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Álcool |
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Futuro do agronegócio
está no combustível
extraído do canavial
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Domingos Zaparolli |
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Parque sucroalcooleiro nacional não pára de
crescer |
A indústria do etanol de cana-de-açúcar cresce em ritmo chinês. Desde
2000, a média de expansão do setor é de 9,9% ao ano. Em 2006, o
crescimento foi ainda maior, chegou a 13,3%, com uma produção de 17,75
bilhões de litros de etanol. Os dados são da consultoria especializada no
setor sucroalcooleiro Datagro. Os números que mais impressionam, porém,
são as projeções sobre a expansão do setor nos próximos anos. A
expectativa, informa o consultor Plínio Nastari, presidente da Datagro, é
de que a produção brasileira dobre, chegando a 35 bilhões de litros ao ano
em 2013.
O mais surpreendente é que
esse é o cenário tido como conservador, um crescimento moldado para
atender principalmente à demanda do mercado interno, vitalizado com o
sucesso dos carros flex fuel. Nas contas de Nastari, que são quase um
consenso no mercado, o consumo brasileiro deve chegar aos 28 bilhões
de litros em 2013. E outros 7 bilhões de litros devem ser produzidos
aqui, tendo como destino o mercado externo, o dobro do volume
exportado atualmente. Já o cenário otimista leva em conta a
possibilidade de uma maior internacionalização do etanol, com a
abertura de novos mercados na Europa e na Ásia.
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Cuca Jorge |
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| Nastari prevê produção nacional de 35 bilhões de litros em 2013 |
Mas o maior impulso viria dos Estados Unidos, que aumentariam sua
aquisição de álcool brasileiro (de 2,7 bilhões de litros em 2006) para
atender à sua crescente demanda por etanol.
Nesse cenário, investidores estrangeiros, principalmente norte-americanos,
desembarcariam no Brasil com projetos de produção dedicados exclusivamente
para a exportação. “Se isso ocorrer, teremos uma segunda onda de
investimentos, além da que já está programada”, diz Antônio de Pádua
Rodrigues, diretor técnico da União da Agroindústria Canavieira de São
Paulo (Unica). O potencial de produção para fazer frente à esta segunda
onda é de 100 bilhões de litros, calcula Pádua Rodrigues.
Qualquer um dos dois cenários representa uma enxurrada de investimentos e
oportunidades para fornecedores de toda a cadeia produtiva do álcool de
cana-de-açúcar. Em dezembro de 2006, o número de usinas em operação no
Brasil era de cerca de 357. Nastari avalia que, apenas para realizar a
produção prevista no primeiro cenário, de 35 bilhões de litros ao ano em
2013, será necessário que 181 novas usinas, com capacidade média de
processamento de 1,5 milhão de toneladas de cana por safra, sejam
acrescidas ao parque produtivo brasileiro. Os investimentos necessários
são estimados em US$ 19 bilhões, sendo US$ 11,8 bilhões apenas no parque
industrial.
José Luiz Olivério, vice-presidente da Dedini, a principal referência
mundial em equipamentos para produção de álcool de cana, informa que chega
a 43 o número de usinas em fase de montagem no Brasil atualmente. Além
destas, existem 55 projetos de novas usinas que já receberam o sinal verde
dos investidores para serem iniciadas.
Nessa conta Olivério só registra usinas com localização e especificações
técnicas definidas e com a produção agrícola já em fase de implantação.
“São projetos certos, que estão num ponto de maturação onde dificilmente
haverá retorno”, afirma o executivo. Outros 189 projetos de usina se
encontram em fase de consulta. Olivério não soma aí os contatos prévios,
sem pedido formal de um primeiro orçamento.
O interesse pelo investimento na produção de etanol também pode ser medido
pelo balanço do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES). As liberações de recursos para projetos no setor passaram de R$
580 milhões em 2004 para R$ 1,089 bilhão em 2005 e somaram R$ 2,018
bilhões no ano passado. Para este ano, a previsão é de um desembolso de R$
2,5 bilhões. A carteira de investimentos do banco soma 62 operações no
setor, entre projetos já em andamento e pedidos de financiamento
formalizados.
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