P   R   É   V   I   A

Stéferson Faria/Agência Petrobras


Tecnologia avançada aceita
desafio de explorar o pré-sal


Bia Teixeira

Nada mais adequado do que o tema “Petróleo e Gás no século XXI: desafios tecnológicos”, escolhido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) para a 14ª Rio Oil & Gas Expo and Conference, que vai se realizar entre os dias 15 e 18 de setembro, no Centro de Convenções do Riocentro, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Na era do pré-sal, a tecnologia, a experiência consolidada e a capacidade de aprendizagem rápida daquilo que ainda é pouco conhecido, para geração de novo conhecimento, são aspectos essenciais para os agentes da cadeia produtiva do petróleo. E quem se considerar apto a dar o seu aporte para que as companhias petrolíferas vençam mais esse desafio, com certeza vai procurar mostrar suas qualificações em serviços e produtos na maior vitrine do setor de óleo e gás natural do Atlântico Sul. Sem falar que a conferência cria uma série de oportunidades para discussões em torno das inovações tecnológicas.

Mas nem só de tecnologia vai se alimentar a Rio Oil & Gas deste ano. Ela também será o principal fórum do setor para tratar da polêmica gerada pelas gigantescas reservas descobertas na camada do pré-sal, a profundidades totais que superam os seis mil metros (lâmina d’água e solo), as mais longínquas fronteiras do planeta na atividade.

No cardápio de debates, painéis e apresentações, com certeza vai aflorar o impasse em relação ao que será feito com essas áreas, caso se confirme a existência de megajazidas em mais de um campo ou bloco concedido. A criação ou não da Petrosal, a estatal do pré-sal, desapropriação, unitização e outras questões vão apimentar as discussões.

“Principalmente pelo fato de não termos notícias, no resto do mundo, de descobertas de reservas com a dimensão e os volumes de óleo e gás que estão sendo estimados na camada do pré-sal”, observou o superintendente regional do IBP na Bacia de Campos, Alfredo Renault, ressaltando ainda o alto nível técnico e a qualidade do evento.

Segundo ele, grandes também são as expectativas de novas oportunidades de negócios, principalmente para todas as empresas responsáveis pela cadeia de suprimentos da indústria de óleo e gás. “O IBP projeta que haverá um número maior de empresas fornecedoras participando da já tradicional Rodada de Negócios da feira, que deve reunir mais de 20 âncoras”, disse Renault.

O fato é que a Rio Oil & Gas (ROG, para os íntimos) se tornou um dos maiores eventos da indústria petrolífera no mundo e o segundo maior das Américas (perde apenas para a

Digulgação/IBP

Renault: descobertas gigantes atraem
o interesse mundial

Offshore Technology Conference – OTC, realizada anualmente em Houston, EUA). Promovida a cada dois anos, ela vem crescendo em tamanho e importância desde a sua primeira edição, em 1982.

A ROG 2008 vai ser marcada não só pelo debate em torno do pré-sal como também por recordes: de expositores, de trabalhos técnicos inscritos, de público e de espaço ocupado. Com uma área total de 35 mil m² – 5 mil m² a mais que na edição anterior, em 2006 –, a ROG vai aproveitar o amplo espaço do Riocentro para abrigar 11 pavilhões e mais de 1.100 expositores – 300 a mais que em 2006 – de vinte nacionalidades diferentes. Representantes de empresas de outros países vão participar, mas sem estande próprio.

Até o final de agosto, mais de sete mil pessoas se credenciaram pela internet para visitar a ROG. A expectativa dos organizadores é de que o público deste ano seja superior a 35 mil pessoas nos quatro dias do evento. É uma demonstração inequívoca da sua importância e do interesse que ela desperta na indústria mundial.

O que reforça também a consolidação do Rio de Janeiro como “capital do petróleo”, já que o estado, com a Bacia de Campos, responde por cerca de 80% de todo o óleo produzido no país, além de 50% da produção de gás. Uma posição que vai manter por algum tempo, mesmo diante da expansão das fronteiras exploratórias – sairemos da era da monobacia para as diversas bacias produtoras, em mar e terra – e do crescimento da produção na Bacia do Espírito Santo, a segunda maior produtora nacional.

Isso porque as reservas do pré-sal, sejam elas de 50 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), 70 bilhões ou 100 bilhões, de acordo com os números que vem sendo alardeados pelos especialistas, ainda vão demorar uma década para estar em franca produção, mesmo com todos os projetos em andamento para agilizar a exploração dessa nova fronteira.

Evento temperado – Dos mil trabalhos técnicos inscritos até agora, 750 já foram aprovados. O número de inscrições é quase o dobro dos 540 papers apresentados na edição anterior. O pré-sal é tema de vários deles, nas diversas áreas das ciências que dão respaldo às atividades petrolíferas, principalmente nas operações de exploração e produção: geologia, geofísica, química, físico-química, engenharia (de petróleo, de poço, de produção, naval etc.), entre outras.

Os técnicos e especialistas da indústria (muitos dos quais em cargos importantes nas companhias petrolíferas que atuam no Brasil) vão abordar ainda outros temas relevantes, como os biocombustíveis, refino de óleos pesados, a demanda de gás natural e as alternativas para atendê-la, novos processos petroquímicos e de refino, novas tecnologias aplicadas a todos os segmentos da cadeia petrolífera, o fator inovação, qualidade de produtos (principalmente de derivados de petróleo), boas práticas de gestão na área de petróleo e gás, além dos aspectos que contribuem para a excelência em segurança, meio ambiente e saúde (SMS), tema prioritário em qualquer plano de negócios de uma empresa interessada não só em sucesso, produtividade e rentabilidade, mas também longevidade.

Além dos aspectos jurídicos, que são um ponto crucial hoje para o setor de óleo e gás no país, também serão apresentados trabalhos sobre aspectos econômicos e até geopolíticos deste setor, com destaque, novamente, para o pré-sal.

Vão estar reunidos no evento deste ano os principais agentes da cadeia produtiva de petróleo e gás, desde o pequeno fornecedor de produtos e serviços aos grandes supridores desta indústria e as gigantescas oil companies, como a brasileira Petrobras, a norte-americana Exxon Mobil (mais conhecida no Brasil como Esso), a britânica British Gas (BG), a anglo-holandesa Royal Dutch Shell, a espanhola Repsol YFP e a portuguesa Galp Energia, só para citar algumas das petroleiras presentes.

Todas estas têm interesses consolidados – em outras palavras, descobertas já confirmadas, com potencial de serem reservas gigantescas, como é o caso de Tupi, com 5 a 8 bilhões de barris de petróleo no bloco BM-S-11, operado pela Petrobras (65%), com BG (25%) e Galp (10%), onde em agosto foi confirmada outra descoberta, no campo de Iara.

Para não falar no campo de Carioca, no bloco BM-S-9, em que a Petrobras é a operadora, com 45% de participação, ao lado da BG (30%) e da Repsol YPF (25%), sobre o qual já se informou oficiosamente conter 33 bilhões de barris. Números que nenhum dos parceiros quer confirmar.

 

 

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