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Fotos de Cuca Jorge

Crescimento do mercado anima fabricantes, mas importações preocupam

Marcelo Fairbanks (fotos de Cuca Jorge)

Demorou, mas a produção industrial brasileira finalmente aderiu ao ritmo de crescimento asiático. Quase todos os setores relevantes anunciam investimentos em capacidades adicionais para atender ao volume de pedidos que se apresenta. Tanta animação se reflete nos produtores de válvulas industriais, com alguns poréns. Nem todos os fabricantes brasileiros desse importante elemento compartilham da euforia global.

Muitos nomes tradicionais desse mercado fecharam ou foram absorvidos por concorrentes como decorrência de anos a fio de marasmo, com vendas praticamente restritas à reposição e preços baixos. A valorização do real perante o dólar passou a disputar com a elevação de custos dos insumos a primeira posição na lista de problemas setoriais.

Nesse ranking, cabe menção honrosa ao mal-afamado “custo Brasil”, um conceito-ônibus que adiciona ao preço final dos produtos nacionais uma sobrecarga de tributos, juros e despesas incorridas para superar as notórias deficiências logísticas.

Ao mesmo tempo, tornam-se cada vez mais freqüentes as importações de válvulas industriais de baixo preço, por enquanto limitadas às commodities, vendidas a peso, itens menos complexos, construídos com materiais comuns e diâmetros mais corriqueiros. “Já foram encontrados casos de válvulas oferecidas a US$ 0,01 por kg, isso não paga sequer o aço”, criticou Lourenço Righetti Netto, diretor-presidente da Câmara Setorial de Válvulas Industriais (CSVI) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A entidade representativa do setor comemorou 35 anos de atividades, somando as denominações que se sucederam desde 1973 (DSVI, DNVI, Sindival até a atual), com um quadro de 64 associadas espalhadas pelo país.

Righetti: entidade combate só as importações predatórias

O dirigente setorial promete reativar nos próximos meses o tradicional curso sobre válvulas industriais mantido pela entidade, mas há três anos suspenso para atualização e reformulação. “Os instrutores, todos voluntários, foram contactados e manifestaram grande interesse em retomar o curso”, afirmou. Além disso, a CSVI busca maior aproximação com os técnicos da indústria sucroalcooleira para troca de informações e experiências, visando ao aprimoramento de produtos e serviços. Funciona bem o site www.abimaq.org.br/camaras/csvi, no qual são publicados os trabalhos da câmara e um guia de produtos fabricados pelas associadas.

Righetti enfatiza que a câmara estuda com toda a Abimaq modos de defesa da indústria nacional. “Não somos contra as importações, mas precisamos brigar contra operações nocivas e antiéticas”, afirmou. No campo das válvulas, os produtos vindos do Leste Europeu e da Ásia já causam preocupação, ainda que a demanda absorva a produção local e os adicionais trazidos do exterior.

“Percebemos claramente que os fabricantes de válvulas industriais retomaram os investimentos no desenvolvimento de produtos, na engenharia e no aumento e melhoria da produção”, comentou Righetti. Para ele, o setor conta com fábricas melhores e produtos de maior qualidade, comparáveis aos líderes mundiais.

Com base nos informes de suas associadas, a CSVI verifica em 2008 uma evolução firme no faturamento. O acumulado de janeiro a maio deste ano apresentou crescimento de 9,6% sobre igual período de 2007. A carteira setorial de pedidos ficou 72% maior na mesma base temporal. O resultado é a elevada taxa de ocupação das unidades produtivas, avaliado em 79,24% para maio deste ano.

Petróleo lidera – O complexo de produção de gás natural e petróleo, incluindo o refino, é o maior consumidor de válvulas, e alguns aspectos específicos influenciam o setor. “A câmara busca aprimorar o relacionamento com a Petrobras por intermédio do conselho de óleo e gás da Abimaq, no qual tem assento”, explicou o presidente da CSVI. Um dos pontos prioritários reclama isonomia plena entre produtos nacionais e importados, mesmo quando adquiridos por “epecistas” (empresas de EPC – engenharia, compras e construção, contratadas para executar projetos específicos). Além disso, o setor ainda pena com a burocracia dos procedimentos de cadastramento da estatal.

“Ao menos conseguimos acesso facilitado aos projetos de investimento, com a indicação de quem venceu as concorrências”, disse. Isso permitirá planejar o desenvolvimento da produção de válvulas, sem o qual não será possível atender à demanda futura de tal magnitude. “Ainda precisamos de projeções de longo prazo para sustentar investimentos com segurança.”

Como as encomendas da estatal estão se tornando cada vez mais vultosas, a entidade setorial pleiteia que ela adote um sistema de desembolsos por cronograma de serviços executados, em vez de pagar apenas após a entrega. “Como os pedidos são muito grandes, as indústrias precisam recorrer a financiamentos de custo elevado, fator que se reflete nos preços pagos pela própria estatal”, considerou.

Além da estatal, a CSVI está atenta aos planos de outras companhias, nacionais e internacionais, com interesses no setor de óleo e gás. A entidade participa da Organização Nacional da Indústria de Petróleo (Onip), que lançou seu cadastro de fornecedores (Cadfor) como auxílio aos novos investidores no ramo no Brasil. “Ter qualificação no cadastro pode ajudar a exportar no futuro”, considerou Righetti. Duas empresas associadas à CSVI obtiveram certificação no Cadfor da Onip, a Ascoval e a Interativa, entre 34 membros da Abimaq.

 

 
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