Os fornecedores de produtos e sistemas para automação e controle de processos industriais vivem um período de euforia. Os investimentos em curso, além dos anunciados, por parte de clientes de vários setores industriais – desde a produção de petróleo e gás, até alimentos e bebidas –, projetam para os próximos anos uma forte expansão de vendas. Porém, não é hora de descansar: a competição entre os maiores fornecedores é intensa e o foco da demanda começa a ser ampliado para além do escopo dos processos, buscando a integração total das atividades.
capacidade de produção e atendimento, a começar pela inauguração da nova sede, no condomínio de Tamboré, em Barueri-SP, para onde foram deslocadas as partes administrativa e de vendas. As áreas de montagem e serviços permaneceram em Santo Amaro, onde ganharam mais espaço. As equipes também foram reforçadas para acompanhar a expansão dos negócios. Isso incluiu a contratação do gerente-comercial Luiz Sussumu Funagoshi (ex-Invensys).
Desde que unificou as linhas de SDCD e CLP, em 1995, a Siemens ampliou sua participação no controle de processos industriais. Antes disso, seu maior destaque sempre foi ligado ao gerenciamento da energia nas fábricas. “Já temos 87 sistemas PCS7 instalados no Brasil nas indústrias química, metalúrgica e de papel e celulose”, afirmou Carlos Fernando Albuquerque, engenheiro do setor de DCS, batch e gerenciamento de ativos, dentro da área de automação de processo. A partir de 2000, a companhia ampliou o leque de segmentos atendidos, oferecendo o controle integrado do processo e dos sistemas de energia, além de apresentar a linha completa de instrumentos de campo. Ponto fraco – A escassez de profissionais especializados em automação e controle no mercado mundial é apontada por Ninin como uma vulnerabilidade para a expansão de negócios e também para o aproveitamento adequado dos recursos pelos compradores. “Há uma corrida por engenheiros e técnicos especializados em vários países, movimento comparável ao que aconteceu na década de 70, antes dos choques do petróleo”, disse. “Alguns clientes compram sistemas completos, mas não têm técnicos capacitados para aproveitar todos os recursos”, comentou Santos. Uma das modalidades de contrato da Emerson prevê a implantação completa do sistema colocado em marcha, com todas as aplicações. Para tanto, a empresa mantém área de treinamento básico e avançado de operação. “Mas a concorrência por especialistas é tão grande que chega a tirar gente das equipes dos fornecedores.” A situação é crítica e não se limita ao campo do controle, mas se estende por toda a engenharia, montagem e produção de equipamentos. Do ponto de vista específico do setor, Santos afirma que a tecnologia digital distribuiu muitas tarefas e responsabilidades para os instrumentos inteligentes. Além disso, o fato de contar com esse avanço tecnológico reduziu muito o consumo de horas de pessoal especializado na instalação, comissionamento e partida da instalação. “Usamos menos gente, porém com mais capacitação técnica”, explicou. Essa situação se reflete na forma de negociação com os interessados. Antigamente, os departamentos internos de engenharia das companhias químicas e petroquímicas contavam com especialistas capazes de apontar as necessidades e de selecionar os produtos e sistemas que melhor as atendessem. O enxugamento dos quadros técnicos eliminou esses especialistas da maioria das empresas, que hoje se valem do apoio de consultores terceirizados, de integradores, ou mesmo do conhecimento dos próprios fornecedores. Ninin recomenda uma seleção cuidadosa do consultor ou do integrador que venha a orientar os investimentos dos clientes. Setor muito dinâmico, a área de automação e controle exige acompanhamento freqüente. Às vezes, um consultor só trabalhou com um tipo de produto ou fabricante de sistema, desconhecendo os avanços dos demais, que podem ser mais adequados para necessidades específicas dos clientes. Da mesma forma, Ninin elogia o trabalho dos integradores independentes quando eles se especializam em um determinado segmento ou processo industrial, reunindo qualificações de grande valia. Porém, quando começam a expandir seus serviços para outras áreas, alguns problemas podem surgir. Em todos os casos, os fornecedores oferecem orientação e suporte de aplicações. “No caso dos grandes projetos, o mercado mundial tende a estabelecer relações do tipo MAC – main automation contract, nas quais um fornecedor assume a responsabilidade pelo detalhamento da automação, compra todos os produtos, os instala e põe para funcionar, sendo responsável pelo desempenho de todo o conjunto”, comentou. A Yokogawa tem assinado muitos desses acordos, especialmente no Oriente Médio, onde brotam novas refinarias e unidades petroquímicas. O dirigente explicou que, no modelo tradicional (de EPC, engenharia, licitação e construção), o projeto é totalmente detalhado e disputado entre vários concorrentes. O fornecedor selecionado reestuda o projeto e aponta as alterações necessárias. Isso implica refazer o detalhamento. O MAC elimina esse desperdício. Santos, da Emerson, aponta outra modalidade de contratação, o PEpC. Nesse modelo, o fornecedor do sistema é definido (por escolha do cliente ou por licitação) antes da fase de detalhamento do projeto, que é feita pelo contratado ou com o suporte dele. “Essa modalidade foi criada nos Estados Unidos e já está começando a ser usada no Brasil, porém não nas estatais, que precisam seguir a Lei 8.666”, explicou. Tanto o PEpC como o MAC ajudam a reduzir custos, prazos e riscos. O conceito básico do MAC começa a ser aceito até pela Petrobras. Segundo Ninin, o projeto da Refinaria do Nordeste (em Pernambuco), que está em fase de concorrência pública, prevê o fornecimento de Controle e Automação Geral (CAG). “É parecido, mas não tão intenso quanto o MAC”, explicou Ninin. O setor espera que o vencedor seja definido até o final deste ano. Além da vantagem no custo dos projetos, eleger um único responsável pela automação dos processos pode evitar problemas futuros de comunicação entre dispositivos e o sistema de controle. “A situação atual da comunicação nos sistemas de controle e automação melhorou muito, mas ainda ocorrem alguns contratempos que podem dificultar o aproveitamento máximo do investimento”, considerou Ninin. Ele mesmo informou que são raros os casos de fornecedores que fabricam todos os itens, dos sensores e transmissores às válvulas de controle, incluindo os sistemas de controle. Daí a importância de homologar produtos compatíveis e garantir a sua interoperabilidade. Migração e atualização – Há que se considerar as diferenças entre projetos de automação e controle na instalação de uma fábrica totalmente nova e na atualização de indústrias existentes. “Ainda há no Brasil um grande número de empresas químicas de médio porte que não contam com sistemas de controle, nas quais a operação ainda depende de intervenção direta dos operadores”, comentou Ninin. Existe, portanto, um mercado amplo a ser explorado. Na visão atual, os operadores deixam a rotina das operações para os sistemas de controle e, por isso, podem dedicar o seu tempo a tarefas mais nobres, como estudar o aumento da eficiência produtiva e a redução de custos. Além disso, os sistemas propiciam melhores condições de trabalho e de segurança. Os investimentos em atualização de plantas costumam ser feitos por etapas, tanto para a diluição do custo de investimento quanto para evitar paradas prolongadas dos processos. Em geral, o primeiro passo é a instalação da sala de controle e de alguns instrumentos de campo, aproveitando-se ao máximo os recursos existentes. Em etapas posteriores, implanta-se a instrumentação e as malhas digitais de campo. Em seguida, já podem ser feitas as primeiras incursões em controle avançado, gerenciamento de ativos e até modelos de simulação e treinamento virtual. Durante a fase de substituição de sistemas, é comum a convivência entre diferentes concepções de produtos e de protocolos de comunicação, exigindo a colocação de conversores para estabelecer uma comunicação mínima. “Nem se pensa nisso quando se fala em uma fábrica nova”, comentou Ninin. Na sua avaliação, o setor petroquímico e as refinarias de petróleo sempre se destacaram por manter atualizados os sistemas de controle. As grandes empresas de celulose e papel, bem como as siderúrgicas nacionais, também operam com sistemas modernos de última geração. Até mesmo setores considerados “conservadores”, como o sucroalcooleiro, adotaram sistemas digitais. “As novas usinas têm exigências em automação iguais às das petroquímicas”, disse Ninin. No caso dos projetos de atualização de sistemas feitos por etapas, Santos considera a possibilidade de incorporar mais softwares e licenças para entradas/saídas (I/Os) em CPUs de maior porte, ou colocar CPUs em paralelo para suprir as necessidades que venham a aparecer. “É mais uma questão econômica do que técnica”, admitiu. Uma tendência de mercado na área de automação consiste em criar sistemas de capacidade ilimitada, capazes de suportar ampliações de qualquer porte. |
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