AMBIENTE Braskem investe em energia renovável Depois de absorver a Ipiranga Petroquímica e a Copesul no ano passado, (ver QD 459), a Braskem anuncia o aumento da sua participação na matriz energética do Rio Grande do Sul por meio de investimentos em fontes renováveis. Uma das medidas foi oficializada em 1º de setembro, em Porto Alegre, por ocasião do seminário “Biomassa para a Geração de Energia”, dirigido à indústria de beneficiamento de arroz e de madeira com atividade no Rio Grande do Sul. Com isso, a diretoria de energia da Braskem irá desenhar o mapa das localidades com viabilidade econômica e técnica de abastecer o sistema de usinas termelétricas movidas por biomassa, as quais estão dentro dos projetos da empresa para o Rio Grande do Sul. A expectativa inicial é de construir cinco unidades, cada uma com capacidade entre 10 megawatts e 14 megawatts. A movimentação das turbinas envolveria cinco mil toneladas por mês de casca de arroz. Além da energia elétrica, cada uma das unidades gerará também vapor, que é usado pelos produtores no beneficiamento do arroz. A outra possibilidade é a casca de madeira, uma vez que se proliferam pelo Rio Grande do Sul uma série de empreendimentos para abastecer as novas fábricas de celulose em implantação no estado.
de energia, a biomassa está disponível no estado e esta é uma excelente oportunidade para economizarmos os combustíveis fósseis, que são finitos”, argumenta Nascimento. Para Nascimento, há um limite claro do montante de geração, o que restringe o projeto às localidades onde exista biomassa capaz de sustentar a movimentação das turbinas por pelo menos quinze anos. Portanto, os contratos de fornecimento de casca de arroz ou madeira terão de ser de longo prazo. Nesta primeira fase, a Braskem quer selar um protocolo de intenções com os produtores de arroz no sentido de montar as bases técnicas para o cumprimento dos contratos. Assim como outros projetos da Braskem, todas as termelétricas contarão com os últimos avanços tecnológicos com o objetivo de atender aos padrões ambientais e irão contribuir para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, já que usarão uma fonte renovável de energia. Segundo o diretor de energia do grupo, o conglomerado petroquímico é o terceiro consumidor individual de energia do país, compra eletricidade das fontes tradicionais como óleo, carvão mineral, gás e de usinas hidrelétricas, e está aberto agora às novas possibilidades, como a termoeletricidade de pequena escala proveniente de fontes sustentáveis ou renováveis. O produtor de arroz e deputado federal Luiz Carlos Heinze comemorou a iniciativa. Segundo ele, desde 1994, quando alguns agricultores construíram microusinas de dois megawatts, em São Borja, havia a
Tratamento térmico – O outro projeto da Braskem deve entrar em fase de estudos técnicos nos próximos meses. A idéia é construir em Porto Alegre uma usina de tratamento térmico de resíduos sólidos para a geração de energia com base em projeto piloto que está em funcionamento no Rio de Janeiro. O investimento estimado é de R$ 100 milhões para a implantação de uma unidade com capacidade para processar 600 toneladas de lixo/dia, volume compatível com a geração de resíduos da capital. Um projeto desse porte trataria todo o lixo residencial e comercial não-reciclável gerado diariamente na cidade. A usina teria capacidade para gerar 13,2 megawatts de energia elétrica, dos quais 2 megawatts seriam consumidos para o seu próprio funcionamento, e os outros 11,2 megawatts destinados para a comercialização. Essa quantidade de energia seria suficiente para abastecer cerca de 55 mil residências com consumo mensal de 140 quilowatts. A instalação de usinas desse tipo só se torna possível para a geração de energia pela presença do plástico entre os resíduos, pois sua capacidade de queima e geração de calor é similar à do diesel. Entre as vantagens ambientais do projeto está a redução em 92% do volume do lixo urbano, restando apenas cinzas que podem ser reaproveitadas na fabricação de pisos, blocos de concreto e pavimentação. A eliminação do lixo urbano in natura evita a emissão de gás metano proveniente da decomposição do material orgânico. Esse gás é 23 vezes mais nocivo para o efeito estufa do que o CO2 gerado na combustão. Na prática, essa tecnologia protege os lençóis freáticos de contaminação. “Os resíduos de Porto Alegre apresentam uma vantagem em relação aos de outras cidades. Boa parte do lixo orgânico do município já é separada para ser utilizada em uma unidade de compostagem, situada na Lomba do Pinheiro. Isso faz com que o lixo que resta seja mais seco e mais propício para a geração de energia”, afirma o vice-presidente de relações institucionais da Braskem, Marcelo Lyra. Na Europa, já estão em operação 420 usinas de tratamento térmico de resíduos sólidos. No Brasil, a cidade de São Paulo planeja lançar unidades de grande porte até 2011. No Rio de Janeiro, já está em funcionamento, na Ilha do Fundão, um projeto piloto desenvolvido pela empresa Usina Verde S.A., formada por um grupo de ex-profissionais da indústria e pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro que se espelharam na operação de usinas WTE (waste-to-energy, ou “de lixo a energia”) da Europa. A empresa colocou em funcionamento uma usina modelo que trata 30 toneladas de lixo por dia e gera 440 quilowatts. O objetivo é mostrar a tecnologia e comercializá-la a investidores interessados em montar o projeto, como é o caso da Braskem. De acordo com Lyra, o grande passo dado pela empresa Usina Verde S.A. em relação às tecnologias já existentes foi o desenvolvimento de lavadores de gases. A empresa tem duas patentes internacionais registradas pela elaboração do equipamento. O uso desse dispositivo controla as emissões atmosféricas em níveis inferiores aos padrões internacionais exigidos. “Além de comercializar a energia elétrica gerada, o projeto piloto do RJ vende créditos de carbono. Em 2004, foi classificado pelo Comitê Interministerial de Mudanças Climáticas como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Em 2007, ganhou certificação pelo Bureau Veritas por 1.820 toneladas de CO2 equivalentes evitadas em seis meses de operação”, enfatizou o executivo. F. C. C. |
|||||||||
| <<< Anterior | |||||||||