EXPLORAÇÃO ALTERNATIVA

Empresa privada aposta no Nordeste
para aumentar a produção de óleo


José Valverde

Criada em 1999 por ex-executivos e ex-técnicos da Petrobras, para explorar as possibilidades que resultaram do fim do monopólio e do início do regime de concessões, a Starfish começou as atividades associando-se a projetos de exploração e produção offshore na Bacia de Santos, mas, em razão de riscos e incertezas nessa bacia, em 2006 transferiu as três concessões lá adquiridas. Passou então a concentrar as operações no Nordeste, onde já possuía direitos em blocos exploratórios, adquiridos nas 4ª, 6ª e 7ª rodadas (entre 2002 e 2006) – blocos que agora começam a render os primeiros barris.

Ainda em 2006, mas depois de sair de Santos, a Starfish adquiriu, na 8ª rodada, novas concessões, e assim formou a atual carteira nordestina, com 21 blocos nas bacias onshore da região: doze na Bacia do Recôncavo e duas na de Tucano, ambas na Bahia; quatro em Sergipe, na Bacia Sergipe/Alagoas; e três no Rio Grande do Norte, na Bacia Potiguar. A maior parte desses blocos está nas primeiras perfurações ou na fase exploratória, principalmente na interpretação de sísmica em 3-D.

Em 2007, na 9ª rodada e em associação com a Petrobras, a empresa extrapolou os confinados limites do Nordeste, a que se submetera desde a saída de Santos, mediante a aquisição de três blocos onshore no Espírito Santo, e mais três offshore, em Campos e Santos – dois destes em parceria com a Petrobras. “Voltamos ao mar”, ressalta o engenheiro químico e de petróleo Arnaldo Barbosa, que divide o expediente entre o escritório da Starfish em Salvador e a base operacional que está sendo montada a 60 quilômetros, no município de São Sebastião do Passê. Barbosa é um dos ex-técnicos da Petrobras que formaram a Starfish.

Agora, a empresa ingressa na fase nordestina da produção, iniciada em um campo da histórica Bacia do Recôncavo, onde decorridos mais de cinqüenta anos de

Divulgação

Barbosa: Starfish planeja voltar para o alto-mar

contínua exploração ainda são oferecidos novos blocos à exploração. O campo é o Guanambi, também situado em São Sebastião do Passê.

Nesse campo, o primeiro poço está produzindo 125 barris/dia do melhor óleo, de qualidade similar ao Brent (33º API), compartilhados com a Petrobras, que detém 80% dos direitos e é a operadora.

INCERTEZAS PROVOCARAM SAÍDA DA BACIA DE SANTOS

Os direitos que a Starfish alienou em Santos, mediante transferência à norueguesa Norske Energy, referem-se aos campos de Coral, Estrela do Mar e Cavalo Marinho, os três até então compartilhados com a Petrobras (operadora), Queiroz Galvão e Coplex. No relatório de 2006, a Starfish justifica que a alienação foi motivada por reavaliação dos riscos de produção nos reservatórios de calcário, feita com base nos dois anos de produção no campo de Coral.

No mesmo relatório foi anotado que freqüentes problemas operacionais acarretaram altos custos de produção, “abalando significativamente a economia do projeto”, além de pôr em dúvida a viabilidade do desenvolvimento dos campos de Estrela do Mar e Cavalo Marinho. “Os recursos gerados pela transferência das concessões permitiram a liquidação antecipada de empréstimo em moeda estrangeira contratado para o desenvolvimento de Coral e um aumento significativo das aplicações financeiras”, informou.

Também no mesmo município está o bloco que deverá ser o segundo a entrar em produção, este adquirido exclusivamente pela Starfish, mas posteriormente oferecido em parceria à Petrobras, que ficou com 75% dos direitos e a condição de operadora. Barbosa explica que a parceria com a Petrobras foi motivada pela circunstância de o poço exigir 3,5 mil metros de perfuração, ao custo de US$ 7 milhões. “Seria relativamente muito capital e risco concentrados”, argumenta. O óleo foi encontrado em três zonas. “O volume de produção esperado é comparável ao do poço perfurado no campo de Guanambi.”
Em um dos quatro campos de diferentes blocos da mesma Bacia do Recôncavo, os quatro compartilhados com a angolana Somoil – a Starfish na condição de operadora –, estão sendo obtidos, preliminarmente, 170 barris/dia, boa marca que será submetida ao teste de longa duração (TLD) para se ter certeza da extensão do reservatório. No curso de seis meses, o poço será mantido em situação de vazão controlada, via redução na rotação da bomba. As leituras referentes às variações de pressão no fundo do poço serão então continuamente analisadas, com o uso de softwares que simulam o comportamento do reservatório. A autorização para realizar o TLD já foi solicitada à ANP.

Em outro desses mesmos poços, depois de perfurados 1,3 mil metros, está em estudo a cogitada abertura de um segundo poço, este direcionado a partir dos 500 metros de profundidade, para abrir uma “janela” para zonas que possam conter óleo.

Fora da Bahia, os trabalhos estão mais adiantados em Sergipe (Bacia Sergipe/Alagoas), onde ainda neste semestre a própria Starfish iniciará a perfuração do primeiro de dois poços, separados por quatro quilômetros, de um mesmo campo. A perfuração de cada um deles está orçada em R$ 13 milhões. Ambos são explorados em associação com a Petrobras, dona de 70% dos direitos. As perfurações chegarão a 2.350 metros abaixo de um manguezal, área de preservação permanente, o que exige que os dois poços sejam direcionados a partir de terra firme, na beirada da praia.

SONDA PARA 3,2 MIL METROS CUSTOU US$ 10 MILHÕES

A recente aquisição de uma sonda automática nos Estados Unidos,
com capacidade de perfuração de 3,2 mil metros – equipamento eletrodiesel manipulado por joystick –, dinamizará a atividade de perfuração no âmbito da Starfish. Além dos 10 milhões de dólares investidos na compra da sonda, mais dois milhões estão sendo investidos em equipamentos periféricos.

“Inicialmente, a sonda atenderá à nossa demanda e posteriormente prestará serviços a outras empresas”, anuncia Arnaldo Barbosa. Em virtude dessa cogitada prestação de serviços, foi criada uma subsidiária, a Pangéia.

Atualmente, o aluguel de uma sonda oscila entre 23 mil e 50 mil dólares a diária, incluindo a equipe de engenheiros e operadores e excluindo o custo com a preparação do poço, o material de revestimento, a broca e o fluido de perfuração. “A diária de uma sonda para 3 mil metros custa 35 mil dólares o dia”, revela Barbosa, com precisão.

Além da formação da Pangéia, os planos imediatos apontam para a presença da empresa em Angola, mercado já conhecido por dois executivos da empresa, o presidente Rafael Dória e o conselheiro Jeconias Queiroz, que lá atuaram quando trabalhavam na Braspetro, a subsidiária da Petrobras.

Recursos próprios – Arnaldo Barbosa revela que boa parte dos recursos aplicados pela Starfish consistem de capital próprio procedente das economias dos sócios, segundo ele, mais de 20 empresas e pessoas físicas. “O restante é financiamento bancário.”

A empresa já investiu ou está investindo US$ 95 milhões, sendo US$ 40 milhões nos 19 primeiros blocos e a maior parte restante nos oito blocos mais recentes, adquiridos na 9ª rodada, aí incluídos os três offshore, sob até 400 metros de lâmina de água, nas bacias de Campos e Santos. “Quanto a esses blocos, estamos no prazo de três anos para apresentar à ANP os estudos geofísicos e o compromisso de começar a perfuração”, afirmou.

 

 

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