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EXPLOSIVOS Reiventando a pólvora
Criavidade, tempo livre, amor pelo tiro e muito conhecimento em química. A mistura desses ingredientes fez com que o aposentado José Franklyn Copche, que durante anos foi o proprietário de uma empresa de recuperação e refino de metais preciosos, reinventasse a pólvora. A afirmação é literal. Colecionador de armas e membro da Federação Brasileira de Tiro, ele tem como hobby passar algumas horas por dia em um laboratório fazendo pesquisas sobre novas fórmulas, em especial de explosivos. Seus estudos já resultaram na descoberta de três produtos, todos eles patenteados e que prometem fazer grande estardalhaço: o propelente plástico (pólvora) Planum, o explosivo primário FX e o propulsor de aerossóis Aeroplan. Os bons resultados obtidos com as primeiras experiências feitas a partir das fórmulas descobertas incentivou Copche a procurar dois amigos antigos, também aposentados, com o propósito de que fosse criada uma empresa.
A união resultou na criação, em 2002, da Planum Indústria e Comércio, empresa com o objetivo de transformar as invenções de Copche em produtos comerciais. "No caso do Planum e do FX, explosivos que para chegarem ao mercado precisam ser fabricados em plantas industriais que levem em conta os requisitos de segurança previstos pelo Exército, queremos vender as patentes das fórmulas. Já no caso do Aeroplan, temos a intenção de montar uma fábrica própria em breve", explica Leite. Na palma da mão – O propelente plástico Planum foi criado a partir de experiências que visavam substituir a nitrocelulose utilizada para detonar as armas de fogo. "Como amante do tiro, me preocupava com a presença dessa substância poluente nas armas", revela. A intenção não deu certo, mas gerou uma fórmula bem mais valiosa. Com o desenvolvimento das pesquisas, Copche descobriu um substituto para as pólvoras utilizadas atualmente na produção dos fogos de artifício, rojões e das famosas "bombinhas". "Todos os anos se repetem as ocorrências de acidentes causados pelos fogos, que causam danos sérios à integridade física dos usuários, em especial nas crianças. Esses acidentes ocorrem devido ao uso das pólvoras negra ou cloratada, fabricadas com matérias-primas perigosas e poluentes, como clorato de potássio, perclorato de potássio, alumínio em pó, antimônio, sulfeto de antimônio, enxofre micropulverizado, nitrato de potássio e carvão vegetal micropulverizado", explica o inventor. O propelente Planum tem formulação baseada em um polímero nitrogenado de constituição proveniente de compostos utilizados na fabricação de termoplásticos. Por tratar-se de um produto molecular é homogêneo, com aparência de pó branco, leve, semelhante ao PVC micropulverizado, inodoro, insípido, insolúvel na água e em álcoois, ácidos, bases e nos demais solventes aromáticos ou alifáticos. "A nossa pólvora apresenta queima rápida, inodora e praticamente sem fumaça. Ela explode de forma muito mais segura", informa Copche. Para provar o que diz, o inventor da fórmula não se furta da experiência de detonar um pequeno punhado do explosivo na palma de sua mão. "Além disso, ela resiste a todo tipo de choque, atrito ou percussão, podendo ser manuseada, armazenada e transportada com muita segurança. Também é resistente à umidade e não reage com superfícies metálicas ou outros propelentes", emenda. As vantagens, de acordo com os sócios da Planum, não param por aí. Por utilizar matérias-primas não poluentes, a nova pólvora emite CO2, N2 e vapores de água após sua detonação. As pólvoras convencionais emitem resíduos tóxicos na atmosfera, como o óxido de alumínio, trióxido de antimônio e gás sulfuroso.
A intenção dos dirigentes da Planum é encontrar um parceiro com cacife suficiente para, por meio da compra total ou parcial da patente do explosivo, colocá-lo nos mercados nacional e externo. Esse parceiro atuaria, a partir da fórmula desenvolvida por Copche, na produção de explosivos para fogos de artifício ou em outras aplicações onde haja interesse de exploração comercial, desenvolvidas a partir de adaptações tecnológicas feitas em conjunto. É interessante que as empresas interessadas em adquirir a patente tenham a percepção de que o lançamento de produtos mais seguros pode resultar na proibição da fabricação dos fogos de artifício utilizados hoje, o que aumenta ainda mais o potencial de mercado. "A lei prevê a possibilidade de substituição de explosivos quando houver um sucedâneo menos perigoso no mercado", reforça Leite.
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