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Oferta de MBR, até mesmo versões nacionais, crescem para atender clientes mais avançados Marcelo Rijo Furtado
Não será por falta de oferta que o mercado brasileiro de tratamento de efluentes deixará de dar um passo importante para se desenvolver tecnologicamente e diminuir seu gap com os países mais avançados. A tecnologia considerada o estado-da-arte para tratar e recuperar efluentes industriais e domésticos – os biorreatores a membranas, ou MBRs (do inglês membrane bio-reactors), que agregam as técnicas de micro ou ultrafiltração ao tratamento biológico – está hoje disponível no Brasil por intermédio de todos os principais produtores globais, empenhados na difusão do sistema por meio de suas subsidiárias ou de seus licenciados. E o melhor: duas empresas nacionais começam a ofertar alternativas próprias para a tecnologia, produzindo membranas e projetando sistemas sem depender do know-how estrangeiro. Essa oferta em massa não é fortuita. As perspectivas para o MBR, tanto no mundo como no caso específico do Brasil, contam com vários pontos a favor. A começar por suas vantagens técnicas, que deixam o sistema convencional de lodos ativados parecer uma tecnologia bastante simplória. Ao integrar em um mesmo tanque ou em um sistema interligado a etapa biológica, na qual os microrganismos do efluente degradam a matéria orgânica, com a separação de fases por membranas, as quais retêm sólidos suspensos, bactérias e vírus do meio, o biorreator a membranas produz um permeado de boa qualidade físico-química e microbiológica, apropriado para reúso. E isso em uma área dez vezes menor que a do tratamento convencional, sem decantadores e nem grandes áreas para a etapa biológica, tendo em vista que o biorreator ganha extrema eficiência com a capacidade de retenção de contaminantes das membranas. A única demanda do MBR, que dispensa quase totalmente o uso de químicos (apenas nas limpezas esporádicas das membranas), é um gradeamento ou peneiramento primário para remoção de sólidos grosseiros. Mas “apenas” contar com vantagens técnicas, para um mercado que muitas vezes não está disposto a pagar mais e outras vezes não precisa de um efluente de melhor qualidade, não é suficiente, no curto prazo, para justificar as boas expectativas notadas hoje em relação ao MBR. São necessários motivos mais imediatos para explicar o fato de este mercado crescer a uma média de 11% ao ano, significando vendas totais por volta de US$ 240 milhões em 2006 e com perspectiva de chegar a US$ 360 milhões em 2010, segundo estudo da consultoria americana Business Comunications Company. A explicação mais imediata, além do esforço global de vendas das companhias, é a queda de custo dos sistemas, impulsionada não só pela maior escala como pela forte concorrência em formação por todo o mundo. Cada vez mais empresas lançam novos equipamentos, e até mesmo tipos de membranas antes restritos a uma ou duas empresas começam a contar com outros competidores. Essa realidade, aliás, deve se replicar no Brasil, a despeito de o País ainda ser um mercado pequeno em comparação ao mundo desenvolvido. E isso não só por causa da atuação local de todos os grandes competidores internacionais, empresas como GE , Koch, Kubota, Siemens, Norit, Toray e Dow, que se iniciam em disputas e concorrências, forçando uma redução nas margens de lucro. Mas também em virtude da incipiente, porém promissora, atuação de empresas nacionais no ramo, com grande potencial de oferecer soluções de menor custo do que as importadas.
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