PESQUISA A genialidade do projeto dos pesquisadores britânicos reside no fato de ter explorado propriedades inerentes do próprio gás. Na presença da água, o gás metano produz espontaneamente uma substância conhecida por hidrato de metano, ou seja, um composto cristalino semelhante ao gelo, formado por moléculas de água que incorporam outras moléculas de metano. Submetidas a uma pressão elevada e a uma baixa temperatura (características típicas da profundeza marinha, por exemplo), tais unidades cristalinas se formam naturalmente, mas com muita lentidão. Portanto, para acelerar este processo, os pesquisadores decidiram empregar minúsculas gotas de água mista e sílex para ampliar a superfície de contato e de reação entre os dois elementos. “Praticamente, o metano em pó se assemelha ao talco, com uma diferença: massageado sobre a pele parece gelado”, comenta Cooper. Os resultados levantaram o interesse da comunidade científica européia depois da confirmação de que um litro de gás metano poderá ser armazenado em apenas seis gramas de pó, além do que os próprios materiais utilizados na pesquisa são de baixo custo. As pesquisas revelaram também que a capacidade de armazenamento está muito próxima daquela estabelecida como meta pelo departamento americano de energia. O único inconveniente encontrado pela equipe foi a dificuldade de reproduzir uma temperatura de menos 70 graus centígrados, necessária para a obtenção do composto. “É por isso que nosso próximo passo será a produção de um composto estável a temperatura ambiente”, antecipa o professor. A possibilidade de transformar o método inglês em um processo industrial representa não só uma alternativa interessante aos metanodutos subterrâneos empregados para o transporte do combustível em seu estado gasoso, mas também uma potencial fonte de economia. A Itália, por exemplo, possui a maior frota de carros movidos a gás metano da Europa, com cerca de 370 mil veículos; a segunda no mundo depois da Argentina. No entanto, dois terços do combustível ali consumido é importado de nações como a Argélia, a Holanda e a Rússia e, por isso, o eventual transporte de metano em pó representaria uma solução interessante para o país. Atualmente, estima-se que dois terços do metano extraído em todo o mundo não chega a ser utilizado porque, em razão de sua baixa densidade, o custo do seu transporte é quatro vezes superior ao do petróleo. Com preços possivelmente inferiores, o maior consumo de metano também seria um grande aliado do meio ambiente. Isso porque o metano não contém enxofre, emite 25% menos anidride carbônica que o petróleo e não gera material particulado na atmosfera. Por enquanto, as reservas de metano descobertas no mundo inteiro possuem 150 bilhões de metros cúbicos, mas o consumo anual de gás metano não supera os 2,3 bilhões de metros cúbicos. Anelise Sanchez |
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