Tratamento de superfície

Opinião semelhante apresenta Ca­rlos Arthur do Nascimento, supervisor técnico da Coventya. O executivo, no entanto, aponta uma tendência que também tem o poder de reduzir o impacto ambiental em processos de plating e que começa a ganhar fôlego entre os aplicadores brasileiros, a instalação de equipamentos no processo, como filtros, evaporadores e sistemas de reciclo de água de lavagem, capazes de recuperar os insumos e evitar desperdícios. “É uma solução que não é nova, a Conventya e outras empresas oferecem há anos, mas que só agora começa a ter uma forte aceitação no país, com a maior conscientização em relação à necessidade de economizar insumos e diminuir o impacto ambiental da operação, reduzindo os descartes”, afirma Nascimento.

Nanotecnologia – Já no segmento de pré-tratamento de superfície, o principal movimento em curso é o da substituição de processos tradicionais de fosfatização, à base de fosfato de ferro, metal pesado que demanda elevados gastos em tratamentos de efluentes. A iniciativa mais bem-sucedida no momento é

a da Henkel, líder mundial deste segmento de mercado, que em 2005 introduziu a linha Bonderite, desenvolvida por meio de pesquisas em nanocerâmica e que utiliza compostos químicos à base de fluorziconia para o tratamento de metais.

Como relata o gerente de vendas da Henkel, Mauro Duarte, no Brasil já são 24 clientes e 40 linhas produtivas que adotam o processo. Os principais usuários estão entre fabricantes de eletrodomésticos, equipamentos agrícolas e de produtos para a construção civil. “Imaginamos que em cinco anos, nestes segmentos de mercado, a fosfatização terá sido completamente substituída por processos desenvolvidos com nanotecnologia”, diz o executivo.

A grande expectativa entre os fornecedores de processos químicos é a conversão da indústria automobilística. Neste sentido, a Henkel deu um

Cuca Jorge

Duarte: nanotecnologia dominará pré-tratamento

importante passo no início de 2008 com o lançamento da tecnologia TecTalis, uma adaptação do Bonderite para as necessidades do setor automotivo. A tecnologia TecTalis, informa Duarte, também utiliza a nanotecnologia em um sistema de fluoriconia que substitui o processo de zinco fosfato. Segundo o executivo, outro benefício do Bonderite e do TecTalis é que o tratamento de superfície é realizado a frio, o que gera economia de energia e também reduz etapas do processo de banho, agilizando a aplicação.

Até o final do ano, informa Duarte, a Henkel deverá lançar outro processo de tratamento de superfície, desta vez voltado para aplicações em alumínio. “Ainda não podemos adiantar detalhes do novo processo, mas a expectativa é de que ele gere um grande impacto no mercado”, afirma o executivo.

Silano - Outra empresa que também trabalha no intuito de viabilizar comercialmente um processo de tratamento de superfície isento de metais pesados é a Chemetall, que desenvolveu, também com suporte da nanotecnologia, o Oxsilan, à base de silano. No Brasil, a solução encontra-se em cinco clientes, com atuação nas áreas de compressores, refrigeração para supermercados e autopeças. A

expectativa na empresa, porém, é de que o Oxsilan realmente decole quando houver a homologação do processo por indústrias automobilísticas, fato que ainda não ocorreu.

O silano, contudo, é uma alternativa que se fortalece no mercado de tratamento de metais. “O tratamento com silano é uma alternativa tanto ao cromo como à fosfatização, principalmente para empresas com preocupação sobre o impacto ambiental de suas atividades”, diz Beatriz Zaki, coordenadora de negócios da Evonik. Há um ano, a Evonik desenvolveu uma especialidade química para o setor com base no insumo, o Sivo Sol, que agora chega ao Brasil. A novidade do produto, como relata Beatriz, é justamente sua característica de amigável ao meio ambiente, por não contar com metais pesados, ser base água e apresentar baixo VOC. Outra vantagem, informa a executiva, é a redução de etapas dos processos de banho.

Cuca Jorge

Beatriz: silanos protegem metais e o meio ambiente

O Sivo Sol exige cura a altas temperaturas. Os métodos de proteção da superfície adequados para a tecnologia, informa a Evonik, são: KTL, ferro fosfatização, fosfatização com zinco, g alvanização por spray ou imersão, proteção com tintas à base de silicato de zinco, sistemas duas camadas: zinco/Cr VI ou zinco/Cr III.

Cerâmicas não-oxidas - Uma alternativa de tratamento de superfície que também chega ao Brasil, mas, neste caso, voltada para aplicações onde se exige uma elevada performance, são as soluções com cerâmicas especiais. A responsável pela apresentação do revestimento ao mercado local é a Sealine, empresa que representa a alemã ESK, subsidiária da norte-americana Ceradyne. Como define Canisio Wagner, diretor da Sealine, o tratamento com cerâmicas não-oxidas é adequado para aplicações onde o metal está exposto a situações extremas, mas que se exige alta confiabilidade, como, por exemplo, em partes de equipamentos industriais, como roscas extrusoras, surfatadores, debulhadores, esferas e componentes de válvulas ou em ferramentas, moldes de vidros e engrenagens automotivas.

O principal material cerâmico utilizado em sistemas de tratamento de superfície, informa Wagner, é o carbeto de boro, “o terceiro material mais duro conhecido, atrás apenas do diamante e do nitreto de boro cúbico”. Segundo o executivo, o tratamento com o material substitui com larga vantagem processos de cromação, nitretação e carbonetação. “Ao transferir as propriedades da cerâmica para a superfície do metal é possível obter uma alta resistência ao desgaste e à corrosão e ainda ter uma superfície com baixa coeficiência de fricção, exigindo pouca lubrificação”, afirma Wagner.

O executivo relata que há três formas de aplicação do carbeto de boro, com spray térmico, com spray de plasma ou pelo processo termoquímico de boretação, onde a difusão do boro ocorre em temperaturas de 800ºC a 1.000ºC e é possível obter graus de dureza de até 2.800 HV. Wagner relata que os tratamentos de superfície são considerados economicamente viáveis, para aplicações de alta performance, desde o final dos anos 80 na Europa, mas que só em meados dos anos 90 ganhou impulso.

No Brasil, porém, ainda é uma novidade. “No momento, temos alguns potenciais clientes finalizando processos de avaliação do sistema”, afirma Wagner. O problema, é claro, é o preço. O custo do tratamento de superfície com carbeto de boro, como informa o executivo, é até 30% mais caro que a alternativa com nitretação. “O carbeto de boro, porém, apresenta performance muito superior e taxas de toxicidade muito baixas”, diz Wagner.

Buscar uma maior resistência à corrosão por meio de compósitos que unam metal e cerâmica também pode ser uma solução eficiente, informa Wagner. Porém é uma solução cara, onde, dependendo da composição do compósito, pode-se chegar a um custo quatro vezes superior ao do inox. Portanto, informa o executivo, é uma solução restrita para aplicações que exigem uma performance muito alta, como posições em bombas e válvulas que trabalham em contato direto com ácidos, líquidos ou gases extremamente agressivos.

Introduzir inovações no mercado brasileiro de tratamento de superfícies não é uma tarefa fácil. Em 2005, a equipe do professor Luiz Roberto Miranda, da Coordenação de Pós-graduação de Engenharia da Universidade do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ), desenvolveu um processo de niobização, que é a aplicação de nióbio como revestimento anticorrosivo. Além da boa performance mecânica, o processo é de baixo impacto ambiental, uma vez que o nióbio não é considerado um metal pesado. O processo desenvolvido pela equipe de Miranda conseguiu patente internacional, mas até agora ainda não foi estabelecido nenhum contrato com uma empresa interessada em explorar comercialmente a patente. “Estamos buscando a homologação da solução pela Petrobras. Quando isso ocorrer, aí sim não faltarão interessados”, acredita o professor.

 

 

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