PERSPECTIVAS 2007
Engenharia
química

Biotecnologia e cuidados
com meio ambiente quebram
paradigmas da atividade

Domingos Zaparolli

A engenharia química é uma atividade clássica, com 150 anos de existência. Surgiu em meados do século XIX, na Inglaterra e na Alemanha. Ganhou impulso nos Estados Unidos, no início do século XX. Tem como base três pilares: a matemática, a física e a química. Seu princípio é a transformação, em grande escala, da natureza química da matéria, visando a produção de bens que atendam aos interesses da sociedade. Ou seja, a engenharia química é uma atividade com seus alicerces consolidados. Ou será que não?
Quem levanta a dúvida é Marcelo Martins Seckler, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Química (Abeq). “Neste momento, os paradigmas da engenharia química estão sofrendo uma inflexão. As fronteiras tradicionais estão se diluindo e exigem uma nova postura profissional”, afirma.

Segundo o presidente da Abeq, novos conceitos e novas necessidades desafiam a engenharia química neste início do século XXI. A sustentabilidade ambiental ganha relevância no processo produtivo. “Não é mais possível pensar no uso dos recursos naturais sem levar em conta o impacto ambiental”, afirma categoricamente o engenheiro químico.

Cuca Jorge

Seckler: engenheiros devem
se preparar para empreender

Seckler levanta outra questão que também está influenciando diretamente na atuação do profissional do setor: a introdução de novos materiais ao processo produtivo, oriundos da nanotecnologia e da biotecnologia. A engenharia química se desenvolveu para atender às necessidades da indústria química clássica, à base de petróleo e minérios. Mas, no mundo atual, a biologia ganha força no contexto industrial.
“Já está na hora de incorporar a biologia como um quarto pilar a sustentar a disciplina da engenharia química, ao lado da física, da química e da matemática”, afirma o presidente da Abeq.

Outro ponto que abala os alicerces da atividade: a globalização, que traz em seu bojo a necessidade constante de inovação e empreendedorismo. Na opinião de Seckler, o engenheiro químico brasileiro deverá ainda agregar à sua formação essas duas novas exigências do mundo atual e difundi-las pelo País. Esse é mais um desafio dos novos tempos.
 

 
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