TECNOLOGIA AMBIENTAL

Novos tratamentos térmicos destroem passivos da indústria

Fornos a plasma e técnicas como a dessorção térmica e a termoxidação ganham espaço no mercado brasileiro de gerenciamento ambiental

Marcelo Furtado

Divulgação

Tocha de plasma térmico chaga a 15.000 Graus

Há quase um consenso entre especialistas da tecnologia ambiental em classificar as soluções térmicas para gerenciamento de resíduos industriais entre as mais inteligentes e promissoras. O argumento básico é o caráter definitivo da destruição conseguida pelas técnicas “incendiárias”, contraposto ao objetivo apenas confinante da tecnologia concorrente principal, a de aterros. A vantagem competitiva, fortalecida pelo eficiente controle atmosférico dos variados tipos de fornos, resulta no crescimento desse mercado.

A adesão aos tratamentos térmicos provoca não só a maior procura pelas tecnologias consagradas, caso da incineração e do mais recente co-processamento de resíduos em fornos de cimento, cujos serviços têm crescido exponencialmente, como alimenta a entrada no País de técnicas emergentes. Basta pesquisar um pouco, entre projetos de recuperação ambiental em andamento, para se descobrir que tecnologias como a de plasma térmico, de dessorção térmica e equipamentos termoxidantes de gases começam a ser opções para solucionar passivos locais.

Plasma em uso – O caso mais relevante, entre as novidades, é sem dúvida o uso do plasma térmico. Consagrada para outros usos industriais, como por exemplo na recuperação de metais nobres e na produção do aço, a tecnologia se desenvolve em meio ambiente com destaque no Brasil. Isso porque, além da vantagem de não gerar novos resíduos, há muitos anos a opção é estudada para aplicações na destruição de resíduos pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), cuja dedicação gerou frutos na iniciativa privada brasileira.

A tecnologia do plasma térmico desenvolvida pelo IPT originou aplicação comercial em duas empresas: na Ecochamas, em Resende-RJ, e na TSL Engenharia Ambiental, de São Paulo. No primeiro caso (ver QD-415, págs. 20-22), houve uma transferência de tecnologia para o grupo privado paulista controlador da Ecochamas, que projetou e construiu um forno com reator a plasma térmico voltado especificamente para tratar resíduos de lodos galvânicos e de cinzas de incineração. Projetado para operar em região urbana de São Paulo, por orientação do órgão ambiental paulista o forno foi removido para região industrial, cuja escolha recaiu sobre o galpão dentro da unidade da Clariant, em Resende-RJ.

Apesar de instalado desde o começo de 2003 na cidade fluminense, e de já ter passado por comissionamento, o reator da Ecochamas ainda aguarda licença de operação da agência ambiental do Rio, a Feema. Com capacidade para destruir 400 t/mês, vai operar em um mercado gerador de 2 mil a 3 mil t/mês de lodos de galvanoplastias e de 1.000 t/mês de cinzas de incineração.

A outra iniciativa do projeto do IPT é mais complexa e não deve se concentrar em apenas um tipo de processamento, como o do Ecochamas, voltado quase exclusivamente para atender a forte demanda das galvanoplastias. A TSL Engenharia Ambiental foi mais longe e pretende empregar o plasma térmico como solução engenheirada para vários problemas ambientais. Essa possibilidade é viável porque hoje a empresa conta como diretor de tecnologia o ex-pesquisador do IPT, Roberto Szente, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do plasma térmico para aplicação ambiental no Brasil.

O pleno domínio do plasma, considerado o quarto estado da matéria, atingido a partir da aplicação de energia sobre o terceiro estado (o gasoso), deve fazer a TSL inovar em alguns projetos. No primeiro deles, aliás, pronto desde maio na cidade de Piracicaba-SP, o pioneirismo já ocorreu. Em cooperação com os grupos Klabin, Tetra Pak e Alcoa, a TSL colocou em operação a primeira unidade do mundo de processamento a plasma para reciclagem de embalagens longa vida pós-consumo. Trata-se aí de uma atitude voluntária da Tetra Pak e parceiros para minimizar o impacto causado pela geração anual no Brasil de 150 mil toneladas dessas embalagens cartonadas produzidas por filmes multicamadas com papel kraft (75%), polietileno (20%) e alumínio (5%).

O reator a plasma projetado pela TSL visa recuperar duas camadas da embalagem longa vida: a de alumínio e a de plástico, de polietileno de baixa densidade. A camada de papel é removida anteriormente pela Klabin, pelo processo hydropulper, que remove as fibras por centrifugação com água. 

Fruto de investimento de R$ 12 milhões, dividido entre a TSL (50%) com os demais sócios (Klabin, Alcoa e Tetra Pak), a unidade pode processar 8 mil toneladas por ano de plástico e alumínio, o equivalente à reciclagem de 32 mil toneladas de embalagens longa vida, fornecidas por cooperativas de catadores de todo o País.

Também possível de ser gerado por laser e alta freqüência, no caso o plasma térmico é gerado por arco elétrico. Esse princípio, mais viável para aplicações industriais, baseia-se na passagem de gás (no caso, o inerte argônio) na tocha de plasma, composta por dois eletrodos (anodo e catodo) sob descarga elétrica contínua. A colisão das moléculas do gás com os elétrons do arco elétrico transfere parte da energia cinética dos elétrons para o gás, ionizando-o e dissociando-o para gerar assim o plasma.

Cuca Jorge

Elaine:plasma vai reciclar embalagens longa vida

Em resumo, isso significa que na tocha do reator atinge-se uma temperatura de até 15.000º C, suficiente para a chamada reciclagem das embalagens.

 

 
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