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Melhorias – Apesar de já terem sido muito comercializados na Ásia,
anteriormente à aquisição da Omex pela Dow, em nível mundial os EDIs da Dow
são objeto apenas recente do esforço de vendas do grupo. Daí a previsão para
breve de alguns aperfeiçoamentos do produto para adaptá-lo à nova
estratégia. O principal deles, explica Simionato, é preparar os módulos para
operação ideal em sistemas de osmose reversa de simples passo. Isso porque,
atualmente, para atingir o nível de recuperação de água de até 95%, o
recomendado é a operação com duplo passo (dois trens seguidos de membranas).
“Com o simples passo, a recuperação da EDI chega a uma média de 80%, o que
reduz a competitividade do sistema em comparação ao leito misto de resinas,
que recupera até 100% da água”, diz.
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O
aperfeiçoamento dos novos módulos, segundo Simionato, visa a atender a
uma realidade em que cerca de 75% das instalações de osmose reversa do
mundo são de simples passo. O projeto já está em fase de testes na
China e em breve deve ser apresentado ao mercado. Prontos, os novos
EDIs passarão a ter cinco anos de garantia também quando a
desmineralização for de simples passo (hoje isso só é garantido ao
duplo passo), em vez dos três anos atuais.
É bom ressaltar que chegar ao ponto ideal significa principalmente
investir em um módulo que suporte na operação teor de dureza maior do
que as especificações atuais, que hoje determinam valores menores ou
iguais a 0.5 ppm de carbonato de cálcio para garantir recuperação de
90% ou de 95%, caso o parâmetro caia para 0 ou 0.1 ppm de CaCO3. “A
dureza muito baixa normalmente precisa do duplo passo ou, algumas
vezes, |
Cuca Jorge

Simionato: em breve
módulos da
Dow terão novas versões |
de um abrandador
anterior ao EDI”, diz Simionato. Outro parâmetro importante é permitir
operação com um total de ânions (TEA, incluindo CO2) maior do que os atuais
limites de 25 ppm, para água com resistividade maior do que 5 megaohm/cm, ou
de 8 ppm para atingir água de 15 megaohm/cm (a considerada melhor água
ultrapura é a de 18 megaohm/cm, adotada por exemplo pela indústria
microeletrônica).
Primeiras vendas – A novidade das vendas mundiais dos sistemas de
origem chinesa, os quais passarão em breve a se chamar Dow EDI (assim como
as membranas de ultrafiltração serão Dow Ultra), não impediu que os
primeiros sistemas já fossem comercializados no Brasil pela primeira OEM
licenciada, a Fluid Brasil. De acordo com o diretor José Eduardo Rocha, dois
projetos foram fechados com usinas sucroalcooleiras e um com produtora de
negro-de-fumo.
As duas primeiras são para tratamento de água de caldeiras de alta pressão
para co-geração de energia: no grupo Nova América, em Carapó-MS, e na Usina
Santa Vitória, em Santa Vitória, no Triângulo Mineiro, onde será instalado
um pólo alcoolquímico, cuja usina produzirá etanol para a fabricação do
chamado polietileno “verde”, em consórcio da própria Dow com o grupo
Crystalsev. Já o projeto da Cabot, em Mauá-SP, contempla unidade de osmose
reversa com polimento em EDI, com vazão de 36 m3/h, para alimentar caldeira
de 90 t de vapor por hora, com partida prevista para março de 2009.
O projeto na Usina Nova América (produtora do Açúcar União) terá sistema de
EDI com capacidade de 60 m3/h. Sua escolha para polir a água vinda de uma
osmose reversa de simples passo, que desmineraliza água de poço para
alimentar caldeira de 70 bar de pressão, foi fundamentada, segundo Rocha,
para minimizar dois impactos negativos avaliados no custo operacional do
sistema. Por ser instalada em uma região distante dos centros
industrializados, a empresa optou pelo EDI por considerar caras a logística
para transportar produtos químicos (para regeneração de um leito misto de
resinas) e a manutenção de mão-de-obra especializada para operar os
sistemas. “Por ser auto-regenerante [e só demandar limpezas químicas
semestrais ou anuais], o sistema diminui o custo de transporte de produtos
químicos. E por ser 100% automático, dispensa mão-de-obra intensiva e
especializada”, explicou Rocha.
Já o fornecimento para o pólo alcoolquímico, denominado Projeto Cabana, será
de importância ainda maior, principalmente por se saber que ele atenderá a
considerada maior usina do Brasil, cuja produção total chegará no fim do
projeto em 2011 a 8 milhões de toneladas de cana moída por ano. Dividida em
três fases (2009, 2010 e 2011), durante as quais serão construídas três
caldeiras de alta pressão (com 100 bar e temperatura de operação de 540ºC)
para co-geração de energia, a obra demandará sistemas próprios de água que,
segundo Rocha, privilegiarão o uso de tecnologias limpas. No caso dos seus
fornecimentos, contemplarão linhas que começam com unidade de ultrafiltração
(para tratamento orgânico de água de superfície), osmose reversa e polimento
por EDI. A previsão, em EDI, é a instalação, em cada uma das fases, de dois
módulos para polir um total de 120 m3/h.
Satisfeito com os primeiros fornecimentos, a ser entregues ainda neste ano
(a primeira fase da Santa Vitória dará partida em fevereiro de 2009), Rocha
acredita ainda conseguir fechar até mais três vendas de EDI até o fim do
ano. Isso principalmente porque o setor sucroalcooleiro passa por um
processo de profissionalização inédito e também em razão da entrada de
grupos de peso no mercado, como Odebrecht, Promon e Brenco (Companhia
Brasileira de Energia Renovável). Na sua opinião, isso torna a conversa mais
tecnológica e, de certa forma, incentiva o uso de sistemas limpos, como é o
caso da eletrodeionização.
O de placas – O outro competidor com interesse em vender EDI para
polimento de desmineralização é a GE Water and Process Technologies. Seu
produto é o EDI por placas (plate and frame) E-Cell, originário de empresa
adquirida recentemente, a Ionics, cujo conceito lembra a engenharia de um
trocador de calor, com múltiplas câmaras de membranas unidas entre eletrodos
por compressão e afixadas por parafusos especiais. A versão, aliás, segundo
explica Massimiliano Santavicca, do desenvolvimento de negócios da GE, foi
até aperfeiçoada depois da compra. Antes, os stacks (módulos) E-Cell eram os
denominados MK-2, com limite de operação com teor de sílica de 0,5 ppm.
“Hoje trabalhamos principalmente com a versão MK3, mais tolerante, que
permite operações até 1 ppm de sílica”, diz Santavicca.
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Além da
diferença de conceito em relação ao sistema tubular em espiral da Dow,
a GE também se difere da concorrente por fornecer os skids, ou seja, a
engenharia do processo (o que a Dow fará apenas na China, onde
tradicionalmente a Omex também produzia os skids). Segundo Santavicca,
a empresa fornece sistemas de 30 a 100 m3/h e tem condições de atender
às demandas microeletrônicas e farmacêuticas (o da Dow ainda não tem
aprovação para esta última aplicação). Aliás, no Brasil, os
eletrodeionizadores da GE estão instalados em todos esses tipos de
indústrias. Seriam, de acordo com Santavicca, cerca de cinco
equipamentos: um deles em farmacêutica (Merck Sharp and Dohme), em
usinas termoelétricas para polimento de desmi e na primeira unidade de
semicondutores do Brasil, a Ceitec, em Porto Alegre-RS (ver QD-458),
onde o EDI E-Cell assegura água com grau de pureza extremado, o que
significa os seguintes valores |
Cuca Jorge

Santavicca também
tenta vender para usinas de etanol |
típicos:
resistividade maior ou igual a 18,2 megaohm.com, sílica dissolvida e TOC
menores do que 1 ppb, sílica total menor do que 3 ppb, além de cloretos e
sulfatos abaixo de 20 ppt; e sódio, cálcio e magnésio inferiores a 5 ppt.
Apesar desses fornecimentos, alguns deles anteriores à operação da GE (caso
das térmicas, comercializadas pela Ecolochem, posteriormente adquirida),
Santavicca acredita que o grande filão para o mercado será o setor
sucroalcooleiro, com sua demanda nova por caldeiras de alta pressão. “A
tecnologia já é competitiva quando comparada com o leito misto em simples
passo de osmose reversa. E com o tempo vai ser também com o duplo passo”,
confia o executivo. Mesmo sabendo que o mercado farmacêutico também está em
rota de crescimento no Brasil, a GE decidiu vender equipamentos apenas para
vazões acima de 30 m3/h, o que dificilmente ocorre nesse setor. Já as usinas
se encaixam perfeitamente nesses planos, ainda mais quando se sabe do
interesse da empresa de vender os circuitos completos de água de seu
portfólio, que incluem ainda a ultrafiltração e a osmose reversa. “Esse
setor está ávido por tecnologias limpas e modernas”, revela.
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Para
fármacos – Se a GE não tem interesse pelo mercado farmacêutico, a
terceira concorrente do segmento de eletrodeionização pensa o
contrário. A alemã Siemens, também detentora de tecnologia no mesmo
princípio de placas (plate and frame), acredita ser esse um dos seus
focos principais no Brasil.
Segundo o gerente de vendas Antonio Carlos Palma, a idéia é ampliar os
negócios dos sistemas CDI-LX, disponíveis em módulos com 10 ou 24
células, na indústria farmacêutica, em franca expansão no Brasil.
“Muitas querem se transformar em centros de exportação e para isso vão
precisar de unidades mais técnicas para a produção de água UPW e WFI”,
diz o gerente.
Palma acredita que a Siemens conta com menos de uma dezena de unidades
desse tipo instaladas em indústrias farmacêuticas internacionais, com
destaque para a Johnson & Johnson, Sanofi, Boehring e Baxter. A maior
parte delas vendida no passado recente |
Divulgação

Módulo da Siemens segue
conceito plate and frame |
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pela filial
da US Filter, empresa adquirida pela Siemens há dois anos. “Mas já
estamos aumentando as propostas e preparando o pós-venda para suportar
o atendimento extremamente técnico desse negócio”, diz. Essa
especificidade do fornecimento, aliás, impede por enquanto que a
filial da Siemens pense em nacionalizar a construção dos módulos. “O
nível de documentação para a fabricação dos sistemas é muito alto e,
por isso, compensa manter a produção total do equipamento na fábrica
americana [Lowel]”, completa Palma.
Além dos sistemas para vazões maiores na indústria farmacêutica, a
Siemens conta ainda com linha para aplicações em nível laboratorial,
originária da Ionpure (uma das empresas da US Filter). Trata-se aí de
sistema tubular, similar ao da Dow, mas voltado para aplicações
menores e em série. Nesse caso, porém, segundo explicou Palma,
no |
Cuca Jorge

Palma: foco, por
enquanto, na indústria farmacêutica |
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Brasil a
Siemens pretende deixar as vendas a cargo de uma rede de
distribuidores já responsável por essas transações comerciais. “Só a
partir de 500 litros por hora, a Siemens local passa a ter interesse
em comercializá-los diretamente”, diz.
Ocorre, porém, que um desses distribuidores no Brasil, a Gehaka, de
São Paulo, vem comercializando skids de EDIs com cartuchos Ionpure
para vazões maiores em relação às que no passado se acostumou a
fornecer como empresa especializada em equipamentos para laboratórios
e farmácias de manipulação. Na última feira FCE Pharma, em São Paulo,
de 27 a 29 de maio de 2008, |
Divulgação

O EDI da Siemens atende
aos mercados farmacêuticos e microeletrônicos |
a empresa
demonstrava com destaque um skid de EDI com a tecnologia da Ionpure com
capacidade para 500 litros por hora.
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Aliás, a
responsável pela divisão de purificadores de água da Gehaka, Daniela
Fonseca, comemorava no estande o sucesso da nova estratégia da empresa
de ampliar o fornecimento dos EDIs para maiores vazões (ver QD-458).
Para começar, segundo ela, o Instituto Vital Brazil, do Rio de
Janeiro, comprou para a produção de água UPW um equipamento de 500 l/h
para substituir um antiquado sistema de destilação. E não foram só
esses fornecimentos: a Farmanguinhos comprou outro similar para
produzir UPW de medicamentos; a Farmagrícola para WFI (water for
injectables) de medicamentos veterinários; além da internacional |
Cuca Jorge

Daniela: boas vendas de
EDIs da Ionpure/Siemens |
Wyeth-Whitehall,
que comprou o maior deles, para 1.500 l/h. E essas vendas, de acordo com
Daniela, são resultado do contrato de exclusividade dado pela matriz da
Ionpure nos Estados Unidos.
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