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PERSPECTIVAS 2007
indústria
de base |
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PAC sem reformas
nacionais
não garantirá crescimento
continuado da economia |
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Domingos
Zaparolli |
Existe um
consenso entre os industriais que atuam no Brasil: a baixa qualidade da
infra-estrutura afasta investimentos produtivos e inibe o crescimento da
economia nacional. O governo federal anunciou, na segunda quinzena de
janeiro, um pacote de medidas com o objetivo de reverter esse quadro. O
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como foi denominado, prevê
investimentos públicos e privados de R$ 503,9 bilhões em obras de
logística, energia, incluindo petróleo, habitação e saneamento. A questão
agora é saber se as medidas anunciadas são factíveis e suficientes para
alavancar o crescimento do País.
A Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib)
tem se dedicado à análise dos gargalos estruturais do País, visando
indicar caminhos para superá-los. As opiniões da associação sobre o
assunto são uma referência importante para quem precisa levar em conta o
chamado “Custo Brasil” na hora de planejar estratégias e investimentos
produtivos. Na Abdib, o PAC foi recebido com moderado otimismo.
“O PAC é um bom começo, e por si só já é um desafio. É um programa para
acelerar o crescimento, com medidas de cunho tributário, de regulação e de
planejamento de obras de infra-estrutura. São ações positivas, que
dependerão de muita eficiência na gestão e na implementação para
funcionar. No entanto, acreditamos que haverá um crescimento maior, mas
ainda insuficiente para o que precisamos. A taxa almejada de crescimento
do PIB – algo como 5% ou mais ao ano – ainda depende do governo e da
sociedade enfrentarem as reformas estruturantes, com melhoria e redução do
gasto público e modernização das leis tributárias, trabalhistas,
previdenciárias, judiciais e políticas. São as grandes reformas de que o
Brasil precisa”, afirma Ralph Lima Terra, vice-presidente-executivo da
Abdib.
As ponderações de Lima Terra a respeito da gestão do PAC se justificam.
Como lembra o diretor da Abdib, muitas das obras listadas como
prioritárias no programa já estiveram em outras carteiras de projetos
anunciadas pelo governo anteriormente. Para a associação, essa redundância
significa que essas obras, anunciadas e não executadas, não avançam por
falta de uma gestão eficaz.
“Hoje, há um verdadeiro périplo para que um empreendimento de
infra-estrutura saia do papel: imprevisibilidade no licenciamento
ambiental, ações judiciais impetradas pelos vencidos em processos de
licitação, falta de recursos, falta de estudos e projetos, entre outros
tantos. A gestão eficaz, projeto por projeto, precisa antecipar as
dificuldades”, avalia a diretoria da Abdib.
As reformas estruturantes citadas por Lima Terra também freqüentam há
algum tempo as listas de prioridades de governo, sem um avanço
significativo em suas soluções. Para completar o quadro de ponderações da
Abdib sobre o futuro do PAC, há uma análise sobre a participação da
iniciativa privada no programa. O governo federal trabalha com a hipótese
de que um pouco mais de R$ 200 bilhões do total previsto de investimentos
será alocado por empresas privadas. Mas esses aportes só ocorrerão na
proporção desejada, avalia a Abdib, se houver um ambiente de negócios
atrativo.
Não é o que ocorre no momento. Segundo a associação, os marcos
regulatórios e as regras de investimentos em diversos setores ligados à
infra-estrutura são incompletos, inadequados e instáveis. A legislação
tributária é complexa e onerosa, a carga de impostos é excessiva e as leis
trabalhistas dificultam a contratação formal de empregados. Para
completar, as agências reguladoras, criadas como instrumentos do Estado
justamente para melhorar o ambiente de negócios, estão na berlinda nos
últimos anos. “Não é de se estranhar que a iniciativa privada hesite em
fazer os investimentos necessários para o País,” diz o diretor da Abdib.
Crescimento baixo - Nos últimos vinte anos, a taxa de crescimento
da economia brasileira tem se limitado à faixa de 2% a 3% anuais, com
apenas algumas exceções para mais ou para menos. É um crescimento baixo se
comparado ao que ocorre nas economias mais dinâmicas. A média de
crescimento da Índia, por exemplo, é três vezes maior; a China cresce
cinco vezes mais rápido que o Brasil; a Rússia, duas vezes mais. Agora o
governo federal tem como meta fazer o Brasil crescer a uma taxa média de
5% ao ano.
Mas o magro desempenho brasileiro reflete um baixo nível de investimento
em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que na última década foi de
19,6%. No mundo, essa taxa foi de 22,1% no período, sendo que nos países
do Leste Europeu foi de 23,9% e, entre os países emergentes asiáticos,
chegou a 32,6%.
Um estudo realizado pela Abdib, porém, indica que, para o Brasil crescer
de forma sustentável, ou seja, a longo prazo e sem inflação, governo,
estatais e a iniciativa privada precisam realizar, por diversos anos
seguidos, investimentos de R$ 87,7 bilhões anuais em infra-estrutura. Isso
está longe de acontecer.
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