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Têxtil Feira traz produtos técnicos ao Brasil
pela Messe Frankfurt Feiras, trouxe a São Paulo destacados grupos internacionais, como o italiano Mossi & Ghisolfi e o coreano Hyosung Corporation, protagonizando tendências e inovações de aplicação para os segmentos de vestuário, automotivo, industrial, entre outros.
Nos últimos dez anos, o consumo mun-dial de tecidos técnicos e não-tecidos, segundo pesquisa rea--lizada pela consultoria inglesa David Rigby Associates em 2002, saltou de 13.971 milhões de toneladas/ano (1995) para 19.683 milhões de toneladas/ano (2005), devendo superar 23 milhões de toneladas/ano em 2010. Os maiores usuários de tecidos técnicos e não-tecidos da atualidade são os setores de embalagens e transportes. Enquanto o primeiro absorve 2.990 milhões de toneladas/ano para fabricar desde coberturas para proteção até contentores (big-bags), o segundo, representado pelas indústrias automobilística, naval, aeroespacial, veículos sobre trilhos, motocicletas, bicicletas, air bags e pneus, registra consumo de 2.828 milhões de toneladas/ano. Na seqüência dos maiores consumos estão as aplicações industriais, com 2.624 milhões de toneladas/ano sendo destinadas à fabricação de produtos para filtragem, limpeza, isolamentos termoacústicos, incluindo-se as aplicações em móveis, estofados, carpetes, tapetes e revestimentos para pisos (2.499 milhões de toneladas/ano), registrando-se ainda altas demandas entre os setores da construção (2.033 milhões de toneladas/ano), especialmente pelo emprego em membranas, e da agricultura (1.615 milhão de toneladas/ano), com tecidos técnicos sendo utilizados em silos, cercas, estufas, materiais para hidroponia, coberturas para lavouras e criação de animais. Segundo analisou Michael Jänecke, diretor da Messe Frankfurt Exhibition, da Alemanha, a grande mobilizadora de demandas no mundo por tecidos técnicos e não-tecidos é hoje a área de infra-estrutura, reunindo os setores de construção civil, agricultura e geotêxteis, neste caso abrangendo produtos para engenharia civil, construção de subsolos, represas, barragens, depósitos de lixo, vedação de solos e sistemas de drenagem. Na segunda posição vem o setor automotivo e em terceiro o setor de proteção ambiental, que utiliza tecidos técnicos e não-tecidos para fabricar materiais para proteção do meio ambiente, reciclagem, remoção e tratamento de lixo, somando-se ainda outro grande usuário, como o setor de vestimentas para proteção. Nos últimos anos, componentes automotivos, como painéis de porta, forros e tapetes, têm utilizado cada vez mais não-tecidos, aproveitando vantagens de isolamento acústico e de filtragem de ar e óleos. Em compósitos, esses materiais proporcionam benefícios de isolação termoacústica e elétrica e de resistência contra perfurações, despertando mais recentemente o interesse da indústria automobilística pela utilização de compósitos de não-tecidos formados por fibras vegetais e naturais, envolvendo algodão, polpas de madeiras, linho, juta, rami, entre outras. Na engenharia civil, não-tecidos formam telhados, rodovias e barragens, incluindo aplicações crescentes em sistemas de filtração de gases e líquidos empregados em processos nas indústrias farmacêutica, alimentícia e de bebidas. Inovações mais recentes também sugerem aplicações na filtração de microfibras, proporcionando eficácia na captura de partículas. Em estofados, revestimentos de assoalhos, colchões, edredons, evidenciam-se propriedades funcionais de não-tecidos, como antichama e antimicrobiana. No Brasil, a capacidade instalada no setor de não-tecidos, estimada em 200 mil toneladas/ano, supera a demanda de 130 mil toneladas/ano. Desse total, 60% são absorvidos pelas aplicações no segmento de produtos duráveis, como geossintéticos, construção civil, tapetes para automóveis, entretelas, filtros para automóveis etc., e os 40% restantes se destinam à fabricação de descartáveis, incluindo nesse rol produtos absorventes para higiene pessoal, lenços umedecidos, vestimentas médico-hospitalares, entre outros. No setor de tecidos técnicos, abrangendo fios e fibras de poliéster, viscose, polipropileno etc., o consumo é bem mais alto, na faixa das 210 mil toneladas/ano. Interesse coreano - Pela primeira vez par-ticipando da Techtextil South America, Won-Ki Baek, presidente da Hyosung Corporation, sediada em Seul, na Coréia, revelou à Química e Derivados a intenção de crescer junto com o Brasil firmando parcerias.
Feitos de poliéster e poliamida, os fios da Hyosung se destinam à produção de tecidos técnicos industriais para vários setores da economia. O maior mercado em ambos os casos é o de pneumáticos. Fios de poliéster têm maior consumo na fabricação de lonas, coberturas e cintos de segurança empregados em veículos automotivos, mangueiras e cordas, mas uma das grandes consumidoras de tecidos técnicos em poliamida é a indústria naval, seguida das aplicações em pneumáticos, air bags, cintos de se-gu-rança para montanhismo, redes de pesca, entre outras, exigindo fios de alta tenacidade. Têxteis sem bactérias - Um dos pontos altos da Techtextil South America 2005 foi o lançamento mundial da fibra de poliéster Alya Health, realizado pela Mossi & Ghisolfi Fibras e Resinas, subsidiária brasileira do grupo italiano. Desenvolvida por pesquisadores brasileiros, trata-se de nova geração de fibras de alta performance, incorporando tecnologia para evitar a proliferação de microorganismos, como bactérias e fungos, visando aplicações em peças de vestuário, componentes de calçados e tênis, persianas, travesseiros, colchões, edredons, bichinhos de pelúcia, uniformes profissionais, filtros automotivos e para aparelhos de ar-condicionado, entre outros tecidos planos, malhas e non-wovens. "As pesquisas realizadas pela M&G mostram que a fibra Alya Health reduz em 99,99% a proliferação de bactérias Klebsiella pneumoniae e Staphyloco-ccus aureus, comumente usadas em testes de laboratório para comprovar a eficácia de aditivos antimicrobianos, por serem representativas das duas principais classes de bactérias gram-positivas e gram-negativas, trazendo benefícios à saúde", afirmou Luis Henrique Bittencourt, gerente comercial da M&G. Aditivada com íons de prata na fase fundida, desenvolvidos pela Milliken, a nova fibra de poliéster se torna bioativa, liberando íons que rompem a membrana celular de microorganismos. "Os íons de prata matam as bactérias, diferentemente dos coatings que apenas evitam que estas se proliferem. A grande vantagem dessa tecnologia sobre as demais é que o aditivo contendo os íons de prata é incorporado na massa da fibra e, dessa forma, mantém a propriedade antimicrobiana permanentemente, mesmo após longos períodos de uso e lavagens", explicou Bittencourt.
Participando pela primeira vez da feira sul-americana, a unidade de negócios
têxteis industriais da São Paulo Alpargatas apresentou produtos
volta- Novos adesivos para laminações - A National Starch & Chemical promoveu novas tecnologias em adesivos para laminações têxteis, como lingeries e roupas esportivas, e não-tecidos, como roupas hospitalares, incluindo entretelas para o mercado calçadista, abrangendo todos os tipos de substrato, como poliéster e poliamida. Destacando-se como primeira empresa na América Latina a produzir hot-melt PU reativo na nova fábrica de Jundiaí-SP, inaugurada em janeiro de 2005, com capacidade de produção para 60 toneladas/mês, a empresa deverá reverter o fluxo das importações nesse setor, fornecendo-o também para aplicações voltadas a encadernações gráficas.
Unidos, para aplicação em laminações sob temperaturas mais baixas, de 120oC, enquanto os convencionais estariam trabalhando sob temperaturas entre 150oC e 160oC, oferecendo, portanto, como benefício, grande economia de energia aos usuários de laminações de PE e non-wovens, além da possibilidade de trabalhar com substratos de menor gramatura.
Outro termoplástico de engenharia de alto desempenho é a resina (Valox), baseada em poliésteres termoplásticos, principalmente o PBT, com resistência química a hidrocarbonetos, ácidos e bases, até a gasolina, além de alta resistência térmica (Tm 215oC e Tg 60oC), recomendada para processos de fiação por fusão, para aditivação de filamentos de poliamidas 6, 6/6 e PET, incluindo otimização de propriedades de filamentos. O terceiro destaque coube ao polióxido de fenileno (Noryl), um poliéster saturado de alta resistência térmica (215o C) e de baixa absorção de água, recomendado para aplicação em tecidos industriais, materiais para filtração e isolação térmica. Doutor bactéria - A cerimônia de lançamento da fibra Alya Health contou com a participação do biomédico Roberto Martins Figueiredo, conhecido como "doutor bactéria", por suas apresentações no programa Fantástico, da TV Globo, convidado a proferir palestra sobre a ação germicida da prata, conhecida desde a antiguidade pelos egípcios que a utilizavam para evitar o apodrecimento dos alimentos e pelos fenícios que armazenavam a água em recipientes de prata, para a sua melhor conservação.
"Mas foi em 1929, na Alemanha, que o doutor G. Krausel conseguiu tornar prático o uso dos íons metálicos para ação bactericida", afirmou o pesquisador, informando relatos sobre pesquisas realizadas na Washington University, nos Estados Unidos, em 1970, de que nenhum organismo causador de doenças, seja micróbio, vírus ou fungo, poderá viver mais que alguns minutos em presença, mesmo que de traços, de prata metálica e que um antibiótico mata talvez um pouco mais do que meia dúzia de organismos patogênicos, enquanto a prata é capaz de matar 650, com a vantagem de não desenvolver linhagens resistentes, como ocorre com os antibióticos. "Recentemente, nos Estados Unidos, uma renomada empresa, líder no combate a bactérias nocivas e fungos, está aplicando a prata em revestimentos de paredes e outras superfícies de edificações industriais e hospitalares para evitar infecções. No Canadá, Suíça e Estados Unidos, os médicos também vêm utilizando vários tipos de soluções de prata para tratar infecções. Nos Estados Unidos, a prata vem sendo em--pregada em cirurgias ósseas e nos centros de tratamento de queimaduras, enquanto, na Suíça, bioquímicos estudam a capacidade da prata para interromper a divisão celular do HIV em vários estágios", informou. As aplicações da prata multiplicam-se pelo mundo, conforme revelou o pesquisador. A Environmental Protection Agency, dos Estados Unidos, e o gover-no suíço, por exemplo, aprovaram filtros de água com prata coloidal para uso em residências e escritórios. Inúmeras companhias aéreas, como Air France, Alitalia, British Airways, Canadian Pacific, Japan Air Lines, Lufthansa e American Airlines, utilizam filtros de prata, para evitar doenças transmitidas pela água. "A prata também está substituindo o cloro nas piscinas e há várias companhias japonesas utilizando-a para remover cianetos e óxidos nítricos da atmosfera", citou mais exemplos. Pernambuco apóia - O governo de Pernambuco está oferecendo condições de competitividade à instalação de pólo petroquímico-têxtil no Estado. O grupo italiano Mossi & Ghisolfi, que iniciou atividades no Brasil em outubro de 2002, após a aquisição da Rhodia-Ster, contará com benefícios fiscais já aprovados pelo Conselho Estadual de Política Industrial, Comercial e de Serviços (Condic), prevendo redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços por período de doze anos, sendo 80% de redução durante os quatro primeiros anos e 70% durante os demais. Os incentivos, viabilizados pelo Programa de Desenvolvimento de Pernambuco, serão direcionados à implantação de complexo fabril, em Suape, a 40 quilômetros de Recife-PE. Resultante de negociações entabuladas há mais de dois anos, tendo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico como uma das principais interlocutoras, o projeto deverá envolver aportes de R$ 3,391 bilhões, visando a concretização de quatro fábricas, sendo uma de PET, outra de ácido tereftálico purificado (PTA), matéria-prima para a produção desse poliéster, uma terceira unidade de fabricação de fios de poliéster e uma quarta para a produção de paraxileno (PX), matéria-prima para PTA. De acordo com o projeto apresentado ao governo de Pernambuco, a planta de PTA contará com investimentos de R$ 1,215 bilhão, a de PET absorverá R$ 700 milhões e a de filamentos de poliéster com R$ 436 milhões, somados aos R$ 1,040 bilhão que serão investidos na fábrica de PX. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Alexandre Valença, a infra-estrutura portuária existente em Suape, contando com modal marítimo para recebimento de matérias-primas e exportação foi fundamental para a escolha do Estado como sede dos novos projetos. Rose de Moraes
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