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AUTOMAÇÃO

Líder global planeja investir mais no Brasil

A maior empresa privada do mundo na área de automação quer crescer e aparecer no Brasil. Fundada em 1979 e sediada na cidade austríaca de Eggelsberg, a B&R está intensificando o relacionamento com o mercado local, onde possui escritório instalado em Campinas, há cerca de dez anos. Sem vender diretamente para consumidores finais e sem realizar, até então, grandes investimentos em publicidade ou em feiras de negócios, a empresa acabou com sua marca pouco divulgada no país.

Mas, com um faturamento de € 280 milhões em 2007, a fabricante de soluções de automação (sistemas de controle e de entrada/saída de dados, PCs industriais, painéis e interfaces homem/máquina, servomotores, robôs, controladores lógicos programáveis, além de outros componentes de automação e de controle de processos) fornece produtos para mais de dois mil OEMs (fabricantes de equipamento original, em inglês original equipment manufacturer) produtores de máquinas. A manufatura, inteiramente realizada na Áustria, está distribuída em sete linhas de produção SMT (surface mount technology, tecnologia de montagem em superfície) completamente automatizadas, com teste de qualidade em todos os produtos fabricados. Só no ano passado, a B&R produziu 3,24 milhões de placas de circuito impresso, e quase 100 mil máquinas são automatizadas anualmente pela empresa.

Segundo o gerente de vendas internacionais Thomas Rienessl, a companhia não foca sua atuação em segmentos específicos da indústria. “A filosofia é fabricar produtos que sirvam para automatizar todos os tipos de máquinas”, diz. Nenhum dos segmentos industriais atendidos pela B&R aloca mais que 6% de seu volume total de produção, mas as indústrias de plástico, embalagem e impressão são as maiores consumidoras. Na primeira delas, aliás, a empresa conta com alguns dos principais construtores de máquinas entre seus clientes, como Krones, Milacron, Windmöller & Hölscher, Sig Corpoplast, Maplan, KraussMaffei, Engel, Negri Bossi, Battenfeld e Coperion. No Brasil, o maior cliente é a Romi, e os componentes austríacos também equipam as máquinas da Carnevalli.

O crescimento histórico da B&R, conforme explicou Rienessl, é de ao menos 15% ao ano. Por isso, o faturamento deverá atingir € 330 milhões em 2008, e € 500 milhões em 2011. Essa taxa mínima de crescimento implica na duplicação do tamanho da empresa a cada cinco anos, motivo pelo qual se justificam os 155 escritórios espalhados pelo planeta, cobrindo “99% do mundo industrial”, nas palavras do gerente de vendas internacionais. A meta de crescimento justifica ainda planos de quadruplicação da capacidade de produção na Áustria, de ampliação do portfólio e do número de filiais, além do objetivo de maior desenvolvimento em mercados importantes onde a empresa ainda não é forte, como o Japão e os Estados Unidos.

A capacidade produtiva, no entanto, não sairá da Áustria. Com linhas automatizadas, a B&R não vê grandes benefícios em produzir em mercados com custos de mão-de-obra inferiores, como na China. Como os produtos são modificados e melhorados freqüentemente, Rienessl também destaca que é importante manter a proximidade com o departamento de pesquisa e desenvolvimento, bem como o status de qualidade made in Austria. Por esses mesmos motivos, o crescimento da companhia é sempre orgânico, baseado no aumento do número de clientes e da demanda do mercado. “Não compramos concorrentes, porque nesse segmento de alta tecnologia é preciso que os colaboradores evoluam junto com a empresa. Seria muito difícil realizar a integração com uma companhia adquirida, pois nosso nível de especialização é muito alto”, afirmou Rienessl.

Oportunidades – A B&R possui centros logísticos na Áustria, nos Estados Unidos, na China, na Índia e no Brasil. Além do escritório em Campinas, está nos planos outro, em São Paulo, para oferecerem em conjunto as atividades de venda de equipamentos, desenvolvimento de softwares, integração de projetos industriais, manutenção e treinamento. Também há um parceiro distribuidor no Brasil, a Conexel, que atende indústrias e OEMs de menor porte, aos quais a empresa austríaca ainda tem pouco acesso.

Segundo o diretor da filial brasileira, Evandro Avancini, a unidade atua com mais força, no país, nos segmentos de embalagens e plásticos, e começa a desenvolver os mercados de bebidas, metalúrgica e farmacêutica. A meta, afirma Avancini, é estar entre as três maiores empresas de automação atuando no mercado local.

A indústria de embalagens nacional ainda é pouco explorada sob o aspecto da automação. Um exemplo são os motores de corrente alternada: eles ainda são largamente empregados no Brasil, “mas isso não existe mais fora do país”, diz o diretor. Mesmo assim, ele destaca o processo de melhora da qualidade das máquinas nacionais em curso. Aos poucos começam a ser utilizados os servomotores que, em alguns casos, mais que dobram o desempenho de máquinas de embalagens.

Ainda que o cliente típico brasileiro busque máquinas com bom desempenho e custos baixos, a B&R não se diferencia no mercado pelos seus preços. Embora Avancini reconheça que o preço é uma questão predominante na análise de uma troca ou aquisição de equipamento, para se tornar atrativa por aqui, a B&R aposta em soluções como CLPs (controladores lógicos programáveis) integrados a IHMs (interfaces homem/máquina), que evitam o uso de um PC industrial dedicado, oferecendo um custo geral muito inferior, mas com a aparência gráfica da interface e desempenho bastante similares.

O diretor da filial brasileira também destaca a capacidade de fabricação de produtos sob medida, caso de IHMs para a indústria farmacêutica feitos de aço inox e com design que evita o acúmulo de sujeira, ou equipamentos de confecção robusta para emprego na indústria sucroalcooleira. “Muitas soluções oferecidas no mercado brasileiro foram criadas aqui. Temos um histórico de dez anos no mercado local, e nesse tempo desenvolvemos muita informação com o perfil do cliente nacional”, afirmou Avancini.

Confirmando as oportunidades de vendas no país, a filial brasileira da B&R cresceu 114% no ano passado, em relação a 2006, e projeta crescimento de outros 50%, em 2008, em comparação a 2007. Dos € 280 milhões faturados pela empresa globalmente no ano passado, cerca de € 2 milhões foram realizados no Brasil.

M. A.

 

 
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