A última tendência mundial em tinturas é abolir o emprego das moléculas de parafenilenodiamina (também chamadas de PPD) nas formulações. As tinturas com PPD já foram proibidas na Alemanha e o conceito PPD-free dyes começa a se alastrar na Europa. As primeiras tinturas contempladas com fórmulas livres de PPD foram preparadas para a aplicação por profissionais, para uso exclusivo em salões.A holandesa Keune, tradicional empresa familiar do ramo que, desde 1924, se dedica integralmente à manufatura de produtos para cabelos direcionados a cabeleireiros, já teria lançado, em 2007, uma nova tecnologia em tintura, deixando para trás o PPD, utilizado há quase um século por grandes fabricantes de tinturas. Mais recentemente, chegou a vez da L’Oréal Paris abraçar a causa PPD-free, ao apresentar para o mercado do varejo, de sua base de lançamentos européia, a tintura de oxidação Excell 10’. Em lugar de PPD, essa coloração permanente em creme traz diaminotolueno (TDS), pigmento considerado de menor agressividade para a saúde do couro cabeludo, e que promete cobrir 100% dos fios brancos. No mundo todo, prós e contras associados ao uso dos pigmentos de PPD e outras substâncias já são há algum tempo conhecidos. Constituídos de moléculas primárias para uso em tinturas oxidativas permanentes, esses pigmentos apresentam pequena dimensão e têm capacidade para penetrar além das cutículas protetoras dos fios, atingindo o córtex, onde darão origem aos tons de fundo mais escuros como os pretos e os castanhos escuros. A utilização do PPD em tinturas para cabelos é tão antiga quanto a produção das mais renomadas e globais fábricas de tinturas. No início do século passado, o químico francês Eugène Schueller, fundador da L’Oréal, já utilizava o PPD em suas tinturas.
Levantamento realizado por Souza na James Robinson indica que, atualmente, quatro substâncias entraram na rota de banimento da Colipa (The European Cosmetics Association): a 2-nitro-p-fenilenodiamina está definitivamente banida; a 2-cloro-fenilenediamina sulfato, a o-aminofenol e a HC Yellow 5 estão sem suporte adicional. Ou seja, em breve poderão ser banidas oficialmente, pois até agora os fabricantes não apresentaram estudos comprovando a segurança desses produtos (ver tabela).
Segundo Souza, é importante ressaltar que a legislação da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em muito se assemelha à legislação adotada pelos europeus. “Assim sendo, as restrições e as proibições de uso lá fora poderão ser rapidamente reproduzidas pelo órgão regulatório brasileiro”, considerou.
cabelos naturalmente pretos para louros ou colorir totalmente fios brancos, sendo, portanto, difícil prescindir do PPD para se tingir os cabelos na coloração preta intensa”, considerou Carames. Com atuação mundial em pigmentos para cosméticos, a LCW, divisão cosmética do grupo Sensient, preocupa-se com os impactos de prováveis restrições e proibições de substâncias químicas sobre a produção industrial. Assim, de sua base instalada em Saint-Ouen-L’Aumône, na França, surgem de tempos em tempos informes e comunicados de alerta às filiais e às revendas, com o objetivo de manter atualizadas as indústrias e antecipar prováveis restrições e resoluções em caráter definitivo a serem adotadas pela Comunidade Européia em relação à química cosmética capilar. De acordo com o último comunicado emitido pela sede da LCW, a nitroanilina azul, a Basic Blue 26, constitui a próxima molécula a ser banida dos produtos para coloração dos cabelos, o que deverá ocorrer a partir do mês de agosto de 2009, conforme expresso na diretiva da Comissão Européia número 2008/88/CE, tornada pública em 23 de setembro último. “Já estamos respondendo a consultas e informando aos nossos clientes a proibição de uso dessa molécula na Europa, bem como apresentando nossa sugestão para substituir a nitroanilina azul por um quaternário, o Arianor Steel-Blue, existente em nossa linha de produtos”, informou Carames. Oxidação e deposição - As tinturas de oxidação resultam de reações químicas entre pequenas moléculas primárias de acoplamento como o parafenilenodiamina (PPD), o paraaminofenol (PAP), o ortoaminofenol (OAP) e o parafenilenodiamina sulfatado (PPDS) e moléculas consideradas modificadoras como metaaminofenol (MAP), resorcinol (RCN), naftol (NA) 4-clororesorcinol (4CLR), 4-amino2hidróxitolueno (AHT), 2-amino4hidróxietilamino-anisole sulfato (AHEAS), 2-4-diaminofenoxietanol HCL (2-4-DAPE), entre outras, que reagem entre si, formando moléculas maiores, obtidas de misturas com amônia, e que ficarão de certo modo “aprisionadas” no córtex dos fios de cabelos. A química e especialista em cosmetologia Simone França, coordenadora técnica da LCW do Brasil, confere a seguinte definição para as tinturas de oxidação: “São reações químicas entre bases de acoplamento e intermediários de reação que ocorrem em meio oxidante e alcalino para a obtenção de polímeros coloridos dentro da estrutura de cada fio dos cabelos.” As tinturas de oxidação, portanto, são consideradas permanentes e podem resistir em média a 24 lavagens, permitindo a cobertura total dos fios brancos. Tinturas desse tipo em geral requerem o uso de hidróxido de amônia como substância alcalinizante, para reagir com a melanina natural dos fios de cabelos e promover o seu clareamento, e também não dispensam o uso de peróxido de hidrogênio, a ser utilizado como substância oxidante. “Os corantes de oxidação são constituídos por bases de acoplamento e por modificadores de reação de baixo peso molecular, que vão sofrer oxirredução no interior do córtex capilar e proporcionar o polímero colorido responsável pela coloração”, ensinou Simone. |
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