INVESTIMENTOS A empresa internacional de consultoria e análise de mercados Kline
& Company voltou a divulgar seus serviços na América
Latina, região que começa a recuperar a atenção
de investidores internacionais, afastados daqui desde os anos 1990. A
China e outros países asiáticos continuam sendo o principal
ponto de atração de negócios, porém já
há sinais de desencanto por parte de alguns importantes players,
sobretudo por causa do baixo retorno apresentado pelos projetos. Atestando a recuperação do prestígio da região,
Joseph Tarantola, presidente da Kline & Co., com sede em Little Falls-NJ
(EUA), veio aos principais países para divulgar a nova forma de
atuação da companhia, incluindo um software moderno para
elaboração de cenários futuros. No Brasil a Kline
é representada pela Factor de Solução, de Sérgio
Rebêlo. “A nova caixa de ferramentas do programa ajuda a tomar
decisões estratégicas em situações de grande
instabilidade”, informou Tarantola. A Kline pode levantar dados de mercado em qualquer região do planeta,
sob encomenda de clientes, com os quais define as variáveis críticas
a partir das quais serão produzidas análises. No sistema
tradicional das consultorias, costumam ser avaliados três cenários:
o otimista, o pessimista e o plausível. “Com a facilidade
do novo sistema, é possível imaginar qualquer alteração
de qualquer variável, com facilidade e confiabilidade”, explicou. Segundo Tarantola, além das ferramentas, a consultoria reformulou
seus procedimentos, de modo a acelerar a elaboração dos
estudos, feitos com grande participação do cliente. “O
custo é semelhante ao do sistema tradicional, pois a etapa mais
demorada e custosa é o levantamento de dados de campo, igual nos
dois casos”, comentou Sérgio Rebêlo. Além dos trabalhos feitos sob encomenda, a companhia também
elabora estudos multiclientes, enfoques setoriais específicos em
âmbito mundial, vendidos a qualquer interessado. “Só
no recente estudo sobre cosméticos e produtos de higiene, foram
feitas mais de mil entrevistas com pessoas-chave em dezesseis países
diferentes”, explicou Rebêlo. Dados desse estudo, concluído em julho, apontam que esses mercados
representaram faturamento de US$ 150 bilhões em 2004 para seus
fabricantes, 4% superior ao de 2003. Segundo a pesquisa da Kline, produtos
para pele e cabelos foram os de maior crescimento, principalmente nos
países em desenvolvimento. Embora a Europa ainda seja o maior mercado
mundial, Brasil, Rússia, China e Argentina apresentam taxas de
crescimento de vendas mais elevadas. Outro estudo recente da consultoria ressalta o fato inédito de
as vendas de lubrificantes na região Ásia-Pacífico
terem sobrepujado em 2004 as da América do Norte. Com base nos
dados levantados nos trinta países com maior consumo, a Kline estima
a demanda mundial por lubrificantes em 37,5 milhões de t nesse
ano, dos quais 30% ficaram na Ásia-Pacífico. As razões para esse desempenho residem no contínuo e acelerado
desenvolvimento industrial de China e Índia, principalmente, cujas
taxas de crescimento de consumo desses produtos devem se manter por volta
de 5% e 3,5%, respectivamente, nos próximos anos, enquanto Europa
e América do Norte se manterão estáveis ou levemente
declinantes. Os analistas apontam para uma razão técnica para isso. Nos mercados ocidentais há uma clara tendência para usar lubrificantes sintéticos ou misturas sintéticas, cujos intervalos de troca são mais longos, implicando queda de consumo anual, mas não de faturamento, pois são itens de maior valor. Na Ásia e na América Latina ainda predominam os lubrificantes de tecnologia mais antiga, menos eficientes. Olho na China – Atenta às necessidades
de seus clientes, a Kline montou escritório em Xangai, de onde
conduz estudos sobre diversas atividades econômicas na China. A
importância de contar com presença local é grande,
levando em consideração as dificuldades para obter dados
confiáveis naquele mercado, dadas as barreiras culturais, de idioma
e da própria estrutura de negócios. Muitas atividades são
conduzidas de forma extremamente pulverizada e distribuída por
regiões distantes. “A grande população e a formação de
enormes saldos comerciais atraem o interesse de todos os players internacionais”,
constatou Tarantola. “Mas os resultados apresentados por quem lá
se instalou não têm sido exatamente brilhantes.” A
explicação para isso é complexa. Em geral, segundo
Tarantola, o governo chinês mantém controle direto dos negócios
de infra-estrutura e produção de bens primários das
cadeias produtivas. A partir dos intermediários, é admitida
a participação de sócios estrangeiros. Só
nos produtos finais, na ponta de consumo, é que são permitidas
empresas de capital exclusivamente estrangeiro. Porém, nessa ponta da cadeia, há forte concorrência
com empresas chinesas de todos os tamanhos e graus de qualidade. “Não
existe respeito a patentes e não há nenhum tipo de proteção
contra abusos de concorrência, ou mesmo diretrizes ambientais oficiais”,
afirmou, ressaltando que as companhias internacionais seguem códigos
mundiais de saúde, segurança e meio ambiente. Nessa parte
da cadeia produtiva, portanto, é difícil construir margens
de lucro. Tarantola afirma que muitas empresas já admitem essas dificuldades,
mas mantêm suas apostas em um futuro brilhante. Porém preferem
desconsiderar questões políticas e sociais ainda a resolver.
“Pode ser uma oportunidade para a América Latina recuperar
algum prestígio nos planos de investimento das companhias internacionais”,
comentou. M. Fairbanks
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