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M I N I R R
E F I N A R I A |
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Divulgação/Vibrapar

Sala de controle
da Univen conta
com automação
sofisticada |
Refinarias pequenas
e
atualizadas
podem suprir
mercados regionais
Marcelo Fairbanks |
Do posto ao poço. O lema do grupo Vibrapar inverte a ordem dos termos de um
antigo slogan da Petrobras para refletir sua estratégia de crescimento na
atividade petroleira. Enquanto a gigante estatal partiu da produção e refino
de petróleo para a distribuição e revenda de combustíveis, o grupo privado
nacional iniciou suas atividades com postos de gasolina, em 1974, entrou no
refino em 1988 e, em 2008, arrematou áreas para exploração de petróleo no
Nordeste e mantém tratativas com o governo boliviano para atuar naquele
país.
Três famílias de diferentes origens uniram seus postos de abastecimento de
gasolina em 1974 para formar uma distribuidora de derivados de petróleo. A
iniciativa teve bons resultados e animou os empresários a ampliar o escopo
para incluir uma transportadora especializada. Somente na década de 90, com
a quebra do monopólio da atividade petroleira, o grupo decidiu apostar na
construção de uma refinaria no interior de São Paulo.
Em 1998, com o nome de Univen Petroquímica, a companhia iniciou a construção
de uma minirrefinaria para processar 5 mil barris de petróleo por dia na
cidade de Itupeva-SP, no eixo São Paulo-Campinas. “O custo de implantação de
uma pequena refinaria é proporcionalmente muito menor que o de uma refinaria
para mais de 100 mil bpd, sendo uma alternativa interessante para atender ao
mercado nacional de derivados”, afirmou Alexis Stepanenko, presidente do
conselho de administração da Vibrapar Participações, mais conhecido por ter
sido o ministro das Minas e Energia no governo Itamar Franco. A refinaria
recebeu autorização para operação em 2002.
Uma refinaria de grande porte exige a montagem de uma enorme estrutura
logística e de proteção ambiental, além de imobilizar muito capital em
imóveis, tudo isso se refletindo na magnitude do investimento inicial.
“Seria interessante construir mais minirrefinarias no Brasil para atender
aos mercados regionais, como o do Centro-Oeste e do Nordeste”, considerou
Stepanenko. “Apenas sete estados do Brasil possuem refinarias.” Ele lamentou
a saída do grupo privado Ipiranga da atividade (suas ações foram adquiridas
pela Petrobras, Braskem e Ultra), que operava a histórica refinaria de Rio
Grande, para aproximadamente 10 mil bpd.
Em junho deste ano, a Univen iniciou as obras de ampliação da refinaria com
o objetivo de chegar a 20 mil bpd de capacidade, mediante investimento de R$
80 milhões. A ampliação deve estar concluída no prazo de um ano.
O grupo Vibrapar conta com uma rede própria de 97 postos de abastecimento (a
Via Brasil), uma distribuidora de combustíveis com mais 147 postos operados
por terceiros nos Estados da Região Sul (a rede Petronossa), e uma empresa
de reciclagem de pneus e borrachas (Midas Elastômeros). Em 2007, o
faturamento total chegou a R$ 2 bilhões, com baixo índice de endividamento,
uma característica imposta pelos seus fundadores. A Univen supre cerca de
75% das necessidades de gasolina e óleo diesel de suas redes de
abastecimento. A frota de caminhões do grupo absorve quase todo o diesel
produzido na refinaria, e os gases que poderiam formar o GLP são
aproveitados para sustentar o processo.
Até 2007, a Vibrapar possuiu uma usina de açúcar e álcool no Estado de São
Paulo. Esse negócio foi vendido a um grande grupo desse setor, aproveitando
a valorização dos ativos.
Suprimento variado – Desde o início das operações, a empresa foi criativa
para formar uma cadeia de suprimento de cargas para processamento. “A nossa
refinaria opera com óleos de 13 a 45 graus API, ou seja, dos pesados aos
leves, com grande flexibilidade”, explicou Maurício Mascolo, da diretoria de
novos negócios da Univen. Desde 2002, a empresa busca óleos leves e
condensados na Bolívia. A alimentação foi reforçada no ano passado com óleos
extraídos de campos maduros (ditos marginais) no Nordeste, que foram
arrematados nos primeiros leilões da ANP por pequenos empresários
independentes. “Montamos uma estrutura de coleta de óleo nos pequenos poços
e, com isso, viabilizamos a operação desses campos que iriam ser
paralisados”, afirmou Stepanenko. A estatal se recusava a comprar o óleo dos
pequenos produtores (ver QD-458).
A produção desses campos, porém, é pequena. Quase a metade da carga refinada
é obtida por importação. A Vibrapar investiu para adquirir duas áreas de
exploração de campos maduros no Nordeste em leilão da ANP, com intenção de
garantir uma parte de suas necessidades. “A Petrobras não nos vende
petróleo”, comentou o presidente do conselho.
Embora pequena, a refinaria de Itupeva reúne qualidades importantes. Por ter
colunas construídas com ligas metálicas especiais, a destilação aceita óleos
com altos teores de contaminações, especialmente enxofre. A tecnologia de
refino foi desenvolvida e ajustada pelo corpo técnico da companhia, que
desenhou os sistemas de tratamento de derivados na linha HDT/HDS. “Só não
temos tecnologia própria para reforma catalítica”, comentou Mascolo. Os
equipamentos são geralmente confeccionados por caldeirarias nacionais.
Além das torres de destilação atmosférica e a vácuo, o processo conta com
uma unidade de conversão de olefinas (parafinização), gerando gasolinas de
alta octanagem. Com as novas unidades de destilação (para 15 mil bpd), serão
colocadas linhas de hidrotratamento de derivados e hidrodessulfurização (HDT/HDS)
e reforma catalítica (geradora de hidrogênio e de aromáticos). Os aromáticos
servem como booster de octanagem para gasolina ou podem ser direcionados
para as linhas de produção de solventes. A refinaria produz heptano, hexano
(inclusive no grau alimentício), solvente para borracha,
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agente azeotrópico,
aguarrás e cortes especiais de derivados. “Podemos fazer aguarrás especial,
igual à usada nos EUA, ou produtos de secagem rápida, por exemplo”, explicou
Mascolo. Como rompedores de azeótropos, fornece ciclohexano ou uma mistura
de hidrocarbonetos com o mesmo desempenho.
O processo é totalmente automatizado, usando tecnologia de comunicação com
base no protocolo fieldbus, com sistema fornecido pela Smar. A planta é
dotada de sistemas de segurança típicos de refinarias, com as devidas linhas
redundantes. Laboratórios analisam continuamente a qualidade do óleo
recebido e também os produtos com eles obtidos, com especificações legais
rigidamente observadas. Além disso, os profissionais da empresa são
treinados na própria companhia.
Todo o site e sua ampliação contam com as devidas licenças ambientais. Sua
obtenção exigiu a redução das emissões no parque de tancagem, incluindo um
sistema de reaproveitamento dos vapores desprendidos durante |
Divulgação/Vibrapar

Stepanenko: ligas especiais dão flexibilidade para o processo |
as operações de
carregamento de carretas. Os resíduos pesados são comercializados como óleos
combustíveis até o tipo 3B e também como asfalto.
Além da ampliação do refino em Itupeva e da entrada na exploração de
petróleo, o grupo Vibrapar está investindo em outra minirrefinaria, dessa
vez na Bolívia. “Esse projeto está sofrendo alguns atrasos, mas deve ser
concluído”, comentou Stepanenko.
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