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PÓLO CAMAÇARI |
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Agência
A Tarde
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Pólo
baiano comemora

com previsão
de novos
investimentos
e atuação
diversificada
José Valverde |
Representantes
de empresas e do governo da Bahia divididos em sete grupos de trabalho
elaboraram o relatório das questões (fragilidades e problemas) que estão
travando a atividade da indústria na Grande Salvador, com ênfase no 2º Pólo
Petroquímico, que na última semana de junho completou trinta anos em
operação.
Diferentemente do passado, quando era praticamente a única concentração
industrial no município de Camaçari e entorno, hoje o Pólo está inserido em
um ambiente empresarial bem mais amplo e diversificado. São aproximadamente
cem fábricas de variados ramos – além das químicas e petroquímicas, as de
papel e celulose, metalurgia, alimentação e as do ramo automotivo, com
destaque para a Ford, as fabricantes de pneus e as fornecedoras de peças
para a Ford.
As três primeiras questões apontadas no relatório, as mais específicas da
petroquímica, embora não exclusivas do ramo, são: a fiscal, com destaque
para os créditos do ICMS gerados nas exportações e retidos pelo governo; a
da infra-estrutura e logística, marcada por colapsos e ineficiências em
portos, rodovias e ferrovias; e a da matéria-prima – escassez de nafta e gás
natural, além da necessidade de formar “uma matriz energética mais
competitiva”.
Nos recentes quatro anos, o ambiente no 2º pólo se caracterizou pela
ausência de projetos inovadores, que resultassem em desdobramentos e novas
fábricas. Nesse tempo, várias linhas de produção foram desativadas,
causando, além da perda de densidade industrial, percepções de estagnação e
desinvestimento – situação que destoa do clima de prosperidade presente em
São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, onde também há atividade
petroquímica.
Na cerimônia alusiva aos trinta anos do 2º Pólo, ocorrida na Associação
Comercial da Bahia, o governador Jaques Wagner anunciou que o ICMS retido,
um montante que a Secretaria da Fazenda calcula em R$ 1,2 bilhão, seria
saldado – sem adiantar detalhes. Fez isso entre desarmadas referências à sua
militância sindical, focadas nas cenas da “grande greve” contra os patrões
que comandou em 1985, quando era presidente do sindicato dos trabalhadores,
e as conversas de pé de ouvido, a mais persistente com o então presidente da
Braskem, José Carlos Grubisich, hoje liderando a empresa de bioenergia do
grupo Odebrecht.
Na mesma cerimônia, o governador recebeu o relatório com as conclusões dos
sete grupos de trabalho formados por representantes das empresas e do
governo. “Este documento traduz a essência de um trabalho conjunto e
cristaliza os anseios para a consolidação do futuro do Pólo”, anunciou o
presidente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic) e
vice-presidente de Relações Institucionais da Braskem, Marcelo Lyra Amaral.
O Cofic, associação das empresas da petroquímica e de outros ramos que foram
se estabelecendo, coordenou um esforço de comunicação para reverter a
renitente impressão de que o 2º Pólo passa por um momento difícil, sem
grande perspectiva. Na semana dos trinta anos, divulgou comunicados e
declarações de executivos das empresas falando de novas fábricas, ampliações
e modernizações das atuais. Os executivos seguiram o roteiro.
Em resposta às perguntas de Química e Derivados, o vice-presidente de
Insumos Básicos, Manoel Carnaúba, alega que houve no 2º Pólo vários ciclos
de crescimento e de retração de investimentos. “Não vejo estagnação neste
momento, pois, além dos investimentos que a Braskem realizou nos últimos
anos, tivemos outros importantes investimentos.” Citou as fábricas de pneus
Continental e Firestone. “É natural que ao completar trinta anos de operação
o Pólo necessite de investimentos que possam garantir a permanência de seus
diferenciais competitivos”, acentuou. E concluiu: “O 2º Pólo é
importantíssimo para a Braskem, não podemos esquecer que a economia
nordestina é a que mais cresce no Brasil, estamos muito bem localizados
aqui.”
Grubisich, discorreu na cerimônia dos trinta anos sobre os projetos da
Braskem e destacou a necessidade de criar condições para o 2º Pólo voltar a
crescer e atrair mais investimentos; falou da necessidade das melhorias na
infra-estrutura; e ressaltou que o mercado de resinas continua aquecido –
cresce acima de 10% ao ano, proporcionando o incremento dos negócios da
Braskem, cuja receita chega a R$ 23,8 bilhões. “Tudo isso nos permite
investir mais no Brasil”, asseverou. Lembrou que o ativo mais importante da
Braskem, um conjunto de oito unidades de produção, está na Bahia. Até
lembrou que grupos controladores da petroquímica têm forte base na Bahia,
apontando o próprio Odebrecht.
O executivo procurou atenuar o clima de decepção desencadeado algumas
semanas antes quando a Braskem finalmente anunciou que a fábrica de
polietileno verde, que usará etanol como matéria-prima, ficará no Rio Grande
do Sul, e não na Bahia, a outra possível localização. A licença ambiental
foi solicitada nos dois estados.
Questão Fiscal – Para o coordenador do grupo de trabalho referente à
questão fiscal e tributária, Frederico Feijó – que trabalha na Elekeiroz –,
ficou constatado que a retenção do ICMS – “a transferência de recursos do
setor produtivo para o tesouro estadual” – já alcança quase 20% do
patrimônio líquido das empresas credoras, afetando consideravelmente o
capital de giro e a capacidade de investimento. “As empresas não recebem de
volta os créditos acumulados a que têm direito”, resumiu. Além de
descapitalizar empresas, a retenção causa fuga de investimento, alegou
também.
O Cofic, que além das empresas petroquímicas hoje representa outras 30 de
variados ramos, pondera via comunicado: “O governo baiano tem se mostrado
sensível à questão e já acena com alternativas que poderão estancar a
evasão.” As empresas estão na expectativa de que o impasse seja superado em
dois tempos: no curto prazo, mediante estancamento dos saldos credores do
ICMS, que assim seriam estabilizados – providência que o governo considera
tomada, via recente redução no ICMS; e, no médio prazo, eliminando os saldos
já acumulados, mediante restituição.
No rastro de medida semelhante adotada pelo governo de São Paulo, em maio, o
da Bahia anunciou reduções do ICMS para a nafta nacional, de 17% para
11,75%; a nafta importada, de 6,8% para 5,8%; e demais produtos da cadeia
petroquímica, de 17% para 12%. Alegou que a mudança, além de repor
competitividade à cadeia petroquímica, estancaria a retenção e o acúmulo do
ICMS.
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Referindo-se à tal redução, que obedece a um sistema de bandas sujeito a
revisões mensais, Manoel Carnaúba admitiu à Química e Derivados que estão
acontecendo “progressos importantes”. E completou: “Estamos muito otimistas
quanto a uma solução definitiva.” No ano passado, o vice-presidente de
Relações Institucionais da Braskem, Marcelo Lyra – que recentemente sucedeu
o próprio Manoel Carnaúba na presidência do Cofic –, avaliou que os créditos
retidos da Braskem já ultrapassavam R$ 600 milhões.
Carnaúba também argumenta: desde que a União mudou os critérios para
ressarcimento aos estados, pelo valor que despendem em cumprimento à isenção
do ICMS nas exportações, como reza a Lei Kandir, não há motivo para a
retenção prosseguir. Pela mudança, o governo federal passou a ressarcir
mediante o repasse de um valor fixo – e não mais pelo volume exportado,
causa de permanente divergência no cálculo. |
Divulgação/Braskem

Lyra: Braskem tem
R$ 600 milhões para receber |
Em entrevista ao jornal Correio da Bahia sobre o Acelera Bahia, o programa
de incentivo à indústria que reduziu o ICMS, Grubisich reconheceu que o
governo estava demonstrando boa vontade. E deixou o recado: “Agora estamos
de braços abertos para discutir as questões passadas.” Explicou que estava
falando de “volumes importantes, que ficaram retidos sem nenhuma correção”.
Braskem - No evento da Associação Comercial, Marcelo Lyra, na
condição de presidente do Cofic, contabilizou: dos mais de US$ 4,2 bilhões
que devem ser investidos em algumas importantes empresas da Grande Salvador
nos próximos quatro anos, US$ 2,3 bilhões serão em empresas da cadeia
química e petroquímica; US$ 1,35 bilhão na cadeia automotiva; US$ 425
milhões em uma fábrica de papel e celulose; e US$ 150 milhões na metalurgia.
No mesmo evento, José Carlos Grubisich revelou que, do montante previsto
para a química e petroquímica, a Braskem investirá quase US$ 1,05 bilhão,
dos quais US$ 440 milhões em uma fábrica para 300 mil t/ano de
polipropileno. A matéria-prima será o propeno ainda disponível no 2º Pólo –
mais da metade da produção de aproximadamente 600 mil t/ano, hoje enviada
para fora, principalmente para a própria Braskem, no Rio Grande do Sul.
À Química e Derivados, Manoel Carnaúba comentou: o mercado de polipropileno
cresce a taxas muito altas e o Brasil estará demandando uma nova fábrica por
volta de 2011. “O volume de propeno ainda disponível justifica uma unidade
de escala mundial.”
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