PERSPECTIVAS 2007
Celulos e e Papel

Setor antecipa metas e
sobe no ranking mundial
dos produtores de celulose

Rose de Moraes

Em 2007, no lugar de 7º maior produtor mundial de celulose e papel, o Brasil deverá conquistar a 6ª posição. As 11,1 milhões de toneladas de celulose produzidas em 2006 deverão render ao País essa nova colocação no ranking mundial, premiando uma somatória de esforços empresariais.
 
As boas perspectivas não param por aí. Os investimentos maciços realizados pelos produtores para aumentar a produção e as exportações brasileiras de celulose e papel deverão frutificar cinco anos antes do previsto. As metas antes projetadas para 2012 deverão ser alcançadas já em 2007.
 
Além de comemorar o feito, o setor pretende expandir suas próprias fronteiras, discutir e delinear cenários futuros para dar maior sustentabilidade às metas de expansão previstas para daqui trinta ou quarenta anos.

Desde 1990, o País permanecia na 7ª posição entre os maiores produtores. Agora, de acordo com as projeções, deverá ultrapassar a produção do Japão, aproximando-se mais dos totais produzidos na Finlândia (12,6 milhões de t) e Suécia (12,1 milhões de t), mas tendo à frente ainda os grandes líderes: Estados Unidos (52,9 milhões de t), Canadá (25,3 milhões de t) e China (16,3 milhões de t).
Os dados foram divulgados durante o último balanço setorial realizado pela Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), em dezembro de 2006.

Cuca Jorge

Piva: setor aumentará os
investimentos em produção

O capital investido nos últimos dez anos, de US$ 12 bilhões, destinado a ampliar capacidades, possibilitou ao setor quadruplicar as exportações no período, mas a receita a ser colhida com as exportações de celulose e papel, totalizando US$ 4,3 bilhões, prevista para daqui a cinco anos, será alcançada até o fim de 2007.
Os resultados excepcionalmente positivos para a geração de divisas ao País estão sendo creditados ao esforço exportador dos empresários do setor e ao aumento do preço da celulose no mercado internacional.

A produção de celulose em 2006 registrou crescimento de 7,2% em relação a 2005. Em 2007, a expectativa é alcançar 5,9% de aumento na produção e 8,2% de crescimento nas exportações sobre os números do ano passado. Em papel, a produção em 2006, com 8,8 milhões de toneladas, registrou 1,8% de crescimento em relação a 2005. A previsão é fechar o ano de 2006 com um consumo aparente de papel de 7,7 milhões de toneladas, o que representaria 5,3% de crescimento em relação a 2005. Se confirmados, esses percentuais de crescimento indicarão aumento no consumo per capita brasileiro de papel de 1,6 kg por habitante. De 39,5 kg/habitante/ano em 2005, o per capita passará a 41,1kg/hab./ano em 2006.
No fechamento de 2006, a receita das exportações do setor de celulose e papel deverá ser de US$ 4 bilhões, contra os US$ 3,4 bilhões de 2005, contabilizando-se 17,5% de crescimento no período.

Em 2007, se confirmada a previsão de alcance de US$ 4,3 bilhões nas exportações, a expansão será da ordem de 6,3% sobre os resultados de 2006.
Os principais destinos das exportações brasileiras de celulose em 2006 foram Europa (50%), Ásia (29%) e América do Norte (20%). Já os papéis brasileiros em 2006 supriram a América Latina (49%), Europa (25%), Ásia (11%) e América do Norte (9%).

“O setor está consolidado. A nossa produção florestal e, conseqüentemente, a de celulose e papel são grandes vocações brasileiras. Graças ao clima propício, à extensão territorial e ao desenvolvimento tecnológico, temos assegurado, ao longo dos anos, uma posição de destaque e pioneirismo no mercado global”, considerou Horacio Lafer Piva, presidente do conselho deliberativo da Bracelpa.
Os investimentos constantes, não só na construção e expansão de fábricas, mas também voltados à valorização das atividades de pesquisa, ofereceram sustentabilidade às perspectivas de expansão. “Em 2006, demos continuidade ao programa de investimentos para o período entre 2003 e 2012, no valor de US$ 14,4 bilhões. Entre 2003 e 2006, foram realizados investimentos da ordem de US$ 3,5 bilhões”, acrescentou. Em 2007, o setor deverá concluir mais um aporte, de US$ 3 bilhões em investimentos, enquanto, no período compreendido entre 2008 e 2012, o valor anunciado será de US$ 7,9 bilhões.

Empossado há seis meses na presidência da Bracelpa, o empresário reconhece a importância dos resultados, mas também afirma não perder de vista os desafios que serão enfrentados pelo setor em 2007. “Devemos utilizar a força empresarial para eliminar os entraves atávicos que retardam o crescimento do País, tais como as deficiências de infra-estrutura, a excessiva carga tributária e a alta taxa de juros. Temos uma atribuição importante nessa missão de articulação com entidades congêneres, na busca de soluções que desobstruam o caminho do desenvolvimento”, enfatizou.

 
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