C O S M É T I C O S

Foto: Cuca Jorge

Princípios ativos conseguem retardar envelhecimento natural

Rose de Moraes

A tecnologia cosmética põe à prova cada vez mais sua capacidade de retardar o envelhecimento e resgatar a juventude. Pesquisas empreendidas nesse campo apontam novas descobertas científicas, mecanismos de resposta imunológica e as mais inusitadas fontes, das quais são extraídos princípios ativos, considerados verdadeiros néctares do rejuvenescimento e da restauração da pele.

Sensorialmente, a pele permeia todas as nossas emoções e é capaz de enviar até o cérebro os mais variados estímulos. Ela também reflete nossos genes, abriga nosso DNA e revela a qualidade e as condições de vida de cada ser humano.

O entendimento científico sobre a capacidade imunológica da pele, os mecanismos que levam à sua longevidade e as inúmeras possibilidades de intervenções tópicas em seu favor avançaram muito nos últimos anos.

Assim, surgem a cada dia novos ingredientes ativos e composições sinérgicas, que agem em prol da saúde e do mais pleno funcionamento de todos os constituintes das camadas da pele, notadamente aqueles encontrados na epiderme e na derme. Os recursos avançaram tanto que é possível retardar o envelhecimento, em média, por períodos de sete a oito anos, com o uso sistemático de cosméticos antiidade. É como se a ação dos ativos impedisse que nosso relógio biológico corresse em disparada e promovesse uma espécie de volta ao passado, resgatando o viço, a maciez, o tônus, a firmeza, entre outras características de peles jovens.

A pele sintetiza tudo - Estudos atuais revelam novos rumos da ciência e novos entendimentos sobre como é possível frear o tempo e contar com grandes aliados, como as substâncias ativas trabalhando a nosso favor.

Anos atrás, segundo a farmacêutica Silvana Camillo Azzelini, gerente de produtos da área de marketing Skin Care da Cognis Brasil, os cosméticos antiidade se limitavam a prover à pele os suprimentos dos quais ela estava carente, como o colágeno, a elastina e as vitaminas.

“Atualmente, porém, os ativos estimulam a própria pele a sintetizar as estruturas ou as substâncias necessárias à manutenção da saúde e da beleza da cútis, como é o caso dos peptídeos que estimulam a síntese dos proteoglicanos, que atuam na ancoragem das células e na manutenção da junção entre a epiderme e a derme”, informou Silvana.

O repertório de ativos se tornou tão mais amplo e específico que hoje também já se pode contar com substâncias capazes de bloquear as enzimas aceleradoras do envelhecimento, como os ativos denominados antimetaloproteinases, que atuam sobre a derme e inibem a síntese das enzimas responsáveis (metaloproteinases) pela degradação do colágeno e da elastina.

Foto: Cuca Jorge

Silvana: cosmética atual estimula sínteses na pele

Outra diferença importante, segundo Silvana, é que, no passado, não se conheciam integralmente os efeitos da radiação ultravioleta como agentes de aceleração do envelhecimento cutâneo.

“Hoje, além da importância do uso diário de fotoprotetores, também são desenvolvidas fórmulas com ativos protetores do DNA, que atuam sobre as células de Langherhans, células especializadas e que só existem na própria pele, e são consideradas células da imunidade porque, ao reconhecer todos os tipos de agentes agressores – poeiras, bactérias, substâncias químicas etc. –, propiciam à pele a capacidade de desenvolver estruturas de proteção. Com o avançar dos estudos também foi possível desenvolver substâncias capazes de evitar o surgimento expressivo das proteínas de choque ao calor, as heat schok proteins (HPS), e das sunburncels, células gravemente danificadas pelo sol, pois é notoriamente sabido que a exposição solar, além de gerar a queda da imunidade da pele, pode provocar reações inflamatórias crônicas que levam ao envelhecimento precoce.

Foto: Cuca Jorge

Segundo concorda Tatiana Francine C. Roque, gerente de comunicação de mercado da Cosmotec, o avanço das pesquisas científicas beneficiaram bastante o desenvolvimento de ativos para tratamentos antienvelhecimento. “Os ativos estão cada vez mais seletivos, e buscam agir precisamente na origem dos problemas, oferecendo condições à pele de se recuperar pela potencialização de seus próprios mecanismos de defesa”, considerou Tatiana.

Entre as tendências mais marcantes no campo cosmético voltadas aos tratamentos antiidade estão, segundo ela, a fusão cada vez maior entre tecnologias e ativos naturais e a descoberta de ativos que promovam a longevidade celular.

Na opinião de Jefferson Santos, diretor-comercial da M.Cassab, as grandes linhas de produtos cosméticos antiidade atacam os problemas sob duas frentes: “Pela via tradicional, buscamos reduzir os efeitos negativos provocados pelo envelhecimento da pele. Pela via preventiva, que tem por foco os jovens já a partir dos 25 anos, buscamos prevenir o envelhecimento. Por isso, é comum encontrarmos linhas de tratamento antiidade integradas por produtos com formulações adequadas aos diferentes grupos etários. Invariavelmente, essas linhas devem incorporar agentes de hidratação, agentes de limpeza profunda e de proteção solar, já que o conjunto de informações científicas sobre o envelhecimento da pele nos indica claramente que a ação solar e o ressecamento são os grandes vilões no processo de sua degradação”, considerou Santos.

Tatiana: ativos são seletivos e permitem recuperação natural

Outro ponto importante, segundo o diretor, é que a comprovação científica se tornou mais valorizada pelos consumidores e as dosagens dos ingredientes ativos passaram a ser maiores nas formulações. “Em resumo, o consumidor hoje tem mais informações aprofundadas, muito superior às do passado e isso o torna mais exigente quanto à eficácia dos produtos e mais disposto também a pagar mais por formulações mais elaboradas e efetivas. Isso conduz a um fato muito positivo, fazendo com que as indústrias cosméticas evitem promessas vazias sob pena de perder espaço no mercado de consumo”, considerou.

“No futuro, deveremos contar com uma integração ainda maior entre as linhas anti-sinais e antienvelhecimento combinadas com complementos alimentícios que possam corrigir falhas na dieta tradicional, já que a adequada nutrição humana é coadjuvante importantíssima para gerar os nutrientes e a saúde necessária à pele”, informou. Entre os ingredientes, deverão estar em alta, segundo Santos, os antiinflamatórios para uso tópico e os antioxidantes, especialmente aqueles de origem natural.

Até bem pouco tempo atrás, a busca por ativos cosmésticos se baseava em conceitos conhecidos e direcionados a moléculas sintéticas que ofereciam ao consumidor segurança e efetividade. “Hoje, porém, a maior busca é por ingredientes naturais, fato que coloca em alta antioxidantes como as antoxantinas e antocianinas, esses últimos, presentes em vinhos tintos e no açaí, são responsáveis pelo conhecido ‘paradoxo francês’, ao demonstrar sua capacidade de captar radicais livres e produzir efeitos altamente benéficos na prevenção de enfermidades cardiovasculares e circulatórias”, informou Angélica Cassemiro, assistente técnica de Health & Personal Care da Beraca.

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Angélica: vinho tinto e açai para gerar "paradoxo francês"

As mais recentes publicações com circulação no meio científico relatam, segundo Angélica, as propriedades de vários compostos fitoquímicos, especialmente dos fenólicos presentes em frutos, de eficácia comprovada principalmente como agentes efetivos para cuidados no envelhecimento.

“Os fabricantes de cosméticos para a pele buscam cada vez mais ativos sofisticados e resultados rápidos, principalmente em substâncias desenvolvidas com ingredientes naturais e que promovam ações antioxidantes, hidratantes, antiidade, reguladoras da oleosidade etc.”, considerou Angélica.

Nesse sentido, a empresa vem apostando muito no sucesso do BioFunctional Açaí Extract, extrato 100% natural antienvelhecimento, cuja atividade antioxidante é comprovada por meio do método TAS – Total Antioxidant Status (Randox Total Antioxidant Status Kit, produto do Randox Laboratories, desenvolvido com a polpa seca do açaí com a finalidade de padronizar a concentração de antocianinas).

 

 
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