cosméticos   CONTROLE MICROBIOLÓGICO

Seleção de tecnologias efetivas – Água, nutrientes, oxigênio, pH entre 5 a 9 e faixas de temperatura desde 10º C até 40º C garantem as condições ideais para a multiplicação de microrganismos a cada intervalo de 20 minutos, em média, conforme indicam os estudos na área de microbiologia.

Conforme Edson Zicari, gerente de suporte técnico da área de biocidas da Rohm and Haas Química, os sinais da contaminação microbiana em muitos casos são visíveis a olho nu pela constatação de alterações na coloração original do produto, mudanças na viscosidade e geração de odores, mas o grande problema é colocar em risco a saúde dos usuários.

Por isso, a escolha de conservantes adequados para as formulações deve ser a mais criteriosa possível. Deve-se levar em conta vários fatores, segundo apontou Zicari, como eficácia do conservante diante do amplo espectro de microrganismos, facilidade de incorporação à fórmula, solubilidade na fase aquosa e insolubilidade na fase oleosa, alta compatibilidade com amplo range de matérias-primas e embalagens, estabilidade não só durante o tempo de vida útil do produto como também diante das temperaturas, não-volatilidade, baixa toxicidade, além de exigir-se que o conservante não produza efeito bioacumulativo e seja ambientalmente aceitável.

Os conservantes devem contar com moléculas sustentáveis, ingredientes ativos com bases toxicológicas muito bem fundamentadas, sem riscos de toxicidade ou de banimento. Tampouco devem estar sujeitos às restrições que estão sendo impostas em alguns mercados externos por dúvidas quanto à sua segurança. Além disso, escolhas inadequadas inevitavelmente irão incorrer em gastos relacionados com as exigências de novos registros, testes de estabilidade físico-química, novos testes de desafio microbiológico, entre outros, que, em geral, são suportados apenas por grandes empresas do setor.

Por todas essas implicações, mudar um sistema conservante, além de não ser tarefa fácil, é oneroso, mas em alguns casos completamente necessário. “Na França, já existem restrições ao uso de conservantes à base de parabenos e de metildibromoglutaronitrila (MGDN) e, por isso, um grande cliente que está acentuando a internacionalização de suas marcas nos solicitou acompanhar a substituição de parabenos por isotiazolinonas, moléculas cuja patente detínhamos no Brasil até os anos de 1990, mas que até os dias de hoje prevalece em alguns estados americanos”, informou Zicari.

De acordo com o especialista, as isotiazolinonas são moléculas das mais efetivas e tradicionais em uso pela indústria cosmética desde os anos 60, quando foram


Zicari: isotiazolinonas são admitidas até no Japão

pela primeira vez sintetizadas pela Rohm and Haas. “Os estudos toxicológicos acerca das isotiazolinonas foram muito bem conduzidos e fundamentados, tanto é que sua aprovação e registro foram obtidos em mais de 40 países, incluindo o Japão, reconhecidamente um dos países mais rigorosos e exigentes para aprovar moléculas que, desde 1987, adotou as isotiazolinonas em sua lista positiva, permitindo inclusive usos na concentração de 15 ppm, no caso de produtos enxaguáveis”, comentou Zicari.

“Expiradas as patentes, as isotiazolinonas passaram a ser produzidas por várias empresas, principalmente na China, mas com diferentes rotas de síntese, as quais podem gerar subprodutos cujo impacto toxicológico é ainda desconhecido, enquanto nossa produção para o mercado cosmético é totalmente centralizada em unidade instalada na Inglaterra, alcançando padrões da mais alta pureza”, afirmou o especialista.

Alvos de investigações –
A produção de matérias-primas conservantes sintetizadas pela Clariant também está concentrada em uma fábrica dedicada e também instalada na Inglaterra, conforme ressaltou Antonio Flavio Zanon, gerente de vendas de Personal Care da divisão Functional Chemicals para toda a América Latina.

Grande produtora mundial de parabenos, moléculas sintetizadas há mais de setenta anos, herdadas pela companhia a partir da compra da inglesa Nipa, consumada no ano 2000, a empresa esclarece controvérsias que colocaram nos últimos anos em xeque a segurança de uso dessas moléculas.

“Apenas os butilparabenos e os isobutilparabenos estão sob suspeita de apresentar risco toxicológico e estão sendo investigados com maior profundidade. Na Europa, inclusive, formou-se uma força-tarefa especialmente dedicada a rever os estudos sobre os efeitos toxicológicos e carcinogênicos atribuídos a esses parabenos para dirimir dúvidas e verificar sua segurança para uso humano”, afirmou Zanon.

Segundo ele, um parecer emitido em dezembro de 2005 pela agência francesa AFSSAPS concluiu que o metilparabeno, o etilparabeno, o propilparabeno e o butilparabeno são seguros para uso


Zanon e Ana Paula: só o butil e o isobutilparabeno têm restrições

conforme regulamentado pelas diretrizes cosméticas da França. Dados adicionais, porém, foram requisitados para o isobutilparabeno para avaliação posterior.

A lista dos parabenos, porém, é bem mais extensa e abrange metilparabenos, etilparabenos, propilparabenos, além de suas formas sódicas, mais solúveis em água, comercializadas pela empresa em dezenas de diferentes mercados.

De acordo com a companhia, outros pareceres recentes reforçam os esclarecimentos dados pela Clariant a seus clientes. Um deles foi oficializado pelo Scientific Committee for Consumer Products (SCCP), em janeiro de 2005, indicando que os metilparabenos e os etilparabenos são seguros e sua regulamentação na Europa permanece inalterada. Traduzido, esse parecer informa o seguinte: “Levando em consideração a resposta à questão 2.2 e observando o baixo potencial estrogênico dos parabenos, é a opinião da SCCP que, até o presente conhecimento, não existe evidência do risco de desenvolvimento de câncer de mama causado por cosméticos para as axilas contendo parabenos”.

Também os especialistas da Cos­metic Ingredient Review (CIR) concluíram que todos os parabenos re­vistos – metilparabeno, etilparabeno, propilparabeno, butilparabeno, isopropilparabeno e benzilparabeno são seguros para uso.

“Na realidade, os mercados continuam buscando efetividade de resultados na escolha de conservantes, sejam parabenos ou não. Calculamos que 70% dos parabenos sejam comercializados para o mercado europeu, maior consumidor mundial da substância, reconhecendo, portanto, essa potente classe de conservantes, com ampla ação contra leveduras, e sem qualquer tipo de restrição”, informou Zanon.
Não são, porém, apenas as restrições de ordem toxicológica que podem interferir no mercado dos parabenos. Segundo Zanon, a atual oferta dessas substâncias já está restrita, e deverá se reduzir no segundo semestre deste ano porque os únicos dois players mundiais, instalados na China e na Índia, produtores do ácido paraminobenzóico, insumo fundamental para a fabricação de qualquer tipo de parabeno, reduziram a sua oferta. Isso poderá provocar uma escassez mundial, sem previsão de reversão imediata.

Atenta às mudanças que surgem na Europa no âmbito regulatório de várias substâncias, os especialistas da Clariant confirmam a exclusão do metildibromo glutaronitrila (MGDN) da lista de conservantes liberados para uso cosmético, conforme o documento Annex VI, 76/768/EEC.

Outro alvo de análises mais recentes, conforme Zanon, é o iodopropinil butilcarbamato (IPBC). As concentrações máximas dessa substância foram reduzidas para 0,02% em se tratando de cosméticos enxaguáveis e de 0,01% para cosméticos sem enxágüe, como loções e cremes, exceto em suas aplicações em desodorantes e antiperspirantes nas quais a concentração máxima permitida foi ainda mais rígida e passou para 0,0075%. Em cosméticos para os lábios, produtos para higiene oral e para o público infantil na faixa etária abaixo de 3 anos de idade, o uso do IPBC foi taxativamente proibido.

“O Japão é bem rigoroso e crítico com todas as classes de conservantes e aceita misturas de fenoxietanol com parabenos, como o metilparabeno, o butilparabeno, o etilparabeno, o propilparabeno e o isobutilparabeno”, informou Wiron Viana, gerente de vendas técnicas da McIntyre do Brasil. Tais misturas, segundo o especialista, são altamente ativas, fáceis de incorporar e livres de formaldeído. Outro concentrado altamente ativo, considerado seguro por Viana, e que inclui o antibacteriano DMDM Hidantoína e o fungicida IPBC dissolvidos em fenoxietanol, tem aceitação nos Estados Unidos, Europa e Brasil, para emprego em produtos enxaguáveis, porém, não é liberado para uso sob qualquer circunstância no Japão, em razão da presença da DMDM Hidantoína, considerada doadora de formaldeído. Outros conservantes cosméticos de amplo espectro antibacteriano não aceitos no Japão são a diazolidinil uréia e o hidroximetilglicinato de sódio.

Conforme acreditam muitos especialistas, as diretrizes adotadas na Comunidade Européia e nos Estados Unidos


Viana: fenoxietanol apresenta bom desempenho em misturas

em matéria de conservantes mais cedo ou mais tarde se refletirão no mercado brasileiro. Vários órgãos, como a International Agency for Research on Cancer (Iarc), dos EUA, focados no estudo de ativos e conservantes, visando levantar possíveis efeitos carcinogênicos, ou a BPD – Biocides Product Directive, estabelecida pela União Européia, cujos participantes têm por missão harmonizar o mercado europeu em assuntos relacionados a biocidas e seus ingredientes ativos, deverão elucidar os efeitos sobre a saúde humana de ampla gama de conservantes em estudo.

No Brasil, por enquanto, prevalece a resolução RDC 162 da Anvisa, de 11 de setembro de 2001, que estabelece uma lista de mais de 60 substâncias de ação conservante permitidas para uso em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, conhecida como lista positiva, e na qual estão aceitos os parabenos e suas misturas, o MGDN e o IPBC.

 

 

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