Da sísmica ao refino, todas as etapas da atividade industrial petrolífera puderam ser atendidas pelos 1,2 mil expositores, de 23 países, que se posicionaram em estandes na 14ª Rio Oil & Gas Expo and Conference, realizada no Rio de Janeiro, entre 15 e 18 de setembro. Nada menos que 12 países optaram por reunir empresas em pavilhões, demonstrando que seus governos estão dando respaldo a essa prospecção de negócios em território brasileiro. Sem falar nas dezenas de outras empresas, nacionais e estrangeiras, que, mesmo sem estande fixo,
Os 39 mil visitantes conferiram não somente o portfólio de produtos e serviços oferecidos pelos expositores como também as mais novas tecnologias e as últimas tendências dessa indústria que está em acelerada evolução no país. Muitas empresas aproveitaram a oportunidade para anunciar mudanças em seus quadros executivos, criação de unidades de negócios com foco em petróleo e gás, novos produtos, serviços ou equipamentos além de parcerias e contratos fechados.
Foi o nacionalismo de governantes e governados de um país vizinho, a Bolívia, que mais uma vez embaçou o brilho da grande festa do petróleo no Riocentro. Na abertura da Rio Oil & Gas de 2006, o presidente boliviano Evo Morales roubou a cena ao decretar a nacionalização de todas as reservas de petróleo e gás do país. Foi o início de uma crise no segmento de gás natural que obrigou a Petrobras a implementar o Plano de Antecipação da Produção de Gás (Plangás), em virtude da dependência do Brasil – principalmente de indústrias do Sul, Sudeste (mais especificamente, do estado de São Paulo) – do gás natural boliviano. Crise acentuada na véspera da ROG deste ano, por causa da redução do fornecimento para o Brasil de até 50% dos 30 milhões de metros cúbicos exportados pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), em conseqüência de explosões que demandarão o fechamento de válvulas das instalações bolivianas. O pré-sal, rico em petróleo leve, de alta qualidade, e muito gás, salvou a situação, não deixando que a crise contaminasse a feira, tratada quase como um reservatório de oportunidades pelas empresas que têm o que vender para a cadeia produtiva de óleo e gás. Interesse internacional – A presença de representantes e estandes de empresas de 23 países é uma demonstração inequívoca dos atrativos do setor de óleo e gás do Brasil no cenário mundial. Não bastasse isso, nada menos que 12 países, por meio de órgãos governamentais e entidades de fomento ao comércio exterior, fincaram suas bandeiras nos quatro pavilhões e dois anexos da Rio Oil & Gas. Empresas do Reino Unido, Noruega e Dinamarca, com expertise em águas profundas, consolidada principalmente em operações no Mar do Norte, já são presença tradicional no evento do Rio, tanto no pavilhão como em estandes próprios, uma vez que muitas já são fornecedoras firmes da Petrobras e de outras petroleiras que atuam nas bacias brasileiras. Mas as soluções tecnológicas, os equipamentos submarinos de última geração, os produtos inovadores e os serviços altamente especializados que oferecem para a indústria petrolífera, com destaque para as atividades offshore, foram alguns dos grandes atrativos da promoção em que o pré-sal foi o ator principal. O pavilhão da França abrigou 25 empresas francesas que hoje atuam como players de destaque no mercado internacional de óleo e gás. Essa quantidade de empresas – quase o dobro do evento anterior – foi possível graças ao apoio da Rede das Missões Econômicas Francesas no Brasil, o departamento do ministério francês da Economia, Finanças e Emprego que tem como principal incumbência promover as exportações e os investimentos da França no Brasil. Ele também representa os órgãos de informação e fomento ao desenvolvimento internacional das empresas francesas, reunidos na agência pública Ubifrance. A petroleira Total, que tem uma posição de destaque no Oeste Europeu (Europa Ocidental) e na África, não poderia faltar ao evento, uma vez que fez uma descoberta de petróleo em águas muito profundas (em fase de desenvolvimento). Acionista dos gasodutos TBG (Bolívia-Brasil) e TSB (no Sul), a Total é distribuidora de lubrificantes e possui várias unidades industriais e comerciais de química especializada no país. “A participação francesa nos grandes projetos do setor de óleo e gás no Brasil se realiza hoje com base em uma forte parceria tecnológica, trazendo investimentos para o estado do Rio de Janeiro e intercâmbios no ramo de formação e pesquisa”, destacou Eric Fajole, conselheiro comercial do Consulado da França no Rio de Janeiro. Graças a essas parcerias, algumas empresas francesas já se destacam no cenário brasileiro, como a Vallourec Mannesman, a Petroval e a Altran, entre outras. A participação francesa foi marcada por empresas da área de tecnologia, como a Beicip-Franlab, de consultoria e software em E&P, que é controlada 100% pelo Instituto Francês do Petróleo (IFP). Ela é grande fornecedora de software, assistência e consultoria em exploração de bacias, caracterização de gerenciamento de reservatórios, refino, economia, gerenciamento e otimização de produção. De olho no pré-sal, ela trouxe para a ROG uma nova geração de softwares: de caracterização de reservatórios fraturados, simulação dinâmica, modelagem estratigráfica e modelagem integrada de bacias, análise de risco e caracterização avançada de reservatórios, entre outros. Confirmando o interesse da França no Brasil, o governo francês pretende instalar um grande pavilhão na feira Brasil Offshore, em 2009, por ocasião do Ano da França no Brasil. Agência do governo italiano responsável pela promoção do intercâmbio comercial e tecnológico entre a Itália e o resto do mundo — sobretudo no que tange às empresas de pequeno e médio porte e seus consórcios de exportação –, o Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE), em conjunto com o Departamento para Promoção de Intercâmbios da Embaixada da Itália, montou um estande com mais cinco empresas. Outras oito empresas de grande porte montaram estandes próprios. Desde 2002, a Itália não vinha para o evento com uma representação oficial. O analista da embaixada para o setor, Ronaldo Padovani, observou que as empresas presentes, de pequeno porte, têm como principal objetivo aferir possibilidades de negócios e, principalmente, avaliar possíveis parcerias. “Desde o desenvolvimento de projetos na matriz, que podem ser implementados por parceiros locais, à fabricação local de equipamentos, em parceria com indústrias atuantes no mercado brasileiro.” Os outros pavilhões de países europeus foram a Alemanha, que tem um grande parque industrial instalado no Brasil, fornecendo diversas linhas de serviços e produtos para a cadeia óleo, gás e energia, além da Holanda e Romênia. A China também teve uma participação expressiva de empresas no evento, uma vez que algumas de suas petroleiras já têm parcerias firmes com a Petrobras no continente chinês e querem consolidar uma via de mão dupla. Das Américas, além da Colômbia, que busca ampliar sua participação na indústria petrolífera brasileira, que atua forte naquele país, também marcaram presença, de forma mais efetiva, empresas norte-americanas de pequeno e médio porte, agrupadas em um dos anexos. O pavilhão do Canadá reuniu os principais agentes da cadeia produtiva de petróleo daquele país, com foco no segmento de gás natural e exploração/produção onshore. Além de reforçar relações com parceiros e clientes, os representantes das empresas e de órgãos governamentais do Canadá tiveram a oportunidade de utilizar o espaço para o agendamento de reuniões na International Pipeline 2008, que se realizaria em Calgary, no final de setembro. Acesso ao mercado – Os 1.600 estudantes que visitaram a feira tiveram a oportunidade de se informar sobre o que está sendo feito em termos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) na área de petróleo nos estandes de universidades, centros de pesquisa e órgãos do governo que financiam essas atividades. Puderam ainda aferir as oportunidades de estágio, perspectivas de emprego e quais as qualificações necessárias, tanto de nível técnico como superior, para ingressar nesse mercado de trabalho. Representantes de pequenas e microempresas também tiveram a chance de avaliar suas competências para atuar nesse setor, cujas portas vêm sendo abertas por organizações como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), federações de indústrias e entidades regionais de fomento aos negócios, como a Rede Petro, já instalada em vários estados. Boa parte estava atenta à primeira Rodada Internacional de Negócios, realizada pela Onip. De acordo com o superintendente da entidade, Bruno Musso, a expectativa é de que haja um movimento de contratos de US$ 287 milhões nos próximos doze meses. Essa projeção foi feita com base nas respostas de questionários apresentados pelas nove empresas internacionais – Petrobras Colômbia, Petrobras Argentina, Petroecuador, Pemex, Eco Petrol, Techna, Repsol, Petrolera Monterrico e Pan American – que participaram dos encontros com 43 fornecedores brasileiros de pequeno e médio porte. Essa rodada internacional faz parte de uma estratégia mais ampla, que envolve também a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), além de Sebrae, IBP, Firjan e o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), entre outros apoiadores. “A rodada foi uma ação extremamente bem-sucedida. Investimos US$ 70 mil para um retorno estimado em US$ 287 milhões”, disse Márcio Almeida, gestor de Projetos da Apex. Almeida comentou ainda que, no segundo semestre do ano passado, as ações em parceria com a Onip renderam US$ 500 milhões em exportações para o país. Os números da já tradicional rodada nacional de negócios também consagram o sucesso da iniciativa da Onip e Sebrae: foram realizados 800 encontros entre 23 grandes empresas do setor de óleo e gás e 197 pequenos e médios fornecedores de produtos e serviços. “Os resultados foram os melhores para ambas as partes: compradores e fornecedores”, avaliou o gerente do Sebrae, Renato Regazzi, destacando que só participaram dos encontros empresas que tiveram atuação em algum evento do Sebrae ou com cadastro na Onip. Bruno Mussi, da Onip, projeta para os próximos doze meses um volume de negócios da ordem de R$ 176 milhões – 76% a mais que os R$ 100 milhões declarados no ano passado. De acordo com ele, dentro de seis meses a entidade vai entrar em contato com as empresas para conferir se essas projeções feitas pelos próprios participantes estão se concretizando. Pequenos, médios ou grandes, os agentes da cadeia produtiva do petróleo e gás natural esperam que as riquezas do pré-sal gerem bons negócios mais além dessas rodadas. O que poderá ser confirmado nos dois anos seguintes, até a próxima Rio Oil & Gas, quando o pré-sal já terá uma produção comercial. |
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