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Vendas de aditivos superam US$ 1 bilhão

O
mercado de aditivos e ingredientes para alimentos está crescendo em um ritmo de 12% ao ano e a estimativa é de que em 2008 ultrapasse a marca de US$ 1 bilhão em negócios no Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Ingredientes e Aditivos para Alimentos (Abiam). Quem esteve presente na 14º edição da Food Ingredients South America (FISA), realizada em junho em São Paulo, pôde constatar que o dinamismo deste mercado não está apenas nas vendas, mas também se encontra na inovação.

As equipes de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos das empresas do setor trabalham em três frentes principais: conferir aos alimentos características mais saudáveis, aumentar o tempo de vida útil dos produtos e, como não poderia deixar de ser, proporcionar aos consumidores novas sensações ao saborear um alimento.

Esta última característica, aliás, garantiu à Gelita RTE-ICE o prêmio de ingrediente mais inovador do ano no Fi Awards, conhecido como o “Oscar” da indústria alimentícia. O produto é uma cobertura de gelatina para picolés extrusados (cremosos) em base água ou leite. A gelatina RTE-ICE, que pode conter suco de frutas, ainda agrega benefícios como ausência de gordura e baixa caloria. Como toda gelatina, é fonte de colágeno. Mas, como informa Cláudia Yamana, a executiva responsável pelo departamento de marketing e vendas da alemã Gelita na América do Sul, o grande apelo do novo produto “é a sensação única que fica na boca, resultante da união da gelatina com o picolé”. A expectativa da empresa, diz Yamana, é de conquistar 10% do mercado de sorvetes extrusados em dois anos.

A RTE-ICE não foi a única inovação apresentada pela Gelita na FISA. A empresa também aproveitou a feira para lançar o Gel-Slice, um ingrediente capaz de transformar molhos em uma pasta possível de ser fatiada. O foco é o mercado de pratos prontos congelados. Hoje, como informa Yamana, produtos como sanduíches e pizzas congeladas, por limitação técnica, são oferecidos aos consumidores sem nenhum ou com pouco molho, uma vez que o molho torna o pão ou a massa úmida. No formato gel, o molho mantém uma consistência seca que só derrete quando levado ao forno.

A busca de inovações é uma ação contínua na Gelita, como relata Yamana. A meta são cinco lançamentos por ano. A empresa, que é líder mundial em gelatinas, conta com dois laboratórios de pesquisas, sendo um na Alemanha e outro no Brasil, mais precisamente em Cotia, no interior paulista. Foi o laboratório brasileiro o responsável pelo desenvolvimento da premiada gelatina RTE-ICE e do Gel-Slice.

Também é brasileira uma das principais inovações introduzidas recentemente pela Gelita no mercado de chocolates, o Instant Gel Schoko, uma gelatina modificada que substitui a manteiga de cacau no chocolate, proporcionando uma redução de 25% na gordura do doce. O ingrediente foi lançado em 2006, também sendo finalista no Fi Awards. O produto já é utilizado nas linhas de chocolates light da Arcor, da Kopenhagen, da Araucária e também no ovo de chocolate ao leite Taeq, do grupo Pão de Açúcar, eleito o alimento mais inovador do ano. Segundo Yamana, a expectativa da Gelita é de que o Gel Schoko seja incorporado em 25% do mercado brasileiro de chocolates em um prazo de quatro anos. Além disso, já há negociações avançadas com clientes nos Estados Unidos, Europa e Ásia. “É um produto que proporciona ‘saudabilidade’ aos alimentos, é o que todo mundo quer hoje”, diz a executiva.

Produtos saudáveis - A oferta de ingredientes que agreguem características saudáveis aos alimentos também é o foco principal de atuação da Clariant no setor. A empresa, conhecida globalmente como produtora de especialidades químicas, tem no setor de alimentos uma característica diferente: ela atua apenas na América Latina e como representante comercial. “Iniciamos nesse mercado há décadas para atender às necessidades de uma antiga empresa coligada, a Nutrinova. Construímos uma grande rede de clientes e continuamos no setor, mesmo depois de reformulações nos negócios, que romperam nossos vínculos organizacionais com a antiga coligada”, relata Mário Zampollo, gerente de vendas para a América Latina da Divisão Functional Chemicals. Além da Nutrinova, a Clariant representa fornecedores de aditivos e ingredientes como Beneo-Remy, Texda, JRS, Kalle e Sudamfos. Recentemente, a empresa fechou contrato de parceria com mais dois fornecedores, a PureCircle e a Procter & Gamble, negócios que permitiram à Clariant apresentar dois novos produtos na FISA, ambos com potencial de gerar grande impacto em seus respectivos mercados.

Um dos lançamentos no mercado brasileiro é o adoçante rebaudiosídeo A, produzido pela PureCircle, na Malásia. O adoçante é natural, extraído da folha de estévia, uma planta nativa paraguaia, mas que está sendo produzida em larga escala na China. Segundo Zampollo, o adoçante apresenta três grandes vantagens. A primeira é um perfil de dulçor muito semelhante ao da sacarose, garantindo a manutenção do paladar original dos alimentos. O adoçante é isento de calorias. A terceira vantagem é um poder adoçante 300 vezes maior que o do açúcar.

Em um primeiro momento, informa Zampollo, o adoçante será voltado para os produtos das linhas light e diet. “Acreditamos que o produto tem potencial de substituir 25% dos adoçantes atualmente utilizados nestes segmentos”, afirma o executivo. Mas a expectativa é de que o adoçante receba autorização do Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, para uso irrestrito, ampliando significativamente o leque de aplicações. “Grandes empresas globais de bebidas e alimentos já demonstram interesse em migrar para o adoçante e só esperam o sinal verde dos reguladores”, afirma Zampollo.

O outro produto apresentado pela Clariant na feira foi o olestra Olean, da Procter & Gamble. Olestra é um substituto de gorduras e óleos obtido do éster de sacarose, que apresenta, como grande vantagem, a manutenção do sabor original dos alimentos, mas com isenção de calorias, gorduras saturadas e gorduras trans, uma vez que ele não é quebrado pelas enzimas pancreáticas e nem absorvido pelo trato gastrintestinal. O produto, há quinze anos no mercado americano, porém, é questionado por cientistas que afirmam que o seu uso em excesso pode inibir a absorção pelo corpo humano de nutrientes e vitaminas, como A, D, E e K. Recentemente, a autoridade sanitária brasileira, a Anvisa, referendou a posição da norte-americana FDA e liberou o uso no país, mesmo caminho adotado pelas autoridades russas. Na Clariant, a expectativa é de que o Olean substitua 30% do consumo de óleo e gorduras na indústria brasileira de alimentos em um prazo de cinco anos.

Alternativas à gordura - A redução da gordura nos alimentos é uma das preocupações da indústria do setor, e não é por menos. Como relata a Clariant, em seu informe de imprensa, as estatísticas do Ministério da Saúde apontam que 40% dos adultos brasileiros estão acima do peso, principalmente por causa da ingestão excessiva de gorduras que podem causar, além da obesidade, hipertensão. Ingredientes para substituir essas gorduras também foram o foco da norte-americana Fibestar na FISA 2008. A empresa foi criada há quatro anos na Flórida para produzir um produto inovador, o Citri-fi, uma fibra natural obtida da fibra da laranja, capaz de substituir até 50% das gorduras dos alimentos e, como informam seus fabricantes, sem alterar nenhuma característica sensorial. O produto pode ser aplicado tanto em carnes, embutidos, como na produção de massas e pães.

Dante Sioli, o representante da Fiberstar no Brasil, afirma que o ingrediente “reduz drasticamente” as calorias dos alimentos. Segundo seu relato, um quilo de gordura representa 5 mil calorias, enquanto um quilo de Citri-fi hidratado gera 100 calorias. “Outra vantagem é que o Citri-fi chega ao mercado pela metade do preço da gordura”, diz o executivo. O novo ingrediente também atua no controle da umidade, absorvendo até 15 vezes o peso dele em água.

Sioli relata que a operação comercial no Brasil começou neste ano e o produto já está em testes em grandes clientes. A empresa também está em fase de finalização de acordos com distribuidores para os principais estados do país. “Nossa expectativa é de alcançar uma comercialização de 100 toneladas mensais até o final deste ano”, diz o executivo. Em médio prazo, informa Sioli, os planos da Fiberstar incluem a montagem de uma fábrica no país, aproveitando a grande oferta de matérias-primas, uma vez que o Brasil é grande produtor de laranjas.

Já a Kemin, empresa norte-americana em atividade no Brasil desde julho de 2007, aposta em um redutor de apetite natural como estratégia de insumo para fabricantes de alimentos saudáveis. O produto é o Slendesta, um inibidor de proteinase (IP2) extraído da batata que aumenta a produção do hormônio CCK (colecistoquinina) no organismo, que age sobre o estômago e o cérebro, gerando a sensação de saciedade. O produto foi um dos finalistas do Fi Awards.

Como relata Lívia Polachini de Castro, gerente de estratégia da empresa, o Slendesta foi lançado mundialmente em janeiro e, no Brasil, encontra-se em fase de registro. “É um ingrediente que não apresenta efeitos colaterais”, diz a executiva. O foco mercadológico do ingrediente são produtos como barras de cereais e protéicas, suplementos, iogurtes, shakes e até em massas e produtos panificados. Ao todo, a Kemin apresentou cinco lançamentos na FISA 2008, entre ingredientes e aditivos antioxidantes e conservantes. A meta da empresa é fechar o ano com um faturamento de US$ 1 milhão no Brasil.

Funcionais – Além de reduzir gorduras e açúcares nos alimentos, outra preocupação da indústria alimentícia é agregar valor funcional aos produtos, buscando soluções que ofertem benefícios fisiológicos, unam nutrientes e sabor. Os fornecedores de ingredientes Genkor e Alibra, com uma atuação em parceria, foram as empresas que apresentaram as combinações mais inovadoras na FISA 2008. Sorvetes e shakes protéicos, enriquecidos com vitaminas, zinco e cálcio, com o objetivo de promover a construção muscular. Iogurtes com o aminoácido triptofano, para a reconstituição dos níveis cerebrais de serotonina, ajudam a combater a fadiga física e mental. Achocolatados enriquecidos com cálcio, vitaminas, cafeínas e carboidratos mantêm o estado de alerta e oferecem disponibilidade prolongada de energia.

Segundo Luis Renato Rodrigues, diretor-industrial da Genkor, a idéia é oferecer a públicos distintos, como crianças, estudantes e atletas, a oportunidade de consumir os nutrientes necessários para melhora seus desempenhos, aliados com produtos que gerem satisfação em seu consumo. “O consumo de nutrientes não precisa estar relacionado à obrigação, pode ser uma atividade prazerosa”, diz o executivo.

Aditivos - O bom momento da indústria brasileira de alimentos atrai o interesse dos fornecedores estrangeiros, como é o caso do grupo espanhol IF, que atua no Brasil por meio de sua unidade Fobras. Como relata a gerente-comercial Andréia Morelli, a Fobras está no país há quatro anos, fornecendo gorduras vegetais fracionadas para a indústria de chocolates, importados da dinamarquesa AAK. A novidade é que agora a empresa também passa a distribuir no país aditivos como antioxidantes, conservantes, corantes artificiais, edulcorantes, espessantes e flavorizantes.

A química Eastman, por sua vez, apresentou na FISA 2008 o aditivo éster de glicerol de colofônia Eastman Ester GUM 8WA-M, produto que usa colofônia de breu obtida de pinho. O aditivo é recomendado para uso como agente turvador e como ajustador de densidade de óleos cítricos para concentrados de sabor para bebidas. Além disso, a empresa, que atua no país por intermédio de seu distribuidor Vogler, resolveu intensificar as ações para ampliar o mercado de sua linha Sustane SAIB de agente de densidade em bebidas.

Já a brasileira Bandeirante Brazmo, pertencente ao grupo Formitex, aproveitou a FISA 2008 para anunciar uma parceria com a Centroflora, fornecedora de extratos vegetais que tem em sua linha de produtos para alimentos itens como polpas desidratadas para sucos em pó, chás, bebidas, recheios para biscoitos, balas e confeitos e extratos de frutas e mate.

Conforme relata o diretor de vendas Tadeu Souza, a estratégia da Bandeirante Brazmo é se posicionar no mercado como uma fornecedora de soluções integradas para seus clientes. Para isso, a empresa une seu amplo portfólio de aditivos para alimentos, como a carboximetilcelulose (CMC), produzida pela Denver, empresa que também pertence ao grupo Formitex, e soluções de empresas parceiras, como a Centroflora. “O próximo passo, que estamos nos preparando para concretizar nos próximos meses, será oferecer blends prontos para nossos clientes”, diz Souza. William Hitomi, gerente de mercado da Bandeirante Brazmo, informa que na área de sucos em pó, por exemplo, o grupo já atende a cerca de 90% das necessidades dos fabricantes.

Na alimentação, a CMC é um aditivo que atua como espessante, estabilizante e retentor de água, com aplicações em praticamente todos os segmentos de alimentos industrializados, com a vantagem de não apresentar aporte calórico aos produtos. A indústria nacional de alimentos consome por volta de 3 mil toneladas/ano de CMC, mas o insumo também é aplicado em segmentos tão diversos quanto a indústria têxtil, papeleira, farmacêutica, de tintas e detergentes, por exemplo.

A Denver é a única produtora nacional de CMC. A fábrica, localizada em Cotia, no interior paulista, tem capacidade para produzir 9 mil toneladas anuais do insumo, mas já está programado um investimento de R$ 10 milhões para ampliar essa capacidade para 15 mil t/ano a partir de 2009. “Com esse investimento, vamos ter condições de atender a toda a demanda nacional de CMC e também iniciar um forte trabalho de exportações”, diz Tadeu Souza.

D. Z.

 
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