A primeira medida oficial nesse sentido é reivindicar ao governo a inclusão na lista de redução do IPI dos selantes de silicone, de 10% para 5%, como foi feito com outros mástiques poliuretânicos e acrílicos. Faz parte ainda dos planos da comissão setorial se aproximar mais da indústria de construção. Nesse sentido, segundo explica Kampff, a idéia é firmar parceria com associações de classe para fomentar a participação dos produtores de adesivos em vários eventos e promover estudos conjuntos. “Queremos unir a cadeia, para evoluirmos juntos”, diz. Aliás, trabalho de aproximação semelhante, entre a indústria de adesivos e os clientes, já foi realizado anteriormente com o setor de calçados, por meio de ação da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), lembra o presidente da Henkel.

Com faturamento aproximado de US$ 500 milhões, o segmento de adesivos no Brasil, segundo Kampff, está em uma rota de modernização irreversível. E isso em quase todas as suas aplicações. Em usos na indústria gráfica, em embalagens, no setor automobilístico e em eletrônicos, o executivo acredita que o nível técnico local, com o emprego de novas resinas e métodos de aplicação, já se encontra no mesmo patamar dos países desenvolvidos. Apenas alguns setores, com destaque o de construção, ainda necessitam de inovações. Daí a importância do trabalho setorial previsto para se iniciar neste ano, que incluirá também um encontro tecnológico específico para difusão de inovações em adesivos para construção.
Nessa escalada modernizante, o uso de produtos aquosos e hot-melts, sem os solventes que muitas vezes causam problemas ocupacionais e ambientais, continua sendo um destaque. Vale realçar nessa tendência recente a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece novo regulamento técnico para a produção de colas, tíneres, adesivos e corretivos para tentar combater o uso desses produtos como inalante tóxico. Nesse sentido, por exemplo, e se adiantando às determinações da resolução, a Henkel removeu o solvente inalante toluol da linha de adesivos de contato Cascola, que passou a fazer parte da empresa depois da compra da Alba Adesivos.

Em termos comerciais, a perspectiva também é de evolução. Para o presidente da Henkel, o ano de 2007 deve repetir o crescimento estimado de 4% de 2006. O aumento do consumo doméstico, sobretudo em embalagens, construção e automobilístico, explica o crescimento um pouco acima do PIB. Por outro lado, em comércio exterior, o Brasil registrou déficit na balança comercial de cerca de US$ 64 milhões em 2006, cerca de 35% a mais do que o registrado em 2005. O descompasso aí é principalmente com o Mercosul, com quem o Brasil possui um déficit na área de US$ 32 milhões. Mas a estimativa de Kampff é que essa situação se inverta no médio prazo, devido ao crescente esforço em aumentar as exportações brasileiras (em 2006, totalizaram US$ 26 milhões) e diminuir as importações (US$ 90 milhões), aproveitando o fato de o Brasil ser hoje o centro de excelência em adesivos da América Latina. “O cenário está muito favorável para o desenvolvimento dessa indústria”, aposta o dirigente.
 

 
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