| |
Fabricante se submete às leis ambientais
Conama regulamenta o
teor de fósforo nas
formulações, a fim de
reduzir a eutrofização
Em meio à entrada de novas marcas, a indústria nacional
de detergentes se esmera para manter-se dinâmica e aliar o bom desempenho
de seus produtos à preservação ambiental. Essa postura,
é bem verdade, contou com o empurrão governamental. Em abril
o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) publicou a Resolução
359 e a partir dela regulamentou o teor de fósforo na formulação
dos detergentes em pó, propondo sua redução gradual
nos próximos três anos.
Esses novos critérios se fundamentam no estado crítico de
eutrofização – crescimento excessivo das algas, causado
pela abundância de nutrientes nas águas – de vários
rios, lagos, lagoas e reservatórios, sobretudo de áreas
urbanas. O documento embute amplas análises travadas entre órgãos
ambientais e representantes da indústria, além de outros
especialistas, a ponto de ser criado o Grupo de Estudo do Fósforo.
O início das discussões sobre a contribuição
do fósforo na eutrofização data de 2001. Na época,
estudos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) apontaram
que mais de 80% dos corpos d´água monitorados no Estado mostravam
problemas em relação ao índice de estado trófico.
“Nos pontos da rede de monitoramento, o percentual de não-conformidade
foi superior a 86%”, afirma o químico responsável
pela Divisão de Qualidade das Águas da Cetesb José
Eduardo Bevilacqua. Os holofotes se voltaram para o fósforo, segundo
Bevilacqua, por se tratar de uma fonte poluidora grave, com o agravante
de ser uma substância não-biodegradável e cumulativa.
“O fósforo é o nutriente limitante da proliferação
das algas”, alerta.
As formulações de detergente em
pó representam apenas uma das fontes de fósforo nos corpos
d´água, e das menos significativas, se comparadas aos dejetos
humanos, efluentes industriais e fertilizantes. No entanto, apesar de
reconhecer a supremacia de outras fontes, a Cetesb optou focar a indústria
de detergentes por ser controlável. “Essa fonte tem nome,
sobrenome e RG”, constata Bevilacqua.
|
|