O
etanol de cana-de-açúcar
consolida a posição de combustível alternativo aos
derivados de petróleo consumidos por veículos automotores,
tanto na forma direta como em mistura com gasolina, ou ainda associado
a óleos vegetais para formular o biodiesel. A vantagem ambiental
e econômica é, porém, a causa primeira dos problemas
atuais do setor. Incentivados pelo baixo preço do etanol durante
a safra canavieira do Centro-Sul do Brasil, os carros com motorização
bicombustível passaram a dominar as linhas de montagem e as bombas
de álcool nos postos de abastecimento se tornaram as mais procuradas.
Com isso, embora a produção de álcool tenha crescido
em relação ao ano anterior, foi preciso reduzir de 25% para
20% o teor de etanol anidro misturado à gasolina e antecipar para
março o início da safra a fim de evitar o desabastecimento
do mercado interno.
Os cálculos atuais garantem que não faltará álcool
nos postos, mas o preço de venda ainda ficará alto até
o pico da safra, a ser atingido em abril ou maio. Mesmo assim, os consumidores
não devem esperar reduções substanciais. “Os
valores recebidos pelos produtores em março, depois da alta, ainda
ficam 4% abaixo dos obtidos em 2003, em termos reais”, calculou
Plínio Nastari, presidente da Datagro, empresa de consultoria especializada
no setor sucroalcooleiro.
risco de desabastecimento no final da entressafra se repete há
anos, sem que nenhuma providência efetiva seja implementada. Segundo
Nastari, existe uma lei, a 8.176, de 1991, que prevê a manutenção
de estoque de segurança de álcool, acompanhada do necessário
decreto regulamentador (238/91). “Pela lei, o governo é o
responsável por formar e manter o estoque, mas isso nunca foi feito”,
comentou. “E quando a iniciativa privada quis formá-los,
foi impedida sob acusação de cartel.” Em tempo: o
consultor, com base nas estatísticas de área plantada e
dos indicadores de produção de açúcar e álcool,
confirma que os produtores nacionais realmente estão com os tanques
vazios.
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