidade destacar os locais nos quais os líquidos penetrantes preencheram as trincas presentes na superfície.
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