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TINTAS
decorativas imobiliárias |
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Cuca Jorge |
Fusões e aquisições
entre gigantes atiçam
a disputa por fatias
do mercado nacional
Domingos Zaparolli |
O
mercado está aquecido, os balanços financeiros são positivos, mas o sinal
amarelo está aceso entre os principais fabricantes de tintas imobiliárias do
país. O momento é de afinar estratégias e marcar posição. Não é por menos.
Dois movimentos estratégicos realizados nos últimos meses por grandes
players internacionais prometem acirrar a disputa de mercado no Brasil.
Primeiro foi a chegada ao segmento de tintas imobiliárias nacional da
norte-americana PPG, que adquiriu os negócios da gaúcha Tintas Renner.
Depois, ocorreu a incorporação mundial dos negócios da britânica ICI,
proprietária das tintas Coral no Brasil, pelo grupo holandês Akzo-Nobel,
líder mundial em tintas decorativas. De olho no movimento da concorrência,
fabricantes representativos do mercado brasileiro anunciam investimentos em
ampliação de capacidade produtiva e novos produtos.
O forte crescimento do mercado dá impulso às estratégias expansionistas.
Depois de ter amargado seis anos de baixo crescimento nas vendas e sofrido
uma queda no faturamento real, deflacionado, os negócios voltaram ao azul em
2007 no segmento de tintas decorativas. No ano passado, o volume de tintas
vendidas cresceu 8,1%, alcançando a marca de 800 milhões de litros, o que
gerou um faturamento de R$ 2,8 bilhões, nominalmente 6,8% superior ao de
2006. Mas o que realmente interessa é o fato de, descontada a inflação, a
evolução do faturamento também ter sido positiva, em 2,7%. Foi o primeiro
bom resultado do setor nesse critério desde 2001.
Já no primeiro quadrimestre de 2008, as vendas do segmento de tintas
imobiliárias cresceram 7% em volume e a previsão da Associação Brasileira
dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) é de que os negócios permaneçam
evoluindo nesse patamar até o final do ano. Mas o próprio presidente da
associação, Dílson Ferreira, reconhece: “É uma previsão conservadora.”
No mercado, a expectativa é de que os números surpreendam no final do ano,
superando o crescimento registrado em 2007, tanto em volume como em
faturamento real. O fato que alimenta essa expectativa é o desempenho da
construção civil. Segundo o Sindicato da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP),
o setor projeta uma expansão de 10,2% no ano, puxado pelas obras do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) e pelos empreendimentos imobiliários. E
aí vale uma velha máxima do setor: onde há construção, há venda de tintas.
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Segundo
Ferreira, é a conjuntura macroeconômica que leva a associação a adotar
uma projeção cautelosa de desempenho. Por um lado, ainda há o risco de
recessão nos Estados Unidos, o que pode esfriar os mercados mundiais.
Por outro, a inflação voltou a mostrar sua cara no Brasil e no mundo,
corroendo o poder de compra do consumidor e também levando o governo a
aumentar as taxas de juros, encarecendo o crédito, que é a mola
propulsora da construção civil. “O ritmo de crescimento talvez seja
menor nos próximos meses, mas ainda será bastante positivo”, diz o
presidente da Abrafati.
Um dado da conjuntura que gera preocupação imediata para o setor de
tintas é a pressão dos custos. Nos últimos meses, houve uma escalada
nos preços dos insumos derivados de petróleo e também do aço,
matéria-prima das embalagens de tintas. O aumento do petróleo também
pressiona o custo dos fretes, encarecendo a logística. |
Cuca Jorge

Ferreira:
conjuntura impõe cautela nos prognósticos |
Conforme relatam
alguns executivos, os custos das tintas já aumentaram entre 5% e 8% este
ano. Por enquanto, os fabricantes tentam absorver a diferença e administrar
o repasse aos consumidores. Mas essa situação, dizem os executivos, tem
limite e a tendência é de que o aumento de custo seja, em médio prazo,
repassado aos consumidores. A questão é, o aumento de preços inibirá o
consumo?
Por ora, as empresas apostam para este ano em um volume de vendas superior
aos bons resultados de 2007. Um dado curioso. Todos os entrevistados por
Química e Derivados, representantes dos principais fornecedores de tintas do
país, manifestaram que suas empresas tiveram um crescimento acima da média
do mercado no ano passado e que vão repetir o feito em 2008. Onde estão os
perdedores então? Dílson Ferreira tem uma explicação plausível. Estão
perdendo mercado os pequenos fornecedores que trabalham de forma informal e
com produtos abaixo dos padrões mínimos de qualidade.
O mercado de tintas imobiliárias é marcado por uma grande pulverização de
fabricantes, muitos entregando produtos que nem chegam a ser classificados
como tintas de acordo com as normas técnicas que balizam o setor. Ferreira
relata que a situação começou a mudar em conseqüência do Programa Setorial
de Qualidade (PSQ), iniciado em 2000. Hoje, o programa já avalia 90% das
tintas imobiliárias oferecidas ao mercado, que são classificadas
oficialmente em três padrões: econômicas, standard e premium.
Os fabricantes cujas tintas não alcançam a conformação mínima para o padrão
econômico são incentivados a integrar o PSQ e buscar a melhoria da qualidade
de seus produtos. Muitos, porém, acabam desistindo do negócio. Por outro
lado, a Abrafati tem realizado um amplo trabalho de conscientização com a
rede varejista, consumidores institucionais e órgãos financiadores da
construção civil. “Estamos reduzindo as brechas de comercialização dos
produtos que não estão conformes”, diz Ferreira. A novidade é que o
consumidor final a partir do segundo semestre deste ano também será
envolvido no processo, quando entrará em vigor a norma técnica NBR 15079,
que obriga os fabricantes a informar nos rótulos da embalagem qual é a
classificação de padrão de sua tinta.
Os efeitos esperados são dois. Primeiro, a ação deverá inibir ainda mais a
venda de tintas de qualidade inferior. Segundo, com a informação disponível
sobre o padrão da tinta, o consumidor terá mais um elemento para fazer sua
escolha, além do preço e do marketing do fabricante. A tendência em longo
prazo, acreditam alguns fabricantes, é de que haja uma migração de consumo
das tintas classificadas como econômicas para as tintas standard e premium,
uma vez que o consumidor poderá fazer sua própria relação de
custo/benefício. No momento, as linhas econômicas respondem por 41% dos
negócios, as premium por 37%, e as classificadas como standard, 12% das
vendas.
Estratégias – É sob essa conjuntura favorável aos negócios formais e
aos produtos de qualidade que chega ao mercado brasileiro de tintas
imobiliárias a PPG, empresa com sede em Pittsburgh, EUA, a segunda maior
fabricante de tintas do mundo. A PPG atua no Brasil desde 1997, mas seus
negócios aqui sempre estiveram mais voltados para os segmentos de tintas
automotivas, industrial, aeroespacial e de embalagem. A aquisição da Tintas
Renner, uma das pioneiras do mercado brasileiro de tintas, fundada em 1927,
em Gravataí, no Rio Grande do Sul, marca a entrada de forma decisiva dos
norte-americanos no segmento de tintas decorativas do país, além de
fortalecer a presença da empresa no Uruguai e no Chile, dois mercados onde
as Tintas Renner tem forte presença. O valor da transação não foi revelado.
Além das unidades industriais em Gravataí, Santiago e Montevidéu, a PPG
adquiriu também a licença de uso da marca Tintas Renner, que é líder no
segmento premium no sul do país e também possui uma boa presença no norte.
A expectativa na PPG é de registrar uma forte expansão, “acima dos dois
dígitos”, já em seu primeiro ano no comando da Tintas Renner. Segundo Amauri
Fiani, diretor de marketing da divisão de tintas arquitetônicas da PPG, a
estratégia da empresa para o Brasil envolve duas vertentes principais. Uma,
é a oferta de produtos inovadores. Como lembra o executivo, a PPG investe
3,5% de seu faturamento em desenvolvimento tecnológico. A outra vertente é
uma maior aproximação com o varejo e formadores de opinião, principalmente
nas regiões Sudeste e Nordeste, onde a marca Tintas Renner ainda não está
bem posicionada. Uma ação nesse sentido foi a inauguração de um centro de
treinamento de tintas arquitetônicas em São Paulo, que terá como principal
função o aprimoramento de profissionais de varejo, pintores e arquitetos.
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Outra
ferramenta da PPG é um software que irá ajudar o consumidor a escolher a
cor da tinta mais adequada à sua personalidade. O cliente é convidado a
participar de um jogo, o Color Sense Game, com uma série de perguntas
sobre seus interesses pessoais e estilo de vida. O resultado é uma
coleção de cores que combinam com o perfil psicológico do jogador.
“Tinta é emoção, quanto mais adequada ao consumidor, melhor”, diz o
diretor de marketing.
Em relação à linha de produtos, informa Fiani, o foco da empresa será o
lançamento de tintas com dois requisitos básicos: facilidade de
aplicação, seguindo a tendência do “faça você mesmo”, e de baixo impacto
ambiental. “Ainda este ano iremos lançar uma nova família de produtos
que vai sacudir o mercado”, afirma o executivo, que prefere, por
enquanto, guardar a sete chaves os detalhes do lançamento. Especula-se,
porém, que a linha misteriosa atenda pelo nome de Pittsburgh, um dos
carros-chefe da PPG no segmento de tintas decorativas norte-americano. |
Cuca Jorge

Fiani: aposta no "faça você
mesmo" motiva lançamentos |
A aposta da PPG no
mercado do “faça você mesmo” responde a uma expectativa da empresa de
mudança de hábito do brasileiro, acostumado a contratar profissionais na
hora de pintar suas casas. Nos EUA e na Europa, como o custo do pintor é
alto, é comum a pintura ser realizada pelo próprio morador. Uma investida da
Tintas Renner nesse segmento de mercado já se deu com a linha Pinta Tudo,
uma única tinta que pode ser aplicada em diferentes superfícies, como
alvenaria, madeira e metal. “É uma forma do consumidor reduzir os
desperdícios que acarretam a necessidade de comprar uma lata de tinta
diferente para cada aplicação”, diz o executivo.
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