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A “marcha chinesa” tem elevado sua produção de cloro-soda brutalmente a
cada ano. De 2005 a 2006, o país ampliou a capacidade em 1 milhão de
toneladas, chegando ao total de 11 milhões de t. Em 2007, são estimadas
mais 700 mil toneladas. Já em faturamento, a indústria de cloro-soda da
China está na casa dos US$ 2,4 bilhões, cerca de oito vezes maior do que o
brasileiro, na casa dos US$ 350 milhões (vendas internas de 1 milhão de
toneladas). Essa tendência sinaliza para a sua breve liderança mundial do
mercado, o que está previsto para 2010, quando devem ultrapassar os
Estados Unidos, com participação em queda (em cerca de 14 milhões de t).
Aliás, a forma como os Estados Unidos reduziram seu market share global
deve servir como alerta para a indústria brasileira, segundo Luiz
Pimentel. Isso por causa de algumas semelhanças entre a realidade
norte-americana à época de seu declínio na cloro-soda com a que se inicia
no Brasil. Para começar, os 15% de produção descontinuada nos Estados
Unidos (por volta de 2 milhões de t de cloro e 2,2 milhões de soda)
equivalem aproximadamente ao volume antes exportado em forma de DCE, que
perdeu competitividade mundial com o MVC chinês. A mesma tendência, em um
grau menor e com a pequena vantagem de a demanda interna brasileira
suportar o deslocamento do volume exportado, pode se repetir no Brasil.
Ameaça da energia – O que mais deve colaborar para assemelhar
tristemente os cenários econômicos entre Brasil e Estados Unidos é o
quadro de suprimento de energia, fundamental para a indústria
eletrointensiva. Não se pode esquecer que a primeira causa do fechamento
das unidades de cloro-soda norte-americanas foi a alta no custo do gás
natural, principal matriz energética dos EUA. Pois bem, o mesmo problema
corre o risco de ocorrer no Brasil, que investiu muito pouco em geração
nos últimos anos, criando a expectativa de apagão para breve.
Avaliação do próprio governo,
por meio de um estudo do Ministério da Fazenda, alerta para a
possibilidade de colapso do sistema, caso o País cresça mais de 4% ao
ano entre 2008 e 2010. Segundo Luiz Pimentel, mesmo se a União
resolver cumprir seu plano de aceleração do crescimento (PAC) e
colocar em operação alguns investimentos em energia, a tendência ainda
é preocupante. Isso porque o governo sinaliza, por questões
ambientais, pela preferência em autorizar a construção apenas das
chamadas usinas hidrelétricas tipo “vaga-lume”, que não demandam
inundações e se baseiam em grandes reservatórios muito dependentes das
épocas de chuva. “Essa possível sazonalidade de abastecimento
preocupa, encarece a energia e não dá a confiança suficiente para os
investimentos da indústria eletrointensiva”, afirma.
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Cuca Jorge |
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Pimentel alerta: Brasil pode
seguir caminho dos EUA |
Apesar de os reservatórios atuais estarem bem abastecidos, em razão da
grande quantidade de chuvas nos principais rios supridores das
hidrelétricas, o ano de 2006 já demonstrou que as sobras de energia,
surgidas depois do racionamento de 2001, acabaram. Isso fez, segundo
Pimentel, os preços evoluírem de R$ 60 o MWh , no megaleilão de 2004, para
R$ 105 no último realizado no fim de 2006. E em oferta futura, o quadro
não parece ser mais animador. Uma união de carga tributária alta sobre as
tarifas com demora nas licenças ambientais e opção pelas usinas vaga-lumes
delineiam um futuro incerto para o setor investir.
Dessa forma, as únicas garantias do setor de cloro-soda são: suportar a
demanda de cloro de alguns anos com a migração do volume exportado para o
mercado interno, aproveitar as sobras ocasionadas pela extinção de uso em
branqueamento de celulose e em solventes clorados e, por fim, contar com o
aumento de produção declarado de dois produtores – a Carbocloro amplia em
100 mil t sua fábrica de Cubatão-SP e a Solvay acrescenta 40 mil t de
cloro-soda em Santo André-SP. Já investimentos mais vultosos, para o longo
prazo, apesar de necessários ao se guiar pelo crescimento anual do PVC e
do PU e pela previsão de crescimento do consumo aparente do cloro de 5%
neste ano, ficam seriamente comprometidos. O desempenho quase imbatível
dos chineses e a duvidosa capacidade de suprir de energia competitiva os
produtores nacionais estão aí para não negar a perigosa tendência de o
Brasil seguir o caminho americano.
Aliás, enquanto o cenário não se define, o déficit da soda cáustica
continua a crescer no País. Com o consumo explosivo na produção de
alumina, em novas usinas no Norte e Nordeste, e para a indústria de papel
e celulose, o descompasso atual é de cerca de 650 mil t/ano. E as
movimentações do mercado, segundo revela o presidente da Abiclor, tendem a
elevar o déficit para 1 milhão de t em 2009 (quase a produção nacional, de
cerca de 1,3 milhão de t). Mesmo com as pequenas ampliações em curso, e
que disponibilizarão mais 150 mil t de soda a partir de 2008, a previsão é
a nova oferta ser inteiramente consumida antes de entrar em operação.
Apenas as expansões no setor de alumínio demandarão mais 350 mil t de soda
em 2008 e as empresas de papel e celulose, mais 100 mil t no mesmo
período. |
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